O presidente norte-americano Donald Trump afirmou no último sábado (13) que os Estados Unidos e o Irã assinarão um acordo neste domingo (14) para estender o cessar-fogo e reabrir o Estreito de Ormuz, passagem estratégica que permanece efetivamente fechada há mais de 100 dias, desde o início da guerra em 28 de fevereiro.
“O acordo está programado para ser assinado amanhã, e imediatamente após a assinatura, o Estreito de Ormuz estará ABERTO PARA TODOS”, escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social. “Nossa relação com o Irã é muito diferente e melhor do que a de governos anteriores.”
O anúncio, no entanto, foi recebido com cautela por Teerã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, disse que o momento exato da assinatura do memorando de entendimento ainda é incerto e que o acordo poderia ocorrer “nos próximos dias, mas não neste domingo”. “Devido à instabilidade e inconsistência da outra parte neste processo, devemos ser cautelosos”, declarou.
Pelo acordo em discussão, o Irã comprometeria a não desenvolver nem adquirir armas nucleares, e as duas partes negociariam durante 60 dias a destinação do estoque iraniano de urânio enriquecido, mais de 9.000 kg no total, dos quais 440 kg enriquecidos a níveis próximos ao grau militar, sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Em contrapartida, os EUA suspenderiam seu bloqueio naval aos portos iranianos e concederiam uma licença temporária para que o Irã venda petróleo durante o período do cessar-fogo estendido. Eventuais alívios adicionais de sanções seriam graduais e condicionados ao avanço das negociações nucleares.
Catar e Paquistão lideram os esforços de mediação. Negociadores qataris viajaram a Teerã neste domingo, em coordenação com Washington, para ajudar a finalizar o texto do acordo. Um alto funcionário do governo Trump descreveu o entendimento em discussão como “ótimo e muito sólido”, mas evitou confirmar a data da assinatura.
Tensão no Líbano
Horas depois do anúncio de Trump, Israel realizou um ataque ao sul de Beirute, afirmando ter como alvo o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã, em retaliação a disparos de drones. O episódio reacendeu o alerta sobre a fragilidade do processo diplomático, já que o Irã insiste que qualquer acordo de cessar-fogo deve incluir também o fim das hostilidades entre Israel e o Hezbollah, o que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu tem resistido em aceitar.
Na semana passada, quando Israel atacou Beirute, o Irã respondeu lançando mísseis ao norte de Israel pela primeira vez desde o cessar-fogo de abril, forçando Trump a intervir pessoalmente para pedir a Netanyahu que recuasse.
Dentro do próprio Irã, o processo de negociação enfrenta resistência interna. Apoiadores da linha dura foram às ruas em diversas cidades no sábado, incluindo Teerã e Mashhad, protestando contra os negociadores e acusando-os de traição.
Para Trump, reabrir o estreito é prioridade: o fechamento da via provocou a pior crise energética global em décadas e empurrou os preços dos combustíveis para cima nos EUA, com impacto direto nas eleições de meio de mandato previstas para novembro.
*Com informações do FT.
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