O jornal The New York Times publicou na tarde desta segunda (15) uma análise afirmando que Donald Trump finalmente encerrou a guerra no Irã, depois de três meses, sem conseguir atingir seus objetos. O diário não usou a palavra derrota, mas fez contrastar a declaração de vitória de Trump com o fato de que o republicano abandonou a guerra deixando pontas soltas. A principal delas seria a questão do armamento nuclear do Irã, que Trump havia dito ser seu objetivo obstruir totalmente.
Trump anunciou nesta segunda a assinatura de um acordo com o Irã para suspender os embates militares e reabrir o Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA chegou a declarar à imprensa norte-americana que “salvou Israel de uma extinção nuclear e tornou o Oriente Médio mais seguro”. “Mas o acordo deixa essa questão [nuclear] sem solução por pelo menos mais 60 dias, período em que se espera que ambos os lados negociem questões nucleares”, apontou o diário. A análise do NYT encerra com uma declaração de dirigente do Atlantic Concil cogitando que o acordo nuclear pode nem chegar a ser feito.
Além de não chegar a um acordo vitorioso sobre armas nucleares com o Irã, Trump também tinha apontado outros objetivos que não foram satisfeitos, como “aniquilar as capacidades militares do Irã, abolir suas ambições nucleares, derrubar sua liderança teocrática e libertar seu povo”, lembrou o New York Times.
O jornal frisou que a guerra no Irã, que Trump havia anunciado que duraria poucas semanas, prolongou-se por meses, matou milhares de civis iranianos e 13 militares dos EUA. “Em vez de ceder aos Estados Unidos, a nova liderança do Irã se fortaleceu, resistindo consistentemente à pressão militar e diplomática para persistir em seu objetivo de desenvolver um programa nuclear”, enfatizou o jornal.
Não é a primeira vez que Trump é criticado na grande mídia dos EUA por sua falta de objetos claros e metas alcançadas na guerra no Irã. Em março, o veículo The Economist publicou um editorial com duras críticas ao papel do presidente no mais novo conflito no Oriente Médio. Segundo a The Economist, Trump entrou na guerra sem um objetivo claro e sem convencer a maioria dos americanos de que a campanha militar era realmente necessária. Para a revista, Trump já deveria ter encerrado a empreitada, antes que a guerra gerasse prejuízos para os EUA e a economia mundial.
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Eduardo Pereira
15 de junho de 2026 3:11 pmTACO