Avós foram almas bem criadas. Umas atiravam de bala. Outras, de bala e reza.
por Romério Rômulo
Minhas avós foram almas bem criadas.
Umas atiravam de bala. Outras de bala e reza.
Me olharam e me sorriram. Quantas delas.
Deram conselhos. Me alçaram voos.
Tantas, de perto. Outras, antes de mim.
Joaquina me deixou histórias,
balas e bois. Por Pitangui, Pompéu, Paracatu.
Terras de confins. Águas nos espíritos.
Terras e águas multiplicadas.
Fizeram chás que me salvaram, orações que me perdoaram.
-Nunca tive uma avó que me rendesse em prantos.
Ave, tantas! Ave, elas todas!
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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