23 de junho de 2026

Copom alerta para inflação persistente e riscos da crise no Oriente Médio

Ao reduzir juros para 14,25% ao ano, BC aponta cautela diante da inflação acima da meta, expectativas desancoradas e conflitos geopolíticos
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Copom do Banco Central reduz taxa Selic para 14,25% ao ano, mantendo cautela diante do cenário econômico global.
Choques geopolíticos no Oriente Médio elevam preços e volatilidade, impactando inflação e mercados internacionais.
Inflação permanece acima da meta, com preocupações sobre política fiscal e expectativas de mercado para 2026 e 2027.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic para 14,25% ao ano, mas embora a decisão represente um alívio para o custo do crédito, a mensagem transmitida pela autoridade monetária foi de cautela.

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Na ata da última reunião do colegiado, o BC deixou claro que os próximos passos dependerão da evolução do cenário econômico, especialmente dos impactos da crise no Oriente Médio sobre os preços globais.

Segundo o Copom, os choques geopolíticos já começaram a afetar indicadores de inflação ao consumidor e ao produtor, elevando preços acima do esperado e ampliando a volatilidade dos mercados internacionais.

O Banco Central destaca que a extensão desses efeitos ainda é incerta, especialmente em relação ao petróleo e às commodities energéticas, fatores que podem influenciar a inflação brasileira nos próximos meses.

Inflação segue distante da meta

Apesar da manutenção de uma política monetária restritiva ao longo dos últimos anos, o Banco Central reconhece que a inflação continua acima do desejado.

As expectativas do mercado para 2026 permanecem em 5,3%, enquanto as projeções para 2027 estão em 4,1%, ambas acima da meta perseguida pela instituição – a própria projeção do Copom aponta inflação de 3,7% no final de 2027, ainda superior ao centro da meta.

Esse cenário levou o Comitê a reforçar a preocupação com a chamada desancoragem das expectativas, quando empresas, investidores e consumidores passam a acreditar que a inflação permanecerá elevada por um período prolongado.

A ata também reforça um recado recorrente da autoridade monetária sobre a política fiscal: o comitê voltou a afirmar que o enfraquecimento do ajuste das contas públicas, o aumento de gastos permanentes e as dúvidas sobre a trajetória da dívida podem elevar os juros estruturais da economia e dificultar o controle da inflação.

Embora tenha iniciado a redução da Selic, o Copom evitou indicar um ritmo definido para novos cortes ao afirmar que a magnitude das próximas decisões dependerá da evolução da inflação, das expectativas dos agentes econômicos e dos desdobramentos do cenário internacional.

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Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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