O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira (23) uma resolução que proíbe Donald Trump de realizar novos ataques ao Irã sem autorização prévia do Congresso. A medida já havia passado pela Câmara no início do mês, por 215 votos a 208, e representa um raro revés para o presidente, cujo partido controla as duas casas legislativas.
No Senado, o placar foi de 50 a 48. Quatro republicanos votaram contra Trump: Rand Paul, Susan Collins, Lisa Murkowski e Bill Cassidy. Para acelerar a votação, os democratas recorreram a uma manobra regimental que forçou a análise da proposta em menos de um mês.
A resolução não precisa de sanção presidencial, mas também não tem força de lei, o que abre caminho para a Casa Branca contestá-la judicialmente. Ainda assim, é a primeira vez desde a promulgação da Resolução dos Poderes de Guerra, em 1973, que o Congresso aprova uma medida para obrigar um presidente a encerrar um conflito.
Disputa constitucional
A Constituição americana reserva ao Congresso a autoridade para declarar guerra, mas permite que o presidente ordene operações militares em resposta a ameaças iminentes. Trump usou essa brecha para atacar o Irã. Pela lei, o Executivo teria 60 dias para obter autorização legislativa, prazo que o presidente ignorou, lançando novos ataques nos meses seguintes. A Casa Branca argumenta que o contador foi zerado após um primeiro cessar-fogo firmado em abril.
Contexto político
O conflito tornou-se um problema crescente para Trump e para o Partido Republicano. A guerra é impopular entre os americanos e pressionou os preços dos combustíveis para cima. O temor entre aliados do presidente é que a rejeição popular ao conflito afete os resultados das eleições de novembro, quando serão renovadas quase todas as cadeiras da Câmara e parte das do Senado.
Na semana passada, Estados Unidos e Irã assinaram um memorando para encerrar o conflito de forma definitiva. Os dois países ainda negociam pontos pendentes para um acordo final, mas um cessar-fogo permanece em vigor.
*Com informações do g1.
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