A candidata de direita Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, alcançou uma vantagem insustentável na apuração dos votos do segundo turno e deve ser confirmada como a nova presidente do Peru. Até a manhã desta quarta-feira (24), com 99,859% das urnas processadas, Fujimori somava 9.206.241 votos (50,11%) contra 9.162.855 (49,88%) de Roberto Sánchez, do partido de esquerda Juntos por el Perú.
A diferença de 43.386 votos consolidou-se como irreversível. Segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), restam cerca de 40 mil votos a serem contabilizados, o que matematicamente impede uma virada de Sánchez, mesmo que ele obtenha a totalidade das cédulas restantes.
A imprensa peruana projeta a proclamação oficial do resultado ainda para esta quarta-feira. Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko torna-se a primeira mulher eleita para a presidência do país por voto direto, após ter sido derrotada nas últimas três disputas presidenciais em que concorreu.
Contestação e denúncia de fraude
O encerramento da apuração, contudo, não dissipa o cenário de forte polarização política. O candidato esquerdista Roberto Sánchez declarou publicamente que não reconhecerá o resultado das urnas e convocou apoiadores para manifestações no próximo sábado (27). Sánchez argumenta que o processo foi alvo de manipulação e informou que acionará a Justiça para exigir uma recontagem.
“Acreditamos que houve manipulação da votação. Não reconheceremos o governo de Fujimori”, disse Sánchez.
O partido do candidato questiona especificamente a contagem dos votos emitidos por cidadãos peruanos no exterior, que foram decisivos para a virada de Fujimori na reta final da apuração. Na segunda-feira (22), a campanha de Sánchez protocolou um recurso para tentar anular esses votos externos. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo jornal local El Comercio, no entanto, afirmam que o pedido carece de fundamento jurídico e funciona como estratégia para postergar a oficialização do pleito.
Histórico de instabilidade
Fujimori assumirá o comando de uma nação marcada por uma severa crise institucional crônica. Ela será a nona presidente do Peru em um intervalo de dez anos.
A líder da direita substituirá o presidente interino José María Balcázar Zelada, que governa o país há apenas quatro meses. Zelada assumiu o posto após a destituição de José Jeri pelo Congresso por má conduta, decorrente de reuniões não declaradas com empresários chineses.
A linha sucessória recente expõe a fragilidade política local: a antecessora de Jeri, Dina Boluarte, também foi afastada por escândalos de corrupção. Boluarte havia assumido o cargo após a prisão de Pedro Castillo, detido depois de tentar dissolver o Congresso e decretar estado de exceção em uma tentativa de evitar seu próprio impeachment.
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