26 de junho de 2026

O novo mapa da América do Sul: Entre a fragmentação da ultradireita e o drama venezuelano

Especialistas discutem na TV GGN o impacto das recentes eleições no Peru e na Colômbia e a falência da centro-direita tradicional

A América do Sul enfrenta um cenário de profunda reconfiguração política e diplomática em 2026, marcada pela ascensão de movimentos de ultradireita e pelo isolamento de atores históricos. O recente terremoto na Venezuela, que vitimou mais de 500 pessoas próximo a Caracas, trouxe à tona a paralisia dos mecanismos de integração regional. Em um contexto de fragmentação, os países vizinhos parecem falar línguas distintas, priorizando interesses nacionais isolados em detrimento de uma resposta conjunta para tragédias humanitárias, evidenciando o esvaziamento de foros de concertação que outrora mediavam crises no continente. O assunto foi debatido na noite de quinta (25) durante o programa Observatório de Geopolítica, do canal TV GGN no Youtube [assista abaixo].

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O vácuo diplomático na região é reflexo de uma mudança na tonalidade ideológica, impulsionada por eleições no Peru e na Colômbia que consolidaram a vitória de candidatos alinhados à política externa de Donald Trump. Segundo os analistas do Observatório de Geopolítica, esse movimento não representa apenas uma alternância de poder comum, mas uma tendência estrutural de falência da centro-direita democrática tradicional. Partidos históricos perderam o apelo popular e acabaram absorvidos por figuras “outsiders” que utilizam uma retórica populista de enfrentamento às elites para mobilizar o eleitorado, mantendo um viés autoritário e um desprezo pelas instituições da democracia liberal.

O realinhamento regional também é observado na subordinação de novos governos aos Estados Unidos, que atuam como patrocinadores dessa guinada para consolidar sua hegemonia no hemisfério ocidental. Enquanto Washington exerce uma política de coerção e sanções, potências como a Rússia mantêm uma postura pragmática, focada na construção de um mundo multipolar através de cooperações comerciais em setores como agronegócio e mineração, independentemente da orientação ideológica dos governos locais. Esse xadrez geopolítico torna-se ainda mais complexo com a instabilidade de cessar-fogos no Oriente Médio e a constante imprevisibilidade das comunicações diretas via redes sociais, que desafiam a diplomacia tradicional.

A falência do centro e esquerda

A crise de representatividade que alimenta a extrema direita está intrinsecamente ligada a um problema de comunicação política. No atual cenário de saturação de informações e redes sociais, o campo progressista e a direita moderada enfrentam dificuldades extremas para se conectar com os anseios populares, deixando espaço para discursos que, embora muitas vezes careçam de profundidade administrativa, conseguem capturar a atenção de um eleitorado desiludido. O desafio para o futuro da região reside na capacidade das instituições de recuperar a confiança pública e reconstruir pontes de diálogo em um ambiente cada vez mais polarizado e fragmentado.

O debate contou com a mediação de Felipe Bueno, jornalista com trajetória desde 1995 e sólida formação em História e Relações Internacionais, acompanhado por Danúbia Caroline, analista geopolítica com foco em política externa russa e mestranda pela Universidade de São Petersburgo. Também integrou a mesa José Victor Ferro, pesquisador e doutorando pelo IBEI em Barcelona, cuja vasta experiência acadêmica e profissional inclui passagens por instituições diplomáticas e multilaterais, com especialização em modelos de desenvolvimento e política externa latino-americana.

O programa Observatório de Geopolítica é transmitido de segunda a sexta, sempre às 19 horas, no canal TV GGN no Youtube. Acompanhe a edição abaixo:

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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