Israel e o Líbano assinaram nesta sexta-feira (26) um acordo-quadro mediado pelos Estados Unidos que estabelece as bases para futuras negociações entre os dois países e prevê medidas iniciais para reduzir a presença militar israelense no sul do território libanês.
O documento foi firmado após quatro dias de negociações em Washington e é considerado um avanço diplomático, embora sua implementação dependa de questões ainda sem consenso, como o desarmamento do Hezbollah.
Durante a cerimônia de assinatura, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o entendimento representa “o começo do começo” de um processo mais amplo. Segundo ele, o acordo cria um marco jurídico para o diálogo entre os dois países, mas ainda há “muito trabalho pela frente” antes que se alcance uma solução definitiva.
Na prática, o acordo estabelece um roteiro para um eventual tratado de paz e prevê o lançamento de dois projetos-piloto. Nessas áreas, o Exército israelense deverá realizar uma retirada limitada, enquanto as Forças Armadas libanesas assumirão o controle, com acompanhamento de militares norte-americanos encarregados de verificar a ausência de combatentes do Hezbollah. Segundo autoridades israelenses, uma dessas áreas fica ao norte do rio Litani e a outra ao sul.
Apesar desse primeiro passo, o governo israelense deixou claro que manterá tropas em parte do sul do Líbano enquanto considerar que existe ameaça à sua segurança. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que Israel permanecerá nas áreas atualmente ocupadas até que o Hezbollah seja desarmado.
Um alto funcionário israelense acrescentou que as Forças Armadas continuarão com liberdade para realizar operações militares na chamada zona de segurança sempre que julgarem necessário.
Autoridades israelenses classificaram o acordo como um avanço estratégico. Durante a cerimônia em Washington, o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Yechiel Leiter, afirmou que o entendimento reduz a influência do Irã e do Hezbollah e abre caminho para uma futura paz entre Israel e o Líbano.
A reação do Hezbollah, contudo, foi de rejeição. O secretário-geral do grupo, xeque Naim Qassem, reiterou que Israel deve retirar-se integralmente de todo o território libanês e afirmou que não aceitará qualquer acordo que mantenha tropas israelenses no país ou conduza à normalização das relações entre os dois Estados. Na mesma linha, o deputado libanês Hassan Fadlallah, ligado ao Hezbollah, afirmou que o governo enfrentaria uma “guerra civil” caso tentasse implementar o acordo pela força.
Com Al Mayadeen e Axios
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