
Vídeo-documentarista finaliza dois projetos sobre samba
por Augusto Diniz
Ale Machado, percussionista que se tornou produtor de vídeo no mundo do samba, finaliza até o início desse ano dois projetos voltados ao gênero. Um trata-se do documentário “O mundo inteiro do samba”, onde mostra grupos do estilo musical pelo mundo afora. O outro explora a história da escola Império Serrano, uma das mais tradicionais agremiações carnavalescas do País.
O vídeo-documentarista morou em Barcelona, em 2005, e ficou espantado com o número de grupos de samba por lá – naquela época já se estimava em mais de 200. “Viajando por países da Europa me deparei com batucadas, grupos de samba e escolas de samba, parte integrado por brasileiros residentes e parte por nativos”, conta ele. Entre as localidades que Ale Machado esteve desenvolvendo seu projeto estão Estocolmo, Lisboa, Liverpool, Londres, Madri, Nova Iorque, Oslo, Paris, Porto e Tóquio. Ele lembra que um dos maiores carnavais fora do Brasil acontece no Japão.
“Claramente se nota que o nível técnico não é o mesmo, porém me surpreendi com algumas batucadas pelo mundo, tais como algumas escolas de samba do Japão e de Londres, pela cadência e uniformidade”, relata ele, que desde os 14 anos já desfilava como ritmista de escola de samba na avenida.
O documentário “O mundo inteiro do samba” está prestes a ser concluído. Faltam cenas a serem gravadas no Rio.
Em janeiro, Ale Machado encerra também o outro projeto, intitulado “Império Serrano, abra meu livro pois tu sabes ler”. Esse documentário é dividido em 5 episódios: “Muito prazer, sou Serrinha” (sobre a história da escola Prazer da Serrinha, que deu origem ao Império Serrano), “ A fundação, 4 anos de vitória sem igual” (o tetracampeonato de 1948 a 1951, logo após a criação da escola), “Os grandes sambas do Império Serrano”, “1982” (vitória com o inesquecível “Bum-bum Paticumbum Prugurundum”) e “Os dias atuais”.
O título do documentário (“Império Serrano, abra meu livro pois tu sabes ler”) foi tirado de um samba enredo de 1992 de Beto Sem Braço, Jangada e Maurição. A agremiação tinha sido rebaixada no ano anterior, desfilava em 1992 no grupo de acesso e o samba exaltava, apesar do acontecido, a tradição da escola. E o livro em questão da letra do samba é o “Serra, Serrinha, Serrano: o Império do Samba”, de Rachel Valença e Suetônio Valença, obra literária referência sobre a história da escola.
O documentário tem entrevistas com históricos imperianos, como Rachel Valença, Capoeira Machado, Luis Carlos do Cavaco e Reinaldo Muzza, componentes da Velha Guarda (este último morto ano passado). “É uma satisfação dupla pois além de realizar o sonho do lado profissional como documentarista, tem o pessoal de ser imperiano desde criança”, conta.
Para encerrar o documentário, Ale fará entrevistas com familiares de Dona Ivone Lara e Sebastião Molequinho, um dos fundadores do Império Serrano.
“Vejo que existe uma juventude preocupada em resgatar a identidade do Império Serrano, pois a classe média, após se apropriar culturalmente das escolas de samba, as embranqueceu e tirou a influência africana delas”, afirma. “Porém, na Serrinha, existe um movimento cultural de resistência através do samba e do jongo, que se mantém fiel a raiz imperiana”.
O paulistano Ale Machado lançará os dois documentários ainda no primeiro semestre de 2019. Ale teve oportunidade de viajar pelo mundo como percussionista de samba a partir do ano 2000, o que foi essencial para realizar seus documentários. Em 2012, ele estudou audiovisual na Espanha, passando a se dedicar integralmente a direção e produção de vídeo, com a gravação de vários trabalhos com artistas do samba.
Rodney Fonseca
12 de fevereiro de 2019 9:06 pmMeus parabéns! Sucesso…..