O mercado de trabalho dos Estados Unidos perdeu força em junho, com a criação de 57 mil vagas, abaixo das expectativas dos economistas, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). O resultado confirma uma tendência de desaceleração após o pico de contratações registrado na primavera.
Os números representam uma queda em relação aos meses anteriores, que foram revisados para baixo em um total de 74 mil vagas. Abril e maio passaram a registrar, respectivamente, 148 mil e 129 mil novos empregos. Apesar disso, o nível de emprego ainda é superior ao observado em 2025, quando o ritmo de contratações era considerado fraco.
A taxa de desemprego caiu levemente para 4,2%, ante 4,3% no mês anterior, movimento associado à saída de trabalhadores da força de trabalho. A taxa de participação recuou para 61,5%, o menor nível em cinco anos.
Segundo economistas ouvidos pela CNN norte-americana, o mercado de trabalho norte-americano segue em um padrão de “baixas contratações e baixas demissões”, o que reduz oportunidades de entrada, mas mantém certa estabilidade no emprego. Para analistas do Indeed Hiring Lab, o resultado de junho não indica fortalecimento consistente da atividade econômica, mas sim uma “normalização” após meses de oscilações.
A perda de dinamismo também foi observada na composição setorial. O setor de lazer e hospitalidade eliminou 61 mil postos de trabalho, após ter registrado forte alta no mês anterior. Já a área de saúde e assistência social voltou a liderar a geração de empregos, com 46,6 mil novas vagas, refletindo a demanda associada ao envelhecimento da população.
Outros setores, como serviços profissionais e empresariais, construção e manufatura, apresentaram crescimento moderado. Em contrapartida, houve redução no comércio varejista e no setor de informação.
Apesar da desaceleração, especialistas destacam que o mercado de trabalho norte-americano continua sustentando o consumo das famílias, ainda que sob pressão. A inflação segue acima do crescimento dos salários, corroendo ganhos reais dos trabalhadores.
A combinação entre desaceleração do emprego, participação menor da força de trabalho e inflação persistente reforça a incerteza sobre os próximos passos da política monetária do Federal Reserve. Para analistas, o cenário pode reduzir a pressão por novos aumentos de juros, embora o ambiente inflacionário ainda limite cortes mais agressivos.
Economistas também alertam que fatores estruturais, como envelhecimento populacional e mudanças no padrão de migração, continuam restringindo a oferta de trabalho nos Estados Unidos, o que pode manter o mercado em um equilíbrio instável nos próximos meses.
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