O lado bom do “tarifaço” de Donald Trump sobre as exportações brasileiras em 2026
por Leonardo Pontes Guerra
Em 09 de Julho de 2025, o então Presidente dos USA, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos da pauta de exportação do Brasil. Entre idas e vindas, revisão de alíquotas, reveses por pressões setoriais e diplomáticas, além de outras ameaças de intervencionismo político, chegamos a julho de 2026 em condições de fazermos um balanço do real impacto que estas medidas tiveram no comércio exterior do Brasil.
O fato é que o Valor Total das Exportações Brasileiras aumentou US$ 11.887 bilhões entre Janeiro e Maio de 2026 em relação a Janeiro e Maio de 2025.
Sim, houve um crescimento de 8,7% no valor das exportações brasileiras entre Janeiro e Maio de 2026 em comparação com igual período do ano anterior.
Em meio a ameaças, bravatas e contrariando o senso comum acerca da nossa inserção externa no Século XXI, entre Janeiro-Maio de 2026, o Brasil exportou US$ 148.571 para o “resto do mundo”, muito mais dos que os US$ 136.684 bi bilhões exportados em igual período de 2025. Segundo o MDIC Comex Stat.

Na Tabela 1 identificamos as variações, nominais e percentuais dos principais destinos das Exportações Brasileiras neste mesmo período. Em resumo identificamos que, dos 11 principais destinos, apenas 3 destinos tiveram reduzidas as exportações (Estados Unidos, -16%, Argentina -19% e Espanha, -11,6%). Os outros destinos registraram crescimento, com destaque para o crescimento percentual registrado para a China, 21,8% e Índia de 70%, os dois principais destinos que incrementaram as exportações brasileiras.

Na Tabela 2 vemos, por ordem de valor, os países que mais aumentaram as exportações brasileiras. O registro mais significativo e crescimento nominal de US$ 8,2 bi para a China e de US$ 1,67 para Índia. Em termos percentuais, destaca-se também o crescimento para a Suiça, 97,2%; a Suécia, 66,3%; Polônia, 66,3%. Na América Latina, destacamos o crescimento para e Panamá, 45,4%; o Peru, 41,1%; a Colômbia 31,3% e o México, 17,4%.
Enfim, do ponto de vista do fluxo de comércio externo brasileiro, o impacto negativo da redução das exportações brasileira para os Estados Unidos entre Janeiro-Maio de 2026 em relação a Janeiro-Maio de 2025, de US$ 2,67 bilhões foi mais do que compensada pelo crescimento registrado para outros destinos, na Asia, na Europa e na América Latina.
O que reforça a tendência de perda de importância relativa da economia real dos Estado Unidos sobre a produção brasileira, que manteve, neste mesmo período, incremento do PIB, do emprego, da renda e redução do desemprego formal.
Leonardo Pontes Guerra – Economista, foi Chefe da Assessoria Econômica Do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior de 2011 a 2014.
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