3 de julho de 2026

El Niño já se formou e deve se fortalecer rapidamente, alerta ONU

Em algumas áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média histórica
Duas mulheres caminhando pela calçada embaixo do guarda-sol
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

O El Niño já está em curso no Oceano Pacífico e deve ganhar força rapidamente entre julho e setembro, elevando o risco de ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta. O alerta foi divulgado nesta sexta-feira (3) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU responsável pelo monitoramento climático global.

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Segundo projeções dos principais centros meteorológicos, as águas do Pacífico equatorial, especialmente nas porções central e leste do oceano, devem registrar aquecimento expressivo. Em algumas áreas usadas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar pode ficar mais de 2°C acima da média histórica.

A OMM destaca que os diferentes modelos meteorológicos apresentam resultados convergentes, o que reforça a confiança de que o episódio será classificado como forte. A expectativa é que o El Niño continue se intensificando ao longo do segundo semestre e alcance o pico entre novembro e fevereiro.

“O El Niño já está em curso e deve se fortalecer rapidamente, transformando-se em um evento forte”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, ao alertar que o fenômeno aumenta as chances de secas, chuvas intensas e ondas de calor, tanto em áreas continentais quanto nos oceanos.

Força do fenômeno

A intensidade do El Niño depende de quanto o Pacífico Equatorial vai aquecer nos próximos meses e, principalmente, de como a atmosfera vai reagir a esse aquecimento. Não basta o oceano esquentar: é necessário que o sistema oceano-atmosfera passe a atuar de forma acoplada e persistente para que o fenômeno ganhe força.

Desde 2006, uma sucessão de episódios de El Niño vem influenciando cada vez mais o clima do planeta, que já é mais quente do que no passado. Mesmo eventos classificados como fracos ou moderados ocorrem em um contexto de aquecimento global e acabam ampliando o risco de secas, enchentes e ondas de calor. Os principais episódios recentes foram:

  • 2006–2007: El Niño fraco a moderado
  • 2009–2010: El Niño moderado
  • 2014–2016: El Niño muito forte, associado a recordes de calor
  • 2018–2019: El Niño fraco a moderado, mais curto e de impactos limitados
  • 2023–2024: El Niño forte, um dos mais intensos já registrados, ligado a novos recordes de temperatura

Entenda o fenômeno

O El Niño é um aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico próximas à linha do Equador. Faz parte de um ciclo climático natural que alterna fases quentes (El Niño), frias (La Niña) e neutras, com impactos em diversas regiões do mundo. Essa variação de temperatura altera a circulação atmosférica e modifica os padrões de chuva e temperatura ao redor do planeta.

No Brasil, os efeitos costumam ser desiguais: a região Sul tende a registrar mais chuvas, enquanto áreas do Norte e do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

O fenômeno também a temperatura média global, em anos de El Niño mais intenso, o planeta costuma registrar calor acima da média, o que se soma ao aquecimento global já em curso. A intensidade e os impactos variam de um episódio para outro, e, com o planeta cada vez mais quente, mesmo eventos moderados podem gerar consequências mais severas do que no passado.

*Com informações da Agência Brasil e g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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