A produção industrial brasileira avançou 0,2% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, mas apresentou perda de ritmo frente a abril. Na comparação mensal, setores ligados ao petróleo, biocombustíveis e à indústria extrativa interromperam uma sequência de crescimento e puxaram o desempenho negativo da indústria, enquanto o setor farmacêutico e a fabricação de veículos sustentaram parte da recuperação.
Segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgados pelo IBGE, os maiores recuos na comparação com abril vieram da atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que caiu 6,1%, e das indústrias extrativas, com retração de 2,6%.
De acordo com o gerente da pesquisa, André Macedo, ambos os segmentos interromperam cinco meses consecutivos de expansão. No caso dos derivados do petróleo, a redução foi influenciada principalmente pela menor produção de álcool etílico e gasolina. Já na indústria extrativa, a queda foi puxada pela diminuição da produção de minério de ferro, petróleo bruto e gás natural.
Em sentido contrário, a indústria farmacêutica registrou alta de 13,1%, encerrando quatro meses consecutivos de retração. O setor automotivo também manteve o ritmo de crescimento, avançando 4,1% pelo quinto mês seguido, impulsionado pela fabricação de automóveis, caminhões e autopeças. A produção de produtos químicos cresceu 3,1%, recuperando a queda observada em abril.
Também contribuíram positivamente para o resultado mensal os setores de metalurgia (2,3%), confecção de vestuário (4,7%), outros equipamentos de transporte (4,7%), máquinas e materiais elétricos (2,6%) e máquinas e equipamentos (1,2%).
Entre as grandes categorias econômicas, apenas os bens de consumo duráveis apresentaram crescimento em relação a abril, com alta de 3,6%, revertendo a queda registrada no mês anterior. Já os bens de consumo semi e não duráveis recuaram 1,3%, enquanto bens intermediários (-0,4%) e bens de capital (-0,2%) também registraram desempenho negativo.
Comparação anual mostra estabilidade
Na comparação com maio de 2025, a produção industrial variou positivamente apenas 0,2%, refletindo um cenário de estabilidade. O resultado foi sustentado principalmente pelos setores de derivados de petróleo e biocombustíveis (5,7%), indústrias extrativas (3,1%), veículos automotores (7,3%) e produtos farmacêuticos (13,2%).
Esses segmentos foram impulsionados pela maior produção de óleo diesel, álcool etílico, querosene de aviação, petróleo bruto, gás natural, automóveis, autopeças e medicamentos.
Por outro lado, alimentos (-3,7%) e máquinas e equipamentos (-9,5%) exerceram as maiores pressões negativas sobre o índice. Também registraram retração os setores de equipamentos de informática e eletrônicos (-8,7%), produtos de metal (-4,0%), papel e celulose (-2,7%), calçados (-7,1%), produtos têxteis (-5,6%), confecção (-4,3%) e bebidas (-2,6%).
Entre as grandes categorias econômicas, apenas bens intermediários (1,4%) e bens de consumo duráveis (1,5%) apresentaram crescimento na comparação anual, enquanto bens de consumo semi e não duráveis (-1,1%) e bens de capital (-6,7%) permaneceram em queda.
Produção acumula alta de 1,4% no ano
Nos cinco primeiros meses de 2026, a produção industrial acumula crescimento de 1,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O avanço foi liderado pelas indústrias extrativas (7,9%) e pelo setor de derivados de petróleo e biocombustíveis (5,1%), impulsionados principalmente pela maior produção de petróleo bruto, minério de ferro, gás natural, álcool etílico e óleo diesel. Também contribuíram positivamente os setores farmacêutico (11,5%), automotivo (3,2%) e de alimentos (1,3%).
Entre as grandes categorias econômicas, o melhor desempenho foi registrado pelos bens intermediários (2,1%), seguidos pelos bens de consumo semi e não duráveis (1,5%) e pelos bens de consumo duráveis (0,6%). A única exceção foi a produção de bens de capital, que acumula queda de 6,2% no ano, influenciada principalmente pela menor fabricação de máquinas agrícolas, equipamentos industriais e bens de uso misto.
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