A Polícia Federal (PF) cumpriu um mandado de busca e apreensão na manhã desta quarta-feira (8) na residência de Jair Bolsonaro (PL), no Jardim Botânico, em Brasília. A operação, que durou cerca de uma hora e meia, tinha como objetivo localizar armamentos, munições e registros. Nenhum material foi encontrado no local.
A ofensiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou “discrepância” e informações desencontradas sobre o arsenal do ex-presidente. Atualmente, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão e está sob regime de prisão domiciliar humanitária devido a uma broncopneumonia.
Divergência de dados
Na última sexta-feira (3), ao prorrogar a prisão domiciliar, Moraes revogou o registro de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) de Bolsonaro e ordenou a entrega de 10 armas. A decisão ocorreu após uma pistola do ex-presidente ser apreendida com um segurança em uma blitz no Distrito Federal, no dia 15 de junho.
A defesa informou ao STF que duas armas haviam sido entregues ao TCU em 2023 e que as outras oito estariam guardadas no Batalhão de Polícia do Exército. Contudo, os militares relataram ao tribunal que possuíam apenas seis sob custódia.
“Sobrevieram aos autos informações indicando divergência entre o quantitativo de armas de fogo regularmente registradas em nome do apenado e aquelas efetivamente entregues aos órgãos competentes, circunstância que evidencia, em tese, o descumprimento da determinação judicial e recomenda a adoção de providências destinadas à localização e apreensão dos armamentos eventualmente mantidos sob o poder do condenado“, afirmou Moraes na decisão. O magistrado classificou a posse de armas como “incompatível” com o regime de prisão.
Os advogados de Bolsonaro justificaram o paradeiro do restante do arsenal: uma das armas está retida em uma importadora no Rio Grande do Sul e a outra é a que foi apreendida na blitz.
Reação dos aliados
Nas redes sociais, a defesa e os filhos do ex-presidente criticaram a ação. O advogado João Henrique de Freitas declarou que o paradeiro das armas já havia sido detalhado. “É lamentável que um ex-presidente da República ainda seja submetido a esse tipo de ação”, afirmou.
O vereador Carlos Bolsonaro classificou o episódio como “perseguição“. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em viagem aos Estados Unidos, chamou a operação de “desnecessária” e “cortina de fumaça” para ofuscar sua agenda política no exterior.
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