8 de julho de 2026

A história da luta LGBTQIA+ no Brasil, por Cris Lacerda de Souza

Conheça a trajetória de resistência, as conquistas e os desafios de um movimento que transformou a política brasileira.
Foto: Paulo Pinto, Agência Brasil.

A luta LGBTQIA+ no Brasil começou em 1978 com o Grupo Somos em São Paulo, buscando visibilidade e cidadania.
Em 2025, o Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+, liderando mundialmente em crimes de ódio.
Preconceito no mercado formal força muitos LGBTQIA+ à prostituição; 58% dos travestis e trans trabalham no sexo.

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A história da luta LGBTQIA+: como nasceu um dos maiores movimentos sociais do Brasil

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por Cris Lacerda de Souza

Há 57 anos a comunidade LGBTQIA+ se organiza como movimento social. Conheça a trajetória de resistência, as conquistas e os desafios de um movimento que transformou a política brasileira.

INTRODUÇÃO

O processo de colonização na construção da sociedade brasileira promoveu uma formação sócio-histórica baseada num conjunto de valores morais eurocêntricos, que buscou o controle de corpos e comportamentos, calcados na desigualdade entre os gêneros e na imposição da cis-heterossexualidade compulsória. Assim, historicamente no Brasil, pessoas dissidentes a este padrão foram fortemente discriminadas, marginalizadas, invisibilizadas, consideradas doentes, destituídas de sua humanidade e tratadas como “não-sujeitos”, passíveis, portanto, de humilhação, execração, linchamento, ou seja, passíveis de serem punidas ao grado das mais variadas circunstâncias, até com a morte.

A comunidade LGBTQIA+ sofre com a precarização e a vulnerabilização na qual suas vidas são colocadas por não corresponderem aos padrões sociais dominantes, estabelecidos pela cis-heteronormatividade. As cidades são reconhecidamente locais onde se combinam as múltiplas violações de direitos, com desafios ainda maiores para as pessoas LGBTQIA +, que enfrentam cotidianamente uma luta por existência e visibilidade.

A situação agravou-se ainda mais após as eleições de 2018, em que conservadores de extrema direita venceram o pleito tanto no Governo Federal quanto em diversos outros estados e municípios do país e por meios oficiais passaram a estimular e validar o preconceito e a violência. Somam-se a isso os fenômenos da desinformação e da polarização ideológica, sobretudo no âmbito político. Segundo a Folha de São Paulo (2024),  atualmente existem pelo menos 77 leis anti-trans em vigor, em 18 estados e 61 municípios. Tais leis (linguagem neutra, uso de banheiro conforme a identidade de gênero, educação, esporte, saúde, Paradas LGBTQIA+ e publicidade) promovem ainda mais a institucionalização da LGBTQIA+fobia, estimulando o aumento da violência contra os corpos dissidentes, como o de mulheres trans, travestis, homens trans e não bináries (UOL, 2024).

GÊNERO E SEXUALIDADE

A disseminação de discursos de negação da pluralidade de gênero, da diversidade sexual e do ódio aos movimentos de lutas sociais na sociedade brasileira tem fortalecido a não aceitação desta pluralidade/diversidade e fomentado os discursos de ódio, geralmente amplamente propagado nas publicações das redes sociais, que impulsionam os danos e as violações de direitos fundamentais para a população LGBTQIA+.

Para que possamos entender as questões pertinentes à relação destes corpos com os espaços da cidade – urbanos ou periféricos – é preciso entender um pouco os conceitos e diferenças sobre gênero e orientação sexual.

Sexualidade e gênero são dimensões diferentes que integram a identidade pessoal de cada indivíduo. Ambos surgem, são afetados e se transformam conforme os valores sociais vigentes em uma dada época. São partes, assim, da cultura, construídas em determinado período histórico, ajudando a organizar a vida individual e coletiva das pessoas. Em síntese, é a cultura que constrói o gênero, simbolizando as atividades como masculinas e femininas (BRASIL, 2009, p. 47).

Embora haja ainda discussões sobre a identidade de gênero, a comunidade científica já reconhece que o gênero de uma pessoa não mais se restringe somente ao sexo biológico, ou seja, ele também é resultado de uma construção biológica, psicológica e social. A concepção de gênero é baseada ainda nas experimentações que o indivíduo tem ao longo de sua vida (BRASIL, 2013).

Dentro desta perspectiva, pode-se compreender o gênero a partir de grupos distintos: cisgênero (pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer); transgênero (pessoas que não se identificam com o gênero que lhes foi atribuído ao nascer), como por exemplo mulheres e homens trans, travestis e pessoas não bináries (não se identificam como pertencentes ao binarismo masculino ou feminino); e intersexo (pessoas que, ao nascer, possuem no mesmo corpo características genitais masculinas e femininas).

Entende-se como orientação sexual o sentido em que o desejo sexual de uma pessoa se direciona, portanto, esta atração que o indivíduo tem por alguém pode ser definida como: heterossexual (pessoas que têm atração/desejo por pessoas de gênero diferente do seu); homossexual (pessoas que tem atração/desejo por pessoas de gênero igual ao seu), bissexual (pessoas que tem atração/desejo por pessoas de ambos os gêneros: igual ou oposto ao seu), pansexual (pessoas que tem atração/desejo por pessoas, independente da sua identidade de gênero ou orientação sexual); e assexuais (pessoas que não têm atração/desejo sexuais).

A COMUNIDADE LGBTI+ COMO MOVIMENTO ORGANIZADO

A falta de acesso a direitos básicos – como o direito à vida, à educação, à saúde, à cultura e à empregabilidade – leva à extrema vulnerabilidade em que vive a maioria das pessoas LGBTQIA+ nas favelas e em outras comunidades de nosso município, estado e país, que são exemplificadas em várias situações cotidianas. A partir do senso comum cis-heteronormativo e patriarcal, a sociedade é normalmente vista em termos dicotômicos e binários. As identidades de gênero, os comportamentos e as vivências que não se enquadram nas normas do sistema binarista da sociedade sofrem diariamente exclusão e invisibilização social; em casos extremos, porém muito comuns, são mortas simplesmente por não se adequarem às normas sociais e expressarem a sua própria identidade de gênero ou orientação sexual.

O Brasil registrou 257 mortes violentas de pessoas LGBT+ em 2025, segundo o mais recente relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), organização que há 45 anos monitora, de forma independente e voluntária, a letalidade motivada por LGBTfobia no país. Embora o número represente uma redução de 11,7% em relação a 2024, quando foram documentados 291 casos, o país segue ocupando a liderança mundial em assassinatos e suicídios de pessoas LGBT+, com uma morte a cada 34 horas.

Os dados evidenciam a permanência de um cenário de violência estrutural, marcado por ódio, discriminação, invisibilidade institucional, ausência de políticas públicas eficazes e revelam a importância da comunidade LGBTQIA+ em se organizar como movimento social para buscar seu direito de habitar a cidade.

A socióloga Maria da Glória Gohn introduz que os movimentos sociais

são ações coletivas de caráter sociopolítico, construídas por atores sociais pertencentes a diferentes classes e camadas sociais. Eles politizam suas demandas e criam um campo político de força social na sociedade civil. Suas ações estruturam-se a partir de repertórios criados sobre temas e problemas em situações de: conflitos, litígios e disputas. As ações desenvolvem um processo social e político-cultural que cria uma identidade coletiva ao movimento, a partir de interesses em comum. Esta identidade decorre da força do princípio da solidariedade e é construída a partir da base referencial de valores culturais e políticos compartilhados pelo grupo (GOHN, 1995, p. 44).

A autora ainda ressalta que:

Os estudos sobre os movimentos sociais latino-americanos devem ter um enfoque multidisciplinar, envolvendo a sociologia, a ciência política, a antropologia, a história, a economia e a psicologia social. A política deve ser destacada por ser a grande arena de articulação, pelo fato de os movimentos sempre estarem envolvidos ou ligados a relações de poder. Deve-se considerar: ideologias, valores, tradições e rituais da cultura de um grupo; a cultura política como um todo etc.; assim como a estrutura sociopolítica e econômica em que os movimentos estão inseridos, numa abordagem histórico-estrutural renovada (GOHN, 1991, p. 240).

O que chamamos de movimento LGBTQIA+ — movimento político em torno dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais — tem o seu marco inicial com a revolta de Stonewall, em Nova York, Estados Unidos, em 28 de junho de 1969. A revolta marca a passagem de uma multidão dispersa e marginalizada na condição de seres abjetos, anormais, doentes, pecadores e criminosos a grupos organizados na sua própria identidade. De certa forma, o poder que os marginalizou foi o mesmo que os originou, ao colocar tais indivíduos na mesma posição hierarquicamente de subalternos e negar-lhes os direitos naturais inerentes a todo ser humano (ALVES, 2016).

Partindo das especificidades destacadas por Gohn, compreende-se que no Brasil a luta por direitos da comunidade LGBTQIA+ iniciou-se em 1978, na cidade de São Paulo, com a criação do Grupo Somos – Grupo de Afirmação Homossexual. O surgimento do movimento homossexual acompanhou a consolidação dos movimentos identitários, do final da década de 1970 — como o movimento negro e movimento feminista —, abrindo novas agendas para as políticas públicas urbanas.

No seu início, a agenda do movimento estava voltada principalmente para a questão da visibilidade e cidadania dos homossexuais na sociedade.

Entre as reivindicações desse novo cenário político, a busca por visibilidade passa a ser compreendida como um dos elementos fundamentais para a conquista da cidadania. Os grupos militantes passam a defender que os direitos políticos, sociais e civis só se tornam legítimos socialmente para os cidadãos quando são perpassados pelo direito à comunicação, sobretudo na nossa sociedade na qual é através das mídias que se torna possível promover o eco social (FERREIRA; SACRAMENTO, 2019, p. 235).

Ferreira e Sacramento relatam que “Desde o seu surgimento, o movimento social de luta pelo reconhecimento da diversidade sexual e de gênero passou por transformações profundas” (2019). A partir da década de 1980, devido à eclosão da epidemia do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e da Síndrome da Imunodeficiência Humana Adquirida (AIDS), o movimento se reorganizou e buscou um diálogo com as políticas sociais de Estado, especialmente com as instituições de saúde envolvidas no combate e prevenção e com os novos partidos políticos que surgem com a redemocratização.

A articulação de coletivos inicialmente identificada como o Movimento Homossexual Brasileiro (MHB) passou a se denominar Movimento LGBT, reflexo da multiplicação das bandeiras de luta e dos personagens envolvidos nas reivindicações (FERREIRA; SACRAMENTO, 2019, p. 237)

A ampliação das pesquisas de prevenção, junto com o combate ao HIV/AIDS, a visibilização dos conceitos sobre identidade de gênero e das orientações sexuais, nas últimas décadas, além da melhora no tratamento e descobertas de novos medicamentos (AZT, coquetel HIV, PrEP e PEP), resultaram também nas conquistas do casamento entre pessoas do mesmo sexo, na adoção de crianças por casais homossexuais e na retirada da homossexualidade da lista de doenças.

Na última década do século XX, o formato organizativo de Organização Não Governamental (ONG) passou a predominar dentro do movimento LGBTQIA+. O Estado, ao financiar projetos e ações, passou a ser fonte de recursos para as entidades de gays e lésbicas, tornando-se alvo de agendas vinculadas à saúde, ao mesmo tempo em que as políticas públicas passaram a ser realizadas sob a bandeira do neoliberalismo, de participação, descentralização e democratização. Em 1995, no VII Encontro Brasileiro de Gays e Lésbicas, foi fundada a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais (ABGLT), fundada em 31 de janeiro de 1995. A criação da ABGLT representou um marco na história do movimento LGBTQIA+ no Brasil, pois impulsionou a criação de uma rede nacional de representação com legitimidade e capacidade para levar as reivindicações da comunidade até o Governo Federal e a sociedade como um todo; também contribuiu para a organização das entidades no país, desenvolvendo o movimento por quase todos os estados. Tornou-se, portanto, a maior responsável pela organização do movimento LGBTI+ no Brasil.

Ao longo do tempo, o processo que se iniciou com as políticas de prevenção e combate ao HIV/AIDS acabou por se estender para outros campos de ação, como às Paradas do Orgulho LGBTQIA+, às políticas de formação militante, à capacitação de lideranças e políticas participativas implementadas, levando o movimento a um novo formato organizativo e de ação.

A partir dos anos 2000, o foco do combate e prevenção ao HIV/AIDS desloca-se para o dos direitos humanos. Em 2002, a coalizão liderada pelo PT (Partido dos Trabalhadores) ao Governo Federal elegeu Luiz Inácio Lula da Silva e depois Dilma Rousseff, marcando uma nova mudança na relação do movimento LGBTQIA+ organizado com o Estado, levando a uma maior inserção política e efetivos avanços para a comunidade.

O surgimento de uma nova arena política como mediação entre o movimento e o governo recém-eleito irá determinar a forma desta relação, trazendo novas implicações e desafios. Constituído como sujeito político capaz de mobilizar milhões de pessoas nas paradas do orgulho LGBT, com organização, identidade e reivindicações constituídas, o movimento agora passa a interagir com a sociedade política desde outro patamar. […] A emergência do novo governo, portanto, marca a passagem do movimento LGBT ao terreno das hegemonias (ALVES, 2016, p. 116).

Desde o surgimento do primeiro grupo organizado, no período da ditadura militar, até os dias atuais, a comunidade LGBTQIA+ saiu de uma condição de grupo social marginalizado e tornou-se um movimento social organizado politicamente e bastante capaz de incidir, tanto na sociedade quanto na política. Portanto, múltiplas identidades foram constituídas ao longo de seu desenvolvimento e, só recentemente, foram agrupadas na sigla LGBTQIA+. Porém, pode-se perceber que estas conquistas vêm acompanhadas do aumento da intolerância e dos crimes de ódio.

Com a nova conjuntura que se apresenta após as eleições de 2018, os desafios de combate aos crimes de ódio LGBTQIA+fóbicos colocam esta população como alvo de diversas formas de agressões, legitimadas pelo governo Bolsonaro. O discurso de ódio proferido pelo grupo hegemônico exclui o que considera diferente em nome da sua perpetuação e da conservação de seus valores conservadores e fundamentalistas. É neste novo campo de lutas, é nesta atmosfera de contradições e instabilidades, de rupturas e continuidades, de conservadorismos e progressismos que o movimento LGBTQIA+ organizado passa a pautar as suas lutas contra o conservadorismo e a retirada de direitos para esta população.

A COMUNIDADE LGBTQIA+ E O MERCADO DE TRABALHO

A vida cotidiana da população LGBTQIA+ é uma trajetória marcada por preconceitos e discriminações, nos espaços de moradia e também no mercado de trabalho formal e informal, que traz à tona reflexões sobre a relação do capitalismo atual e estes corpos.

O preconceito e discriminação contra a população LGBT não se institui no modo de produção capitalista, porém, é preciso compreender que esse modo de produção se apropria de parâmetros específicos de opressões direcionadas às reconhecidas “minorias sociais” para justificar a sobreposição de determinada classe sobre outra, contexto esse não diferente da forma como o sistema capitalista busca “desvalorizar” e não legitimar a orientação sexual e/ou identidade de gênero que diferem dos padrões heteronormativos a partir da homofobia, transfobia, sexismo, racismo e etc. (MENEZES; OLIVEIRA; NASCIMENTO, 2018, p. 2).

O preconceito e a discriminação apresentam-se já na fase da contratação, na qual ocorrem “questionamentos e investigações sobre a vida privada do empregado, visando com esse procedimento verificar se o trabalhador é ou não homossexual” (MEDEIROS, 2007), violando os direitos básicos da população LGBTQIA+, uma vez que suas práticas afetivas e sexuais são utilizadas “para impedir, excluir, limitar ou dificultar o acesso e permanência desses sujeitos no mercado de trabalho por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero” (MENEZES; OLIVEIRA; NASCIMENTO, 2018).

No que se refere às pessoas transexuais, o preconceito e a discriminação também são expressos logo nesse primeiro momento, já que as suas expressões de gênero não podem ser “ocultadas” ou “omitidas” de forma direta, mas se apresentam claramente na vida, no comportamento e na aparência física. A não adequação dos seus corpos apresenta-se inapropriada para as organizações cujo modelo cis-heterossexual de ser e agir prevalece como base social das relações de trabalho, limitando-lhes as formas de trabalho às profissões que possibilitem uma melhor inserção e permanência, a exemplo do trabalho informal e a prostituição, para saírem do desemprego (MENEZES; OLIVEIRA; NASCIMENTO, 2018).

A PROSTITUIÇÃO COMO FORMA DE TRABALHO

O abandono da família, a expulsão de casa e as dificuldades em se manter na escola são alguns dos motivos que contribuem para que pessoas travestis e transexuais tenham a prostituição como única forma de acesso ao trabalho. Ou seja, as violências físicas e psicológicas começam no âmbito familiar e continuam no âmbito escolar, pela carência de suporte social e pela falha no acolhimento e no oferecimento de condições de sua permanência nas instituições educacionais “sobre um sujeito pré-formado” (BONASSI et al., 2015). Elas

vão desde o uso ao nome social, acesso ao banheiro, o combate às violências cotidianas por parte de pares, professoras/es e outros sujeitos que constituem o espaço escolar. Não sendo acolhidas estas pessoas, ratifica-se a prostituição como saída para a sobrevivência, uma vez que restam poucas chances de qualificação para o trabalho e outras formas de sustento. Outra possível saída é a inserção em profissões reconhecidas como femininas como cabeleireira, cozinheira, faxineira, entre outras (BONASSI et al., 2015, p. 92).

Segundo os dados fornecidos por Bonassi (2015), pessoas trans param de estudar entre 16 e 19 anos, pois é o “período que coincide com a época em que deixaram de viver com suas famílias de origem e que passaram a se vestir com as roupas que consideravam adequadas ao seu gênero” (BONASSI et al., 2015).

Quando perguntadas/os sobre o trabalho que exerciam 90,3% afirmaram trabalhar, sendo que 58% afirmaram ser profissionais do sexo e 82,3% alegaram já terem feito sexo por dinheiro ou outros benefícios. O mercado formal de trabalho não inclui a maioria dessas pessoas, sendo que 77,4% afirmaram que não têm carteira de trabalho assinada e 74,2% das pessoas não contribuem com Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), ou seja, estão desprotegidas nesse âmbito. Chama a atenção, ainda, que quatro[1] delas sequer têm Certidão de Nascimento, seis não têm Carteira de Identidade (RG) e oito não têm CPF (Cadastro de Pessoa Física) (BONASSI et al., 2015, p. 89)

Os dados confirmam que é muito alto o número de travestis e transexuais vítimas de diversas formas de agressão, preconceitos e negação de direitos, dentro da comunidade LGBTQIA+ como um todo. Portanto, compreende-se que é absolutamente necessária a criação de políticas públicas e privadas para o grupo específico, que envolvam empresas, instituições, órgãos públicos e sociais na perspectiva de reconhecerem e respeitarem a diversidade sexual e de gênero, para o enfrentamento destes problemas.

Bibliografia

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BONASSI, Bruna Camilo; AMARAL, Marília dos Santos; TONELI Maria Juracy Filgueiras; QUEIROZ, Mariana Amaral de. Vulnerabilidades mapeadas, violências localizadas: experiências de pessoas travestis e transexuais no Brasil. Quaderns de Psicologia, v. 17, n. 3, 2015, p. 83-98 – Disponível em: https://www.quadernsdepsicologia.cat/article/view/v17-n3-camillo-dossantos-filgueiras-etal. Acesso em: 13 fev 2020.

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Cris Lacerda de Souza é pessoa não binárie, doutorande e mestre em Planejamento Urbano e Regional (IPPUR/UFRJ); Coordenadore do GTLGBTQIAPN Nacional da Rede BrCidades; Educadore em História, Filosofia e Sociologia; Pesquisadore e palestrante LGBTQIA+; Ativista LGBTQIA+, presidente-fundadore da ONG Gardênia Azul Diversidade, participante do Fórum TT do RJ e da Frente LGBTQIAPN+ do RJ e membro do núcleo Rio de Janeiro da Rede BrCidades.

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