17 de julho de 2026

Apex anuncia plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações após tarifaço dos EUA

A União Europeia figura como prioridade, especialmente após o recente acordo entre Mercosul e o bloco europeu; nações da Ásia Central também estão no radar da agência como novos parceiros comerciais
Foto de Fakhri Abbas via pexels.com

ApexBrasil lança plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações e enfrentar tarifas dos EUA, com início em agosto.
União Europeia, países da Asean e Ásia Central são alvos prioritários para ampliar mercados brasileiros.
Tarifa adicional de 25% dos EUA entra em vigor em 22/07, afetando US$ 7,2 bi em exportações brasileiras.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Em resposta à tarifa adicional imposta pelos Estados Unidos a parte das exportações brasileiras, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano de R$ 130 milhões, com lançamento previsto para agosto, voltado a diversificar os destinos das vendas brasileiras no exterior e amenizar os efeitos das novas tarifas norte-americanas.

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Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a agência informou que a iniciativa será conduzida em parceria com 57 setores econômicos, reunindo 2,4 mil empresas exportadoras. Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (17), o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, explicou que a expansão para novos mercados já é uma frente contínua da agência, mas que o momento exige um esforço mais direcionado de diversificação diante do novo cenário do comércio internacional.

Europa e Ásia

Segundo Müller, a União Europeia figura como prioridade, especialmente após o recente acordo entre Mercosul e o bloco europeu, ao lado dos países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã, que vêm registrando altas taxas de crescimento econômico.

Nações da Ásia Central, caso do Cazaquistão e do Uzbequistão, também entram no radar da agência como possíveis novos destinos para empresas brasileiras impactadas pelas tarifas americanas. Müller destacou que esses países crescem entre 7% e 8% do PIB, têm população jovem e demandam produtos que o Brasil já produz, além de demonstrarem interesse em parcerias de investimento com o país.

Tarifaço

Na quarta-feira (15), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) confirmou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, sob a justificativa de supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil, argumento rejeitado pelo governo brasileiro, que atribui a medida a motivações políticas e à exigência americana de abertura total de mercado sem contrapartidas. A nova tarifa passa a valer a partir de 22 de julho.

Os produtos atingidos representaram, no ano passado, US$ 7,2 bilhões em exportações aos EUA, de um total de US$ 38 bilhões vendidos ao país em 2025, conforme dados da própria ApexBrasil. Ao longo das negociações, a lista de produtos isentos das tarifas cresceu de 615 para 699 itens, elevando o valor isento de US$ 20,6 bilhões para US$ 22,8 bilhões, com base nos números de 2025.

Müller afirmou que o primeiro semestre deste ano já registrou uma queda de cerca de US$ 2,6 bilhões nas exportações brasileiras aos EUA, reflexo das tarifas aplicadas anteriormente. Em contrapartida, houve crescimento nas vendas a outros destinos: US$ 3,1 bilhões a mais para a Europa, US$ 2,5 bilhões para a Índia e US$ 10,5 bilhões para a China. As negociações do Mercosul com Índia, Japão e Canadá também foram citadas como caminhos para reduzir a dependência do mercado americano.

Diversificação

De acordo com Müller, o movimento de diversificação já vem sendo trabalhado desde a primeira rodada de tarifas impostas pelos EUA no ano passado. Ele revelou que 72% das 2,4 mil empresas exportadoras apoiadas pela ApexBrasil que vendem para os EUA já incorporaram ao menos um novo destino às suas exportações entre junho de 2025 e maio de 2026.

O presidente da agência pondera, porém, que a abertura de alguns mercados é mais simples do que a de outros, exigindo estratégias de médio e longo prazo, incluindo, em certos casos, a necessidade de criar demanda em países que ainda não conhecem determinados produtos brasileiros, como explicou ao citar o exemplo de rochas brasileiras com potencial de uso no mercado chinês.

Investimentos

Müller destacou ainda o desempenho do Brasil na atração de investimentos estrangeiros, classificando o país como um parceiro “amigo” e “fornecedor estável” no cenário internacional.

Segundo ele, o Brasil recebeu US$ 77 bilhões em investimentos no ano passado, tornando-se o quinto maior receptor de investimentos do mundo, com crescimento de 22% na atração de capital, ante uma média de 2% entre os países em desenvolvimento, além de ser hoje o principal destino dos investimentos chineses.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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