21 de julho de 2026

Mundo superestima peso de EUA e China e subestima outras potências

Para economista, desafios exigem cooperação entre Ocidente e BRICS+; Índia, Europa e países emergentes terão papel crescente na governança global
Foto de Jason Leung na Unsplash

Economista Jim O’Neill afirma que EUA e China não podem sozinhos definir a governança global, segundo artigo no Project Syndicate.
Mudanças climáticas, pandemias e IA exigem diálogo entre G7 e BRICS+, motivando nova plataforma de cooperação internacional.
Fatores demográficos, câmbio e fortalecimento político do BRICS+ relativizam hegemonia dos EUA e China na economia mundial.

Esse resumo foi útil?

Resumo gerado por Inteligência artificial

A predominância dos Estados Unidos e da China na economia mundial não significa que os dois países sejam capazes de determinar, sozinhos, os rumos da governança global. Essa é a avaliação do economista britânico Jim O’Neill, ex-presidente da Goldman Sachs Asset Management e criador da sigla BRIC.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Em artigo publicado pelo Project Syndicate, O’Neill explica que questões como mudanças climáticas, pandemias, resistência antimicrobiana, governança da inteligência artificial e desequilíbrios econômicos exigem uma articulação mais ampla, envolvendo tanto os países do G7 quanto os integrantes do BRICS+.

O economista afirma que essa é justamente a motivação para a criação de uma nova plataforma de diálogo, voltada à aproximação entre os países ocidentais e o bloco ampliado dos BRICS.

O’Neill reconhece que Estados Unidos e China ocupam posição dominante na economia internacional. Segundo ele, a economia norte-americana gira em torno de US$ 30 trilhões, enquanto a chinesa alcança aproximadamente US$ 20 trilhões em valores nominais, mas essa comparação muda quando outros indicadores são considerados.

A União Europeia, por exemplo, teria um Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 21 trilhões se fosse tratada como uma única economia, e o articulista lembra que mais da metade da expansão do PIB nominal mundial neste século teve origem justamente nos Estados Unidos e na China, fator que explica a enorme capacidade de ambos influenciarem a atividade econômica global.

Alguns fatores relativizam a hegemonia

Apesar da liderança econômica das duas maiores economias do mundo, O’Neill aponta três elementos que relativizam essa predominância.

O primeiro é demográfico: Estados Unidos e China somam menos de um quarto dos habitantes do planeta, tornando inviável qualquer estratégia global que ignore países como Índia, Indonésia e os membros europeus.

O segundo fator diz respeito ao câmbio:  a força do dólar nos últimos anos amplia artificialmente a diferença entre as economias quando medidas em termos nominais. Ao se aplicar o conceito de Paridade do Poder de Compra (PPC), a economia chinesa praticamente dobra de tamanho, alcançando cerca de US$ 44 trilhões, enquanto a indiana se aproxima de US$ 18 trilhões.

O terceiro argumento é o fortalecimento político do BRICS+: embora reconheça que o crescimento econômico chinês tenha sido decisivo para consolidar o bloco, O’Neill afirma que a organização passou a desenvolver dinâmica própria e deixou de ser apenas um agrupamento econômico.

Segundo ele, a proposta de transformar o BRICS em um espaço de coordenação política surgiu inicialmente nos ministérios da Fazenda do Brasil e da Rússia, demonstrando que a China não exerce controle absoluto sobre a agenda do grupo.

Na avaliação de O’Neill, a principal consequência desse novo cenário é a necessidade de o Ocidente rever sua forma de relacionamento com os países do BRICS+. Para ele, os governos europeus terão de combinar reformas econômicas internas com maior protagonismo em iniciativas internacionais capazes de atrair a cooperação das economias emergentes.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados