O governo dos Estados Unidos avalia novas medidas para restringir a utilização de modelos chineses de inteligência artificial (IA), em um movimento que ganhou força após o lançamento do modelo de código aberto Kimi K3.
A informação foi publicada pelo portal norte-americano Axios e repercutida pelo jornal chinês Global Times, que ouviu especialistas para analisar os possíveis impactos da iniciativa.
Segundo o Axios, integrantes da administração do presidente Donald Trump discutem mecanismos que, na prática, poderiam impedir a adoção de modelos chineses de código aberto por empresas norte-americanas.
O debate foi retomado após o lançamento do Kimi K3, desenvolvido pela empresa chinesa Moonshot AI, que passou a competir com modelos produzidos por empresas dos Estados Unidos.
Especialistas interpretam a possível medida como reflexo da preocupação de Washington diante do avanço tecnológico chinês e da redução da vantagem competitiva dos Estados Unidos na área de inteligência artificial.
Propostas semelhantes chegaram a ser discutidas pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos no ano passado, mas acabaram sendo barradas por integrantes do governo preocupados com possíveis impactos negativos sobre a inovação.
Mesmo assim, fontes ouvidas pelo veículo afirmam que Washington continua avaliando instrumentos indiretos para desestimular a utilização de modelos chineses, incluindo regras para compras governamentais, inclusão de empresas em listas de restrições comerciais e campanhas públicas direcionadas ao setor privado.
Kimi K3 amplia competição global
O avanço da discussão ocorre poucos dias após a Moonshot AI anunciar o Kimi K3, modelo de inteligência artificial de código aberto com 2,8 trilhões de parâmetros.
Segundo a empresa, o sistema oferece suporte nativo para compreensão de imagens, processamento de até um milhão de tokens de contexto e foi desenvolvido para executar tarefas complexas de longa duração.
A publicação chinesa informa que, poucas horas após seu lançamento, o modelo liderou o ranking da plataforma Frontend Code Arena, superando concorrentes como Claude Fable 5, da Anthropic.
Para especialistas chineses, a crescente adoção internacional de modelos desenvolvidos no país decorre principalmente da competitividade tecnológica e dos menores custos de implementação, tornando difícil a aplicação prática de restrições amplas ao setor.
Em março, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, destacou que a China continuará defendendo o desenvolvimento de tecnologias de código aberto e a cooperação internacional para que a inteligência artificial se consolide como um bem público global.
Deixe um comentário