O Seminário ”Economia de Bem-Estar: desafios estruturantes’’, exibido ontem pela TV GGN demonstrou, de forma inequívoca, que os caminhos do desenvolvimento não são simples nem lineares. São complexos, exigindo o conhecimento de uma ampla série de fatores.
O ponto inicial é um Plano de Metas, um diagnóstico preciso, contemplando todos os fatores, que força o roteiro a ser seguido para atingir os objetivos.
O expositor Fernando de Souza Coelho tratou do tema “compras públicas e inovação”. De fato, as compras públicas são uma das armas mais potentes para se alcançar inovação. Mas enfrenta problemas de monta. O principal deles é a sobreposição dos órgãos de controle, que matam qualquer veleidade de correr risco por parte do gestor. Inovação é, por definição, uma atividade de risco, já que está se falando de processos novos, inovadores.
Historicamente, os órgãos de controle sempre assumiram uma postura burocrática, de punir qualquer ousadia. Depois da Lava Jato consolidou-se o chamado apagão das canetas. O gestor público evita qualquer medida que contenha um mínimo de risco para não ter que responder aos órgãos de controle.
Além disso, as agências reguladoras atuam como braços do capital financeiro, evitando qualquer ofensiva no sentido de aprimorar processos através da inovação. Nas prefeituras, as compras públicas padecem de normas reguladoras e de visão gerencial.
Com a burocratização de um lado, e o medo do risco de outro, mata-se qualquer tentativa de inovação da área pública. O problema exigirá medidas gerenciais relevantes, para definir processos que rompam com essa inércia.
Já o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, alertou para as mudanças relevantes que estão ocorrendo no mercado de trabalho, com a ampliação das plataformas. Hoje em dia, grande parte dos produtos oferecidos nas plataformas são de pessoas físicas, feitos em casa, sem nenhuma preocupação maior com a produtividade.
Haverá a necessidade de difundir arranjos produtivos locais e formas de cooperativismo para organizar esse novo modo de produção.
E, aí, se entra no terceiro ponto relevante, a importância dos planos de desenvolvimento levarem em conta os aspectos da territorialidade, buscando a dinamização das economias locais, mas levando em conta suas condições, como explicou José Eduardo Cassiolato.
Um caminho relevante são as indústrias criativas, especialmente o artesanato e as iniciativas culturais, como defendeu Deryk Vieira Santana.
Tudo isso leva à conclusão de Carlos Gadelha. O foco das políticas de desenvolvimento deverá ser as indústrias do bem estar, atuando não apenas para atender às demandas da população, mas como um agente econômico poderoso.
Hoje em dia, a saúde é o setor que mais emprega pessoas, tendo como bandeira a universalização do atendimento médico. A partir de agora, diz Gadelha, é necessário entendê-la como uma alavanca de crescimento do país.
Vale a pena os gestores públicos acompanharem as discussões. Elas levantam uma série de temas essenciais para se pensar o governo Lula 4.
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