A partir de segunda-feira (3), São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo passam a oferecer a vacina tríplice viral para toda a população entre 6 meses e 59 anos, independentemente de já terem sido vacinadas antes. A decisão da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), anunciada nesta sexta-feira (31), segue orientação do Ministério da Saúde diante do avanço da doença no estado, que já soma 15 casos confirmados em 2026.
Nas demais 642 cidades paulistas, a ação será uma campanha de multivacinação voltada a crianças e adolescentes até 15 anos.
De acordo com o governo federal, a estratégia foi adotada depois que os casos identificados mostraram uma cadeia de transmissão ligada à entrada do vírus vindo de fora do país nessas três localidades, regiões marcadas por grande circulação de pessoas e intenso trânsito de viajantes internacionais.
Poliomielite
Além do sarampo, a campanha estadual que começa na segunda-feira atualiza o calendário infantil contra a poliomielite, incluindo agora um segundo reforço com a vacina inativada (VIP) na rotina de imunização. Crianças de até 6 anos, 11 meses e 29 dias com doses atrasadas também poderão regularizar a caderneta durante esse período.
O esquema contra a pólio passa a ter três doses (aos 2, 4 e 6 meses) mais dois reforços (aos 15 meses e aos 4 anos), todos com a vacina inativada. A Secretaria recebeu 150 mil doses em julho e já distribuiu mais de 187 mil unidades aos municípios, com meta de alcançar 95% de cobertura vacinal.
Estarão disponíveis também os demais imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação — BCG, hepatite A e B, pentavalente, rotavírus, pneumocócica, meningocócicas C e ACWY, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela, DTP e HPV.
A diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado (CVE-SP), Tatiana Lang, destacou que ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo agora é essencial para conter a circulação do vírus.
Cobertura vacinal
Os números preocupam: a primeira dose da tríplice viral atingiu apenas 77,5% de cobertura neste ano, e a segunda dose, 65,5%, abaixo da meta de 95% do Ministério da Saúde. Em 2025, os índices eram bem melhores: 94% e 84,4%, respectivamente.
O caso mais recente é de uma menina entre 1 e 2 anos, moradora de Guarulhos, sem histórico vacinal contra a doença, o primeiro registro na cidade desde 2020. Ao todo, o estado soma 12 casos na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.
Na capital, a Secretaria Municipal de Saúde identificou que dois casos vieram de fora do país, de pessoas que estiveram na Bolívia e na Guatemala, enquanto os demais foram contraídos dentro do próprio município. A maior concentração de casos está na Zona Norte (Vila Medeiros e Vila Maria), com registros também no Capão Redondo e no Jabaquara, na Zona Sul. Segundo Tatiana Lang, os pacientes de São Bernardo do Campo se infectaram por contato com casos da capital, ainda que residam em outro município. Os infectados variam entre bebês de até 2 anos e adultos de 20 a 50 anos.
Surto ativo
O Ministério da Saúde confirma que São Paulo é hoje o único estado brasileiro com um surto ativo de sarampo, quando casos conectados formam uma cadeia de transmissão contínua. Segundo Lang, ainda não foi possível identificar a origem exata dessa cadeia, embora o sequenciamento viral aponte para uma importação. Ela afirma que ainda são necessárias algumas semanas sem novos casos para confirmar que a transmissão foi interrompida.
O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo em 2016, perdeu o status em 2019 (quando registrou cerca de 18 mil casos) e o recuperou em 2024. O aumento de casos agora em São Paulo reacende o alerta das autoridades sanitárias sobre a importância da vacinação.
*Com informações do g1.
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