O aumento da dívida pública brasileira está diretamente relacionado ao peso dos juros elevados e não a uma expansão dos gastos do governo, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo ele, o crescimento do endividamento ocorre principalmente pelo custo de rolagem da dívida, quando o governo emite novos títulos para substituir papéis que estão vencendo.
A declaração ocorre em meio ao avanço da Dívida Pública Federal (DPF), que ultrapassou R$ 9,2 trilhões em junho, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O aumento foi influenciado pela forte emissão de títulos corrigidos pela taxa Selic, atualmente em patamar elevado.
Ao mesmo tempo, Durigan afirmou que o país precisa continuar trabalhando para melhorar o resultado fiscal, mas destacou que a dinâmica da dívida não pode ser analisada apenas pela ótica das despesas públicas.
“O que acontece é que estamos pagando dívidas antigas com títulos novos. É, portanto, na gestão da dívida que estamos aumentando a dívida. É na rolagem da dívida, e não nos gastos”, afirmou o ministro.
A avaliação apresentada por Durigan coloca no centro do debate o impacto da política monetária sobre as contas públicas. Com a taxa básica de juros em níveis elevados, o governo precisa oferecer remunerações maiores para captar recursos no mercado, aumentando o custo financeiro do estoque da dívida.
Governo reconhece desafio fiscal, mas rejeita cenário de descontrole
Apesar de atribuir parte relevante da pressão sobre a dívida aos juros, Durigan reconheceu que existe preocupação com a trajetória futura do endividamento e afirmou que o governo continuará buscando medidas para melhorar as contas públicas.
O ministro citou a necessidade de controle de despesas e redução de benefícios fiscais como parte da estratégia para fortalecer o resultado fiscal em um eventual próximo mandato. Ele também afirmou que o governo tem realizado bloqueios e ajustes no orçamento para cumprir as metas estabelecidas.
Durigan, no entanto, negou que o país esteja diante de uma crise fiscal ou de um cenário de descontrole. Para ele, o debate atual envolve principalmente a dificuldade de reduzir o custo da dívida, especialmente diante da resistência do mercado à compra de títulos públicos com juros reais elevados.
Nos últimos meses, o Tesouro Nacional enfrentou dificuldades para emitir papéis com remuneração superior à inflação, em um cenário no qual títulos chegaram a oferecer juros reais próximos de 8% ao ano. Analistas apontam que a percepção de risco fiscal e o nível de endividamento influenciam a exigência de retornos maiores pelos investidores.
O ministro afirmou que a política fiscal continua sendo uma variável sob controle do governo e que o compromisso é avançar na melhoria das contas públicas. Ao mesmo tempo, destacou que fatores externos, como conflitos internacionais e mudanças nos juros dos Estados Unidos, também afetam as taxas de longo prazo praticadas no Brasil.
“A questão dos juros machuca muito a economia, não só o governo”, declarou Durigan.
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