Às beiras do marginal Clorindo Gato, 1
por Romério Rômulo
O governo me travou
por ser poeta arredio
e conter, na minha cama
uns corpos todos sem rumo
que antes da meia noite
são calados e cuidados
e batida a meia noite
se desagarram no demo.
A tutela que me coube
em flores mal costuradas
trouxe muitos dissabores
em frutas umedecidas.
Mulheres que não casei
amigos que não rendi
disseram da minha trama
ser dura, de vida pouca.
Cidades que não morei
anos que sobram daqui
foram tantos que nem cabem
no meu olho costurado.
Luares, tantos visguentos
de dores mal resolvidas
me levaram pelas noites
onde pouco me encontro.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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