Para Lula, o tiro de partida da campanha não poderia ser melhor. Começou com o mega comício na Vila Euclides e a recuperação das raízes do lulismo, mostrando Lula como a síntese maior de um momento histórico, de inclusão social, de recuperação dos valores populares e da figura dos fundadores do PT. No palco, os sinais de um Brasil plural: na capoeira, nas lideranças negras e indígenas, e na lembrança essencial de dona Lindu. Nas redes sociais, jovens e velhos guerreiros espalhando reels e depoimentos. O tema da soberania alçou voo no Hino Nacional, cantado por Fafá de Belém, na bandeira hasteada e na percepção cada vez mais concreta sobre o risco de uma intervenção norte-americana no país, inspirando até editoriais na grande mídia.
O sentido de urgência estava presente em todos os cantos: o receio de o país cair na grande noite do bolsonarismo ou a insegurança com as novas ameaças que surgem com a digitalização, as redes sociais e as operações militares a serviço de um Império conduzido por um imperador louco.
Houve um sinal, apenas um sinal, por enquanto, da possibilidade de um futuro pacto em torno da figura de Lula.
Ontem, segundo contou a ex-juíza Luciana Bauer, a principal livraria de Nova York exibia uma biografia de Lula com uma chamada reconhecendo seu papel como uma das grandes personalidades da democracia mundial.
O futuro reconhecerá a vida extraordinária de Lula — de como escapou da fome para se tornar presidente e de como, em 2022, deixou a prisão para salvar o país de uma reeleição de Jair Bolsonaro, que certamente marcaria o fim da nação brasileira.
Há de se reconhecer sua contribuição para a democracia brasileira, jogando dentro das regras do jogo e aprofundando a democracia social. Certamente também se entenderão as limitações para um projeto mais consistente de Brasil, em um processo de desgaste político que começou com o Mensalão e culminou no impeachment de Dilma Rousseff.
Em caso de vitória de Lula, o próximo governo será o mais desafiador de todos. De um lado, há as enormes possibilidades abertas pelas terras raras, pela energia verde e pela bioeconomia da Amazônia, entre outras frentes. Mesmo com todos os problemas orçamentários, consolidou-se no país uma estrutura de universidades públicas e institutos de pesquisa. Além disso, o Brasil dispõe de uma extraordinária tradição de associativismo, presente no cooperativismo, nos arranjos produtivos, no Sistema S, no MST e nas associações comerciais.
De outro lado, há a herança trágica do apodrecimento do modelo político — uma tragédia que teve início quando imprensa, Judiciário, Legislativo e partidos políticos saíram do jogo democrático e tentaram ganhar no tapetão, processo facilitado pela maneira imprudente com que Lula recorreu ao presidencialismo de coalizão.
De qualquer modo, a sorte está lançada, e o país democrático parece ter acordado da grande noite, entendendo que é hora de enfrentar a grande batalha pela reinstitucionalização do país e pela construção de um desenho consistente de futuro.
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John Gaunt
18 de agosto de 2026 11:20 amDEUS TE OUÇA, NASSIF!
Essa não podemos perder nem debaixo de tiro!
Luiz
18 de agosto de 2026 2:03 pmGrande parte dos brasileiros parece que perdeu a capacidade de sonhar, antever o futuro e, enfim, viver. O barulho tipo siri na lata, que essa minoria autodefinida extrema-direita apenas no verniz faz, obnubila. As ditas redes sociais e a mídia corporativa, que a cada dia vê sua influência decair, lutam para apagar legados.
Na minha cidade e na vizinha Ilhéus, os repartes de jornais do sudeste não mais existem, as bancas vendem água, refrigerantes e quinquilharias chinesa (R$ 1,99 e agora R$ 2,99, etc.). E olha que os chamados “coronéis do cacau” e seus herdeiros liam bastante os diários do Rio e São Paulo todos os dias, especialmente aos domingos.
Os jovens estão presos na bolha do celular. Quando acordarem, já era. Dá dó conversar com a juventude que nada sabe e papagueia o que vê nos app de gente que se acha mais inteligente (?!!), versátil e suposto líder. A breca é logo ali…
Fábio de Oliveira Ribeiro
18 de agosto de 2026 2:07 pmA campanha de Lula põe ênfase na democracia e nos avanços sociais dos últimos anos.
A campanha do PL está tentando enquadrar a eleição como a disputa entre a velhice de Lula e a juventude de Flávio Bolsonaro.
Nos bastidores, o dinheiro grosso vai se distribuir entre mais do mesmo neoliberalismo petista identitário e mais do mesmo autoritarismo bolsonarista. Os endinheirados não querem perder nada; mas alguns deles estão dispostos a fazer o povo perder o pouco que conquistou.
Juzéqnaoédabahia
18 de agosto de 2026 5:32 pmA casas bahia faliu parabens temer e bolso aff !!!Nassif tô matutando o Brasil q as elites desde i golpe está estruturando isso está em oculto mas vai ser reveladi tremei !!!
Pedro Rocha
19 de agosto de 2026 7:14 amO Lula é um político mediocre, populista e de visão curta que, infelizmente pra nós, felizmente pra ele, estava no lugar certo na hora certa. Dizer as coisas que sempre se diz sobre “o cara”, o conciliador, o que nos salvou do bolsonarismo, que incluiu não sei quantos milhões e até algumas vezes o rídiculo “estadista”, só a nossa eterna infantilidade política consegue explicar. O professor João Antônio de Paula é um erudito da UFMG, marxista respeitadíssimo no meio acadêmico, principalmente entre os economistas. Numa palestra ele falou: “quando tudo está pronto para a grande mudança, vem um e estraga tudo”. Nossa grande oportunidade aconteceu em 2003. Dois ou três anos depois, quando o seu vice, José de Alencar, já se inconformava com a taxa de juros, nosso líder ria à solta todo bonachão. Uma década e alguns anos depois fala que “os bancos não podem reclamar, demos muito dinheiro pra eles”, novamente sorrindo e se achando maquiavélico. Se se começa uma relação da quantidade de asneiras que fala ou de ações totalmente equivocadas que cometeu ficamos aqui até amanhã. Enfim, o cara é um centrista conservador que parasita e enfraquece a esquerda continuamente. Teve tudo nas mãos, sua imperícia nos arrebentou. Não gostaria de estar aqui nos próximos 15 anos…
fabricio coyote
19 de agosto de 2026 9:20 amcomo sempre comenta o Cidadão sem Cidadania, Lula deixará um flanco para que as forças de segurança deem o golpe. Ao armar guardas municipais e agentes de trânsito, por óbvia pressão de indústrias de armamentos, possibilitará que essa nova força se junte às existentes. Isso é um fato incontornável, uma vez que o PT não é de política disruptiva nos sentido de encaminhar a nação para uma soberania plena.