Como Derrotar a Iminente Guerra Financeira de Wall Street contra o Brasil
por Dennis Small
19 de agosto de 2026 – EIRNS) O Brasil está atualmente altamente vulnerável à fuga de capitais e a outras formas de guerra financeira nas próximas seis semanas, orquestradas por Wall Street e pela City de Londres, com a ajuda do governo Trump, para impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 4 de outubro. “Os estrangeiros detêm mais de 60% das ações brasileiras [bolsa de valores — ed.], a maior participação entre os mercados emergentes. Isso deixa o mercado exposto a más notícias”, relatou o Financial Times com uma risadinha em 21 de julho de 2026. Além disso, bancos comerciais brasileiros controlados por estrangeiros, fundos de pensão locais e fundos de investimento nacionais detêm mais de 76% da dívida pública do país, e atuam como canais consensuais para o carry trade internacional. Esse é o esquema pelo qual grandes especuladores financeiros internacionais tomam empréstimos a juros baixos no Japão e em outros lugares e usam bancos brasileiros e outros intermediários financeiros para aplicar os recursos em títulos da dívida pública brasileira com juros elevados — que hoje apresentam uma taxa de juros impressionante de 14,00% (a taxa Selic de referência).
Com tais diferenças de juros, os bancos brasileiros não têm incentivo nenhum para conceder empréstimos à indústria nacional ou aos consumidores, e têm todos os motivos para aproveitar a ausência de controles cambiais no Brasil e a livre conversibilidade entre o real e o dólar para obter lucros especulativos exorbitantes — às custas da economia real do Brasil. Estima-se que 25% do orçamento anual do governo seja gasto apenas com o pagamento de juros sobre sua dívida de US$ 2,1 trilhões, de acordo com dados do Banco Mundial.
Entre os principais bancos privados do Brasil estão o Itaú Unibanco, o Banco Bradesco, o Banco Santander, o BTG Pactual, o Banco XP, o Banco Safra e o Sicredi.
Há uma série de indícios de que a guerra financeira para impedir a reeleição de Lula já está em pleno andamento e deve se intensificar drasticamente daqui até a eleição de 4 de outubro. Desde abril, a bolsa de valores brasileira perdeu US$ 6,1 bilhões, ou 16% de seu valor, e o real desvalorizou cerca de 4,2% em relação ao dólar.
“A aproximação do período eleitoral aumentou a cautela dos investidores estrangeiros em relação aos mercados brasileiros, que vêm realizando retiradas consideráveis do país”, informou o Valor International.
O Brasil possui reservas internacionais significativas (cerca de US$ 369 bilhões), mas sua dívida externa total chega a impressionantes US$ 856 bilhões, segundo o Banco Central do Brasil, e uma fuga de capitais orquestrada pode eliminar centenas de bilhões em reservas em questão de horas.
Conforme argumentou a EIR em seu memorando de política de 22 de junho, “O Papel Especial do Brasil na Transição para uma Nova Arquitetura Internacional de Segurança e Desenvolvimento”, que está circulando amplamente nos círculos de formulação de políticas no Brasil:
“O papel atual dos principais bancos comerciais privados, controlados do exterior, terá de ser drasticamente reduzido. Os controles cambiais permitirão que as taxas de juros internas sejam definidas pelo governo federal, e não pelo ‘mercado’, ou seja, pelos predadores financeiros internacionais com suas ameaças de fuga de capitais e guerra financeira…
“[Precisa-se] uma relação de taxa de câmbio fixa entre as moedas nacionais participantes e a nova moeda comum. As taxas de câmbio flutuantes têm sido uma ferramenta de especulação financeira desde agosto de 1971 e são um anátema para a cooperação comercial e de investimentos de longo prazo entre nações soberanas.”
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Sérgio Santos
22 de agosto de 2026 10:39 pmExplicando…
Vamos dividir o texto ACIMA em blocos para entender essa tal de “guerra financeira”.
1. O que é essa tal de “Guerra Financeira”?
O autor (Dennis Small) diz que Wall Street (os grandes bancos e fundos de Nova York) e a City of London (o mesmo, mas em Londres) querem impedir a reeleição do Lula.
Analogia: Imagine que o Brasil é uma grande fazenda. O governo atual (Lula) quer plantar milho para o povo comer. Já os especuladores financeiros querem que a fazenda produza apenas soja para exportar e dar lucro rápido a eles. Se o Lula for reeleito, eles sabem que ele vai atrapalhar esse lucro fácil. Então, eles planejam um “apagão financeiro” para deixar a fazenda em pânico e fazer o povo se voltar contra o governo.
2. O principal instrumento dessa guerra: O “Carry Trade”
· O que significa: Carry quer dizer “carregar” e Trade quer dizer “negócio”. É a arte de pegar dinheiro emprestado onde os juros são baixíssimos (como no Japão, que tem taxa de juros perto de zero) e aplicar esse dinheiro onde os juros são altíssimos (como no Brasil, com a taxa Selic a 14%).
Analogia do Mundo Real: Imagine que você tem um amigo no Japão que te empresta 1 milhão de ienes cobrando apenas 1% de juros ao ano. Você pega esse dinheiro, traz para o Brasil, e empresta para o Governo brasileiro comprando títulos públicos (que são como “CDBs” do governo). O governo te paga 14% de juros ao ano.
No final de um ano, você devolve 1% para seu amigo japonês e embolsa os outros 13% de lucro. É um “roubo” legalizado, sem risco nenhum, porque você não está investindo em fábricas ou gerando empregos; você só está especulando.
Consequência disso: Com esse lucro fácil de 14%, por que os bancos brasileiros (Itaú, Bradesco, Santander, etc.) iriam emprestar dinheiro para o Seu José abrir uma padaria (arriscado) ou para a Dona Maria financiar sua casa? Eles não têm incentivo nenhum! Eles preferem brincar de “carry trade”. Isso é péssimo para a “economia real” (as lojas, as fábricas, os empregos).
3. A fragilidade do Brasil: “Estrangeiros dominam a bola”
O texto diz que mais de 60% das ações da bolsa e 76% dos títulos da dívida pública estão nas mãos de estrangeiros.
Analogia: Imagine que você tem uma casa (o Brasil). Mas 60% das paredes e 76% do telhado pertencem a vizinhos de outros países. Enquanto eles estão calmos, você mora bem. Mas se eles ficarem bravos ou com medo, eles podem arrancar as paredes e o telhado de uma hora para outra e levar embora.
· Dívida Pública (US$ 2,1 trilhões): É todo o dinheiro que o Governo Federal deve.
· Orçamento Anual: O texto diz que 25% de todo o dinheiro que o governo arrecada com impostos vai só para pagar os juros dessa dívida.
Analogia: É como se você ganhasse R$ 4.000 por mês, mas tivesse que gastar R$ 1.000 apenas para pagar os juros do seu cheque especial. Sobra muito pouco para comprar comida, remédios e fazer reformas (saúde, educação, estradas).
4. Os sintomas do ataque (já estão acontecendo!)
O autor aponta dois sinais claros desde abril de 2026:
· Bolsa caiu 16%: Perdeu US$ 6,1 bilhões. É o valor de mercado das empresas brasileiras encolhendo.
· Real desvalorizou 4,2%: O dólar ficou mais caro. Se antes 1 dólar custava R$ 5,00, agora custa cerca de R$ 5,21 (porque o real perdeu valor).
Por que isso acontece? Os especuladores estrangeiros, com medo de Lula ganhar, começam a vender suas ações e títulos brasileiros, pegam o dinheiro em reais, convertem em dólares e fogem do país. É a “fuga de capitais”. Quando muitos vendem o real de uma vez, o valor do real despenca (que nem um produto em liquidação ou quando há grande oferta (produção) de tomate, o preço cai).
5. O Brasil tem defesa? (Reservas vs. Dívida)
O Brasil tem um colchão de emergência chamado Reservas Internacionais (US$ 369 bilhões). É o dinheiro guardado em dólares.
Problema: A **Dívida Externa total é de US$ 856 bilhões** (o que devemos lá fora).
**Analogia:** É como se você tivesse R$ 369 mil guardados na poupança, mas devesse R$ 856 mil no banco. Se todos os credores baterem na sua porta ao mesmo tempo cobrando (uma “fuga de capitais orquestrada”), suas reservas de R$ 369 mil evaporam em poucas horas para tentar pagar a conta, e você ainda fica devendo.
6. A solução proposta pelo autor (controles e câmbio fixo)
O texto defende duas medidas drásticas para impedir esse ataque:
1. Controles Cambiais: É uma “porteira” na entrada e saída de dólares. O governo passaria a autorizar quem pode tirar dinheiro do país e quanto. Assim, os especuladores não podem simplesmente pegar todos os seus lucros e fugir de madrugada, derrubando o real.
2. Taxa de Câmbio Fixa: Hoje, o dólar flutua livremente (sobe e desce todo dia conforme a especulação). O autor quer voltar a ter uma “amarra” (como antigamente), onde o governo define que 1 dólar sempre vale, digamos, R$ 5,00.
Analogia: Imagine uma montanha-russa (câmbio flutuante) que deixa todo mundo tonto e permite que os especuladores ganhem dinheiro apostando se ela sobe ou desce. O autor (do texto acima) quer transformar essa montanha-russa em um trenzinho elétrico (câmbio fixo), que anda no mesmo ritmo sempre, dando segurança para quem quer investir de verdade na produção de longo prazo.
Resumindo:
O texto acima diz que o Brasil está com a economia muito aberta e vulnerável.
Os grandes bancos estrangeiros, aproveitando os juros altos do Brasil (14%), fizeram um “festival” de lucros fáceis (carry trade).
Agora, eles ameaçam puxar o tapete (vender tudo e fugir) para causar caos e prejudicar a reeleição de Lula.
O remédio sugerido é o governo fechar a porteira do câmbio e controlar a saída de dólares, para que a economia real (o povo, as fábricas) não seja refém dos humores de Nova York e Londres.
Ah! Mas,…
Mesmo a dívida bruta do governo geral do Brasil sendo de, aproximadamente, 2,1 trilhões de dólares (o equivalente a cerca de 10,8 trilhões de Reais ou 81,9% do PIB), conforme dados divulgados pelo Banco Central do Brasil…
Mais de 90% da dívida pública (do Brasil) é…
mobiliária (Títulos do Tesouro (SELIC); interna e emitida em reais, mantida majoritariamente por investidores locais, não internacionais.
Explicando a frase:
“Dívida Mobiliária Interna e Mantida por Investidores Locais”
– A palavra “mobiliária” vem de títulos mobiliários (papéis da dívida).
O governo não pega empréstimos tradicionais em bancos.
Ele emite papéis chamados Títulos Públicos (como Tesouro Selic, Tesouro IPCA).
– “Interna” significa que esses papéis são negociados dentro do próprio Brasil.
Emitida em Reais
O governo se compromete a pagar os investidores em Reais.
Isso protege o país contra crises cambiais.
Se o Dólar subir muito, o tamanho dessa dívida não muda.
O governo controla a própria moeda que usa para pagar.
– Mantida por Investidores Locais
Os “donos” dessa dívida são instituições e pessoas que vivem no Brasil.
Os maiores compradores são fundos de pensão, bancos nacionais e fundos de investimento.
Até mesmo cidadãos comuns que investem no Tesouro Direto possuem uma fatia.
Por que isso é uma grande vantagem para o Brasil?
Antigamente (nas décadas de 1980 e 1990), a maior parte da dívida brasileira era externa e em dólares. Se o dólar subia, a dívida disparava e o país quebrava. Hoje a situação mudou radicalmente:
Risco zero de calote externo: O governo sempre pode emitir mais moeda local para honrar seus compromissos internos, se necessário.
Independência de humor externo: O país não fica refém de crises financeiras internacionais que façam investidores estrangeiros retirarem o dinheiro correndo.
O dinheiro circula aqui: Os juros pagos pelo governo vão para poupadores e fundos que reinvestem na própria economia brasileira.
O único grande desafio dessa estrutura é que, para convencer os investidores locais a emprestarem tanto dinheiro, o governo brasileiro precisa manter as taxas de juros (Selic) muito altas, o que torna o custo de carregar essa dívida bastante elevado para os cofres públicos.
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A FORTALEZA
Imagine que a dívida do governo é como a hipoteca da sua casa. Os fundamentos dizem o seguinte:
· 90% dessa hipoteca está em nome de seus próprios filhos e netos (investidores locais).
· A parcela é cobrada em Reais (a moeda que você mesmo imprime na sua gráfica particular).
Conclusão óbvia: Ninguém vai despejar você da sua própria casa, porque os credores são da sua família e você controla a moeda do pagamento. Isso é uma fortaleza. O Brasil não corre o risco de dar um “calote” tradicional igual aos anos 80/90, quando devíamos em Dólar e o FMI nos sufocava.
A FRAQUEZA (O que o texto do Dennis Small ataca)
Se a dívida é tão segura, por que o autor está em pânico? Porque a guerra financeira de Wall Street não é contra a dívida pública, é contra o preço do dólar e o valor da bolsa de valores.
O texto do Small fala que os estrangeiros detêm 60% das ações (que são pedaços de empresas) e que os bancos locais são “canais” para o carry trade.
Aqui está a ligação crucial entre as duas perspectivas:
1. Os juros altos (14%) são a “isca” que atrai os predadores
Os fundamentos dizem que, para convencer os investidores locais a comprarem essa dívida enorme, o governo é obrigado a pagar juros estratosféricos (Selic a 14%).
Pois bem! É exatamente esse 14% que atrai os gringos para fazer o carry trade (pegar dinheiro barato lá fora e aplicar aqui). Os bancos brasileiros (Itaú, Bradesco) usam a estrutura local para comprar esses títulos (SELIC, IPCA,…).
Ou seja, a fortaleza da dívida interna é a gasolina para o ataque especulativo dos bancos (dealers/intermediários) e os Fundos Internacionais.
2. Os bancos locais são “testas de ferro” dos gringos
O fundamento diz que a dívida (pública do Brasil) está nas mãos de “investidores locais”. O texto de Small concorda, mas revela o segredo: esses bancos locais estão agindo como intermediários do dinheiro internacional.
Analogia: Imagine que você tem um cofre fortíssimo em casa (a dívida em Reais). Mas você entregou a chave do portão da sua casa (o câmbio livre) para um vizinho (banco local) que deixa qualquer estrangeiro entrar e sair quando quiser. A dívida está segura, mas o fluxo de entrada e saída do dinheiro está descontrolado.
3. O alvo não é o calote, é o “preço do pão”
O autor (do texto publicado no Jornal GGN) sabe que o Brasil não vai dar calote na dívida em Reais. O objetivo dos especuladores é outro: desvalorizar o Real.
Se os gringos, com medo de Lula ganhar, pegam todos os lucros do carry trade, convertem em Dólar e fogem correndo, o Dólar sobe para R$ 6,00 ou R$ 7,00.
Mesmo que a dívida continue sendo paga em Reais, o preço da gasolina, do trigo e dos remédios (que são importados em Dólar) dispara. A inflação volta, o povo passa fome, e a culpa cai no governo.
É uma guerra para derrubar o presidente, não para quebrar o Tesouro Nacional.
4. As reservas (US$ 369 bi) são o “escudo” que eles querem furar
O texto de Small cita as reservas internacionais.
Por que elas importam? Se o Dólar subir muito, o Banco Central pega as reservas em Dólar que tem guardadas e vende no mercado para segurar o preço.
Analogia: Você tem um tanque de guerra (a dívida interna) e um escudo (as reservas em Dólar). Wall Street não vai atacar o tanque (porque é blindado em Reais). Eles vão atacar o escudo! Eles vão forçar uma fuga de capitais tão grande que, em poucas horas, o governo vai gastar todas as reservas tentando segurar o Dólar. Quando o escudo acabar, o Real desaba e a economia real vai para o buraco.
Conclusão:
· Fundamentos: “Não se preocupe, a dívida é nossa, em Reais, estamos seguros.” (Isso é verdade para a solvência do país).
· Texto do Small: “Preocupe-se, porque, mesmo com a dívida segura, os especuladores vão usar a liberdade do câmbio para derrubar o valor da nossa moeda, causar inflação e tirar o Lula, usando os próprios bancos brasileiros como cavalos de batalha.” (Isso é verdade para a estabilidade do dia a dia).
Por isso a solução proposta pelo autor no final (controles cambiais e câmbio fixo) é justamente uma tentativa de trancar o portão da casa, para que, mesmo com a dívida interna sendo paga em Reais, os gringos não possam mais entrar e sair livres para bagunçar o preço do Dólar.
Um tapa na mão dos especuladores, sem precisar mudar a composição da dívida interna.
Qual é a possibilidade disso ocorrer?
Qual?