“O ladrão veio para roubar, matar e destruir” (João 10:10)
por Eduardo Ramos
Lembro desse versículo do evangelho de João sempre que sou acometido do pensamento convicto, de que o evento do Bolsonarismo no Brasil me causa a impressão de ter sido algo criado e gerado no próprio inferno, caso haja algo semelhante, no mundo espiritual. Porque só podemos comparar esse movimento psicossocial (e político, e fazendo literalmente de tudo pelo PODER, é evidente!) a tudo o que de pior já passou pela humanidade, em milênios.
Nada se salva, nada!
Não há no bolsonarismo verdade alguma, traços de humanidade, empatia, desejo de justiça, ação ou ideias visando o progresso do Brasil e seu povo, mínima civilidade, mínimo respeito pela existência do outro em suas diferenças, capacidade de conviver com a derrota de suas ideologias, nada se salva, nada…
Daí a lembrança da frase super objetiva e clara de Jesus, referindo-se ao mal, aqui chamado por ele pelo epíteto “o ladrão…”. Só querem roubar (enriquecer a qualquer custo e por quaisquer métodos), matar (vide tudo o de perverso e maligno que assistimos na pandemia da COVID) e destruir (devastar o meio ambiente, apoios às milícias, o símbolo das campanhas com pistolas e fuzis, e ações como essa de hoje do ministro André Mendonça, ou seja, o modus operandi é sempre a destruição de tudo até só sobrar o caos, quando podem ter o poder absoluto nas mãos) – essa é a forma de ser, de existir, essencialmente, da maioria dos bolsonaristas, seus seguidores e muitos de seus representantes espalhados nos poderes públicos. Roubar, matar e destruir…
Impressiona que quase a metade do país não enxergue o que salta aos olhos minimamente lúcidos! Witzel e os “tiros só na cabecinha”, o “vamos metralhar 30.000 petralhas”, o vídeo canalha, de Bolsonaro e Tarcísio rindo de jovens que se suicidaram na pandemia, e Bolsonaro falando entre as risadas: “pode rir, Tarcísio, pode rir…”, a indiferença total em relação à compra das vacinas já existentes, provocando centenas de milhares de mortes tão evitáveis, o caso das joias sauditas, a abertura desenfreada para a entrada de milhares e milhares de armas no Brasil, os discursos de ódio, ódio, ódio e mais ódio… É sempre o mesmo jeito de ser, de falar, de agir, o “roubar, matar e destruir…”
Por isso, por mais inacreditável que seja, não deveríamos nos surpreender com a ação perpetrada pelo ministro André Mendonça ao quebrar o sigilo da investigação feita pela polícia federal envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Seus objetivos não conseguem mais se ocultar:
1) Ferir a imagem do ministro que combateu Bolsonaro e todos os que atentaram contra o Estado democrático de Direito no Brasil
2) Desviar as atenções do escândalo que representa as relações entre Vorcaro e a família Bolsonaro
3) Criar um ambiente de caos, confusão, balbúrdia social e política (a destruição, a devastação das instituições como método político de se atingir o poder), que torne o resultado da eleição uma incógnita, a depender de como essa tempestade atingirá o eleitorado
4) dar um discurso à extrema direita, de que “o sistema é todo podre, por isso Bolsonaro é perseguido”, e toda a ladainha populista e canalha utilizada há anos pelo bolsonarismo.
5) Criar por fim, uma cortina de fumaça que diminua as cobranças que lhe são feitas por milhões de brasileiros sobre a perseguição implacável a Lulinha enquanto blinda e protege Flávio Bolsonaro a todo custo.
6) A pergunta, cuja resposta desmascara definitivamente qualquer “bom intuito” do ministro André Mendonça: “fosse o ministro Nunes Marques a pessoa presente nas gravações, suas ações teriam sido as mesmas…?” – Alguém com mais de meio neurônio tem alguma dúvida a respeito?
Não é pouca coisa!
Moralmente falando, o mandato do ministro André Mendonça expirou hoje, com esse feito. Não há mais como seus pares respeitá-lo a partir dessa ação. Não há mais como qualquer ser humano minimamente antenado com a realidade não enxergá-lo em seu desejo de destruir nossa democracia através de uma das armas mais eficientes para esse objetivo: UM AMBIENTE DE CAOS, TUMULTO, BARULHO, RUÍDOS, CONFUSÃO!
Para isso veio o ladrão, disse aquele a quem o terrivelmente evangélico diz servir: “para matar, para roubar, para destruir”.
Destruir o que pudesse à sua volta para formar um caos, foi o seu sentimento, sua ação, seu objetivo!
O que vimos hoje no Brasil, pelas mãos de um ministro do STF, é só mais um exemplo cristalino, pleno, dessa verdade dita há dois mil anos por Aquele a quem o “terrivelmente evangélico” diz servir.
Mas seu senhor é outro…
(eduardo ramos)
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