31 de agosto de 2026

Porque o sentido de viver é ser digno!, por Eduardo Ramos

Buscar a dignidade para si e para os outros, em todos os níveis da existência, é um belo sentido para se dar à vida.
Obra de Sérgio Sister

Eduardo Ramos reflete que o sentido da vida é ser digno, não apenas buscar a felicidade pessoal.
O autor denuncia a indignidade das elites brasileiras e a impunidade em casos graves no país.
Defende que a educação profunda e valores sociais são essenciais para resgatar a dignidade do Brasil.

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Porque o sentido de viver é ser digno!

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por Eduardo Ramos

Foi há mais ou menos uma década que me veio esse insight, essa convicção, essa ideia expressa no título desse artigo.

Lembrei-me dela ao ser perguntado por uma colega de trabalho, essa semana, assim, do nada: “Edu, qual o sentido da vida pra você?”

Pensei por tão poucos segundos, e ao olhar para dentro de mim encontrei exatamente a mesma resposta quando do tal insight há uma década: parei de achar após meio século de vida, que o sentido da vida era “ser feliz”. Nunca mais acreditei nisso, em qualquer sentido. Ao contrário, é cada vez mais patente para mim essa premissa meio filosófica e até certo ponto, abstrata, reconheço: pessoalmente, o que me trouxe sentido a vida e o que me sustenta nos dias bons e nos dias maus é essa ideia, uma espécie de “farol a ser seguido” – o sentido da vida é ser digno!

O que um texto que inicia dessa forma tem a ver com o GGN, onde espero que seja publicado, um site jornalístico que revela, analisa, explora fatos políticos, econômicos e sociais do Brasil e do mundo com imparcialidade, honestidade, profundidade e diversidade?

Ah, prezado leitor, permita-me dizer, que “tem tudo a ver”. Por um motivo-argumento que é a intenção do artigo – falar da ausência desse valor, desse conjunto de valores na verdade, das falas, ações, intenções, que emprestam a um homem essa glória, a de estar tendo uma vida digna e não vulgar, uma “vida velhaca”, estéril, insossa, patética, vazia… ou a pior de todas – a vida cínica!

Escrevesse eu um dia um artigo sobre a essência da Pedagogia e da Educação, e seria essa a base do meu artigo: que toda a Educação deveria servir antes de qualquer outro a este intento – dar uma noção clara, objetiva e lúdica a cada ser humano, do que é tentar ser digno com a existência. Digno consigo mesmo e com a dádiva maravilhosa que é viver, digno com seu próximo, com a sociedade, com seu país, com os outros povos e nações, digno com seu planeta.

Tudo isso para falar da INDIGNIDADE de boa parte das nossas elites, nossos homens públicos, de muitos dos nossos juízes, promotores, governadores, deputados, ministros das altas cortes do Judiciário, etc., etc., etc.

Somo esse país nojento em muitas falas e ações dos nossos homem comuns e públicos, como os covardes que espancaram até a morte um jovem carioca de 37 anos por suspeitarem se tratar de um ladrão. Como o promotor que chamou uma menina de 13 anos de “vagabunda” por “ter aberto as pernas para seu pai” num julgamento de estupro. Como os procuradores da Lava Jato debochando de Lula nos episódios das mortes de seu neto e seu irmão, chamando-o de “Nine” e dando risadas cínicas de sua dor. Somos esse país amoral e abjeto onde uma juíza realmente tentou jogar Lula num presídio comum, como se não soubesse das horrendas consequências de seu gesto sórdido. Somos o país onde autoridades se juntaram para o conjunto de eventos acanalhados e perversos que resultaram na morte do reitor Cancellier, enquanto seus pares os absolviam num corporativismo tão perverso quanto as ações dessas autoridades.

Somos, por fim, o país onde algumas supremas autoridades blindam criminosos do mais alto grau de periculosidade, por lealdades estranhas e igualmente criminosas, enquanto se deleitam em perseguições por motivos para lá de apequenados…

Somos o país em que a morte de 700.000 brasileiros resta impune!!!!

Haverá nação na Terra com mais indignidades??? Eu arriscaria dizer umas duas ou três que me vêm a mente, mas não quero tirar o espelho, nesse artigo, do meu país, o Brasil.

A que se presta um artigo que denuncia as imundícies e atos perversos de parte de nossa sociedade, se todos sabemos que essas pessoas não mudarão em nada, por cinismo absoluto, por já trazerem em si uma consciência cauterizada, maligna, incurável, como a maior parte do nosso Congresso e os governadores bolsonaristas, só para citar dois exemplos? Simples: para que aprendamos de uma vez por todas o óbvio dos óbvios, o que muitos de nós sabemos ou intuímos. Que só a Educação no seu sentido mais rico, belo, profundo, poderoso, poderá um dia nos resgatar desse esgoto que nos obrigaram a mergulhar enquanto sociedade, enquanto nação incivilizada, precária, não democrática e tão repleta de indignidades diversas.

As nações mais civilizadas do nosso tempo, são exatamente essas, podem pesquisar… As que investem há décadas em uma Educação profunda, feita não só nas salas de aula, mas dos EXEMPLOS dos mais velhos e dos homens públicos do país, dos valores atrelados a uma vida digna em sociedade – empatia, educação e respeito nos tratos uns com os outros, instituições sólidas e coerentes em relação às normas e leis sociais, punição real a todos os que cometem crimes, repúdio imediato e firme aos cínicos, coisas assim.

Ou alguém pode imaginar um Nikolas, um Sóstenes, um Moro, uma Malena, um Zema, na Noruega, ou Islândia, países nesse nível de civilidade e dignidade cidadã???

Buscar a dignidade para si e para os outros, em todos os níveis da existência, é um belo sentido para se dar à vida.

E combater com todas as nossas forças os cínicos, os fascistas, os covardes, os corruptos, enfim, todos os que querem nos manter em atrasos seculares e destruir todas as nossas chances de um futuro digno.

E que a Educação, que seja ela, a nos levar um dia a um patamar digno de vida social e política.

(eduardo ramos)

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected]. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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