Esta é a história de uma operação que ainda entrará para a história como as Cartas de Arthur Bernardes, o Plano Cohen, as Cartas Brandi e outras falsificações históricas.
Relembrando:
As Cartas de Arthur Bernardes eram falsas, foram publicadas pelo Correio da Manhã e objetivavam implicar Bernardes com os militares, chamando-os, entre outras coisas, de “praças de pré ignorantes” e insultando o marechal Hermes da Fonseca. Conseguiu promover a rebelião dos 18 do Forte e marcou o fim da República Velha.

O Plano Cohen foi outra falsificação histórica, descrevendo, em detalhes fictícios, uma suposta conspiração da Internacional Comunista contra o país. Foi forjada pelo capital Olímpio Mourão Filho, com participação da Ação Integralista Brasileira.

Já as Cartas Brandi mencionavam a correspondência de um suposto parlamentar argentino, datada de 5 de agosto de 1953, entregue a João Goulart e informando sobre “protocolos e recomendações sobre brigadas de choque operários”. Era falsa. Um inquérito militar do general Emílio Maurell Filho identificou dois argentinos golpistas de baixa monta — Alberto Jorge Mestre Cordero e Fernando Francisco Malfussi — que confessaram a falsificação (erros de espanhol, como “transladé” em vez de “trasladé”, entregaram o esquema). Ambos foram presos, indiciados e depois condenados (3 anos e 2 anos e 2 meses, respectivamente). Um juiz concluiu depois que o próprio Lacerda agira “dolosamente” ao publicar um documento sobre cujas dúvidas de autenticidade ele já tinha conhecimento prévio.
Mas haverá uma diferença fundamental em relação às outras falsificações: desta vez serão identificados todos os cúmplices dessa jogada, diretores de redação, editorialistas e editores de política que endossaram essa manobra. Entrarão para os livros de história. Afinal, ela só será bem sucedida se esses jornalistas oferecerem seus pescoços à guilhotina da história.
Trata-se do inquérito aberto por André Mendonça contra Alexandre de Moraes, o Procurador Geral da República Paulo Gonet e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues,
Repare que estou formulando duas acusações graves.
A primeira é contra o Ministro André Mendonça. Sob a aparência de uma investigação regular, ele criou as condições para selecionar informações, direcionar suspeitas e, através de ilações, produzir um fato político capaz de atingir a cúpula do sistema de Justiça. Se não cometeu crimes, qual a qualificação dessas ações.
A segunda é contra os jornalões, endossando uma fraude.
Peça 1 — A custódia informal das provas
Quando estourou a Operação Compliance Zero, o gabinete de Mendonça passou a concentrar material digital apreendido. Segundo o Relatório de Inteligência Complementar da Polícia Federal — Documento 3, páginas 13 a 16 —, a delegada Letícia Magalhães Espósito, servidora vinculada à estrutura da relatoria dos casos Sem Desconto e Compliance Zero (ou seja, a André Mendonça), mantinha sob seu controle discos rígidos com extrações de aparelhos celulares.
O relatório afirma que:
- ela detinha o controle pessoal dos discos rígidos com os dados extraídos;
- os discos permaneciam em mesa de uso individual, sob controle exclusivo;
- ela também teria acesso à totalidade dos casos da operação no Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias, o Simba.
Provas digitais sensíveis devem permanecer sob regime formal de custódia, com registro de acesso, movimentação, cópia e finalidade. É isso que permite saber quem consultou determinado arquivo, quando o fez e o que produziu a partir dele.
Segundo o relatório, a concentração do material fora dessa trilha formal tornaria “materialmente inviável qualquer rastreamento na hipótese de vazamento”.
Peça 2 — Um relatório para leitura, não para auditoria
Em seguida, Mendonça determinou a produção de um relatório sobre menções a autoridades com foro por prerrogativa de função.
A Polícia Federal registrou uma objeção relevante: “o formato exigido é, em si, indicativo: destina-se a consulta e análise de teor” — isto é, um formato de leitura corrida, tipo relatório em PDF/texto. Ou seja, que pode ser editado. Simples assim!
Quando a prova digital é entregue em formato bruto, com metadados e registros íntegros, outro perito pode reproduzir o exame e verificar se houve corte, omissão ou alteração. Um relatório preparado apenas para consulta apresenta o resultado de uma seleção anterior. O leitor enxerga o que foi incluído, mas não necessariamente o universo completo do qual os trechos foram retirados. Ou seja, funcionários servindo a Mendonça poderiam ter selecionado os trechos.
O formato escolhido reduz a possibilidade de auditoria independente — justamente quando o material alcançava autoridades como Alexandre de Moraes, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues.
Peça 3 — a figura chave dos contatos
Depois da produção do relatório, a PF foi instada a aprofundar as menções às autoridades nele citadas. É nesse ponto que aparece o advogado Ciro Soares, interlocutor de Daniel Vorcaro em três situações diferentes:
- o convite ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para um seminário em Londres;
- o convite ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para o mesmo evento.
E não entrou a única articulação pessoal bem sucedida do advogado Ciro Soares: o encontro de Daniel Vorcaro e André Mendonça, na sede do Instituto Iter, seguido da visita ao mais caro alfaiate de São Paulo.

Peça 4 — O seminário de Londres
E aí vêm o fecho final. E os tais convites para o evento em Londres?
O evento em Londres foi organizado pelo Grupo Voto, com patrocínio de várias empresas, entre as quais o Master. Próximo à data do seminário, os organizadores procuraram Márcio Chaer e o Consultor Jurídico para ajudar na definição das mesas e no convite aos participantes.
Chaer convidou pessoalmente Paulo Gonet e Andrei Rodrigues. E em nenhum momento mencionou o patrocinador Master, cujo nome sequer aparecera no noticiário policial.
Ao relatar as tratativas a Vorcaro, como bom lobista, o advogado Ciro apresentava os convites como sendo dele, permitindo-se até atribuir ao formalíssimo Paulo Gonet declarações de saudade de Vorcaro e outras intimidades.
O seminário foi cancelado. Portanto, não houve viagem a ser custeada. Mas afirmar que o Banco Master “bancaria” Gonet e Andrei apenas porque patrocinaria o evento seria semelhante a atribuir ao Master o pagamento de despesas a todos os convidados do Seminário Valor-Globo em Nova York que tinha, ali sim, o Master como patrocinador central.
O elo que se concretizou
Entre os três contatos intermediados por Ciro Soares, o único que se materializou, segundo os elementos já conhecidos, foi o encontro de Vorcaro com André Mendonça no Instituto Iter.
Mendonça afirmou que a conversa tratou de um processo sobre precatórios. Ora, esse era tema central do escândalo Master. A explicação abre novas perguntas: por que uma questão processual foi discutida na sede de uma instituição privada ligada ao ministro, e não em audiência formal no STF? Quem participou? Houve registro em agenda? Foram apresentados documentos? Existia ou passou a existir alguma relação comercial entre o Iter, Vorcaro, o Banco Master ou empresas de seu grupo?
O método da patranha
Ou seja, havia suspeitas já conhecidas contra Alexandre Moraes, devido ao contrato firmado entre o Master e o escritório de sua esposa. Mas não há, até agora, nenhuma prova de consumação de qualquer crime.
Já o relatório de Mendonça, e sua atuação no caso Master, demonstram vários crimes cometidos, óbvios, axiomáticos:
- o direcionamento das investigação em cima de uma fake news: contratos públicos entre Roberta Luchisinger e Fábio Luís que jamais foram apresentados e, ao que tudo indica, jamais concretizados.
- a demora em investigar Flávio Bolsonaro, com a óbvia intenção de esconder do país a suspeita de que o candidato a presidente cometeu vários crimes.
- a manipulação do inquérito da Operação Álibi.
No final do inquérito, a verdade aparecerá escondida. Mas o objetivo político já terá sido alcançado, com a consumação do golpe.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
8 de setembro de 2026 8:16 amNassif matou a cobra antes dela fumar.
Com a jogada de André Mendonça o Brasil saiu uma vez mais da normalidade da Estado de Direito e adentrou ao reino do grotesco, do arabesco, do miraculoso e do Estado Fantástico do Direito em que a vontade de um juiz substitui toda a racionalidade constitucional.
Jair Bolsonaro disse certa feita “Eu sou a constituição”. Quando ele fez isso elevando-se à condição de tirano capaz de governar sem prestar contas a ninguém exceto a si mesmo o STF deveria ter declarado expressamente que Constituição estava em vigor e quem e de que maneira ela deveria ser interpretada. Isso não foi feito, os Ministros da Suprema Corte continuaram a atuar como se pudesse existir normalidade dentro de uma situação anormal.
Essa situação anormal foi restaurada por André Mendonça, juiz que implodiu o STF para se rebaixar à condição de agente carcerário de luxo tupiniquim com a missão de aprisionar o Brasil no quintal dos EUA.
A prisão conceitual criada por André Mendonça já está funcionando, porque o que ele fez deslocou o debate eleitoral das propostas de governo para a crise do STF. A intenção de minar qualquer capacidade da Suprema Corte de conter o Tsunami de “fake news” que a extrema direita está preparando com ajuda dos manos dela nos EUA. A prisão conceitual aberta por André Mendonça poderá eventualmente se transformar em prisão política caso o candidato dele vença a eleição.
No mundo fantástico instituído por Mendonça ele não é apenas agente carcerário de luxo tupiniquim com a missão de aprisionar o Brasil no quintal dos EUA. Ele é também o estrategista de campanha, o marqueteiro e, é claro, o principal cabo eleitoral de Flavio Bolsonaro.
O Leviatã brasileiro está com uma imensa dor de dente e Mendonça é a bactéria que produz a cárie. Se o dente afetado não for arrancado, nosso destino não será menos cruel do que o do Leviatã aprisionado no quintal dos EUA sob a supervisão do agente carcerário que comanda o Estado Fantástico de Direito no Supremo Tribunal Federal.
J.Marktchelo
8 de setembro de 2026 8:32 amSetores do judiciário e imprensa corporativa produzindo CONTEÚDOS IMPRÓPRIOS para a verdade com o objetivo de manipular as pessoas,inflaram a manifestação bolsonarista entreguista antibrasil dos bandidos,qual a dúvida q é uma lavajato 2.0???(nem tanto mas quase lá)
Veritas
8 de setembro de 2026 10:07 amA ideia do golpe 2026 é afastar a maior parte dos ministros do Supremo não atrelados ao bolsonarismo e ao trumpismo. O mesmo ocorrendo com o PGR e a direção da Polícia Federal, controlando o Poder Judiciário e aprisionando o Poder Executivo e o Poder Legislativo. Para tal, há a violação de vários princípios do art. 37 da Constituição Federal, que rege todo e qualquer ato administrativo no Brasil. Nos atos descritos acima, não há legalidade, não há impessoalidade, não há moralidade, não há publicidade do conjunto de arquivos e atos processuais e esperamos que tampouco haja eficiência, sob o risco dos atos administrativos se submeterem não mais ao Ordenamento Jurídico brasileiro e à sua Norma Fundamental, mas à vontade arbitrária do autoritário de plantão e dos jornalões.
Marcio Aurelio Cruzeiro
8 de setembro de 2026 10:08 amGolpe em Curso………será Consumado ??!!…….
Waldemir de Araújo Filho
8 de setembro de 2026 10:59 amParabéns, Nassif, pela excelente análise do que está, em última instância, em jogo: o golpe continuado da extrema-direita nacional e internacional, sob a capa de uma ação, supostamente, jurídica. É preciso, com urgência e de forma direta, dá nome aos bois. Grato por sua coragem profissional e cidadã.
Volnei B de Carvalho
8 de setembro de 2026 11:46 amVídeo histórico: https://youtu.be/ZCi6BM3sdoM
Discurso de estadista.
Parabéns!
Resistência – Unidade e Soberania.
Cleibsom Carlos
8 de setembro de 2026 1:15 pmO problema, caro Nassif, é que Moraes, apesar de, segundo você e muitos, estar do lado do “bem”, também tem o rabo muito preso no lodo…Se a justiça importasse, tanto ele quanto Mendonça, além de mais alguns ministros do STF, levariam um pé nos fundilhos pelo envolvimento no caso Master e seriam empichados.
Emanuel Oliveira
8 de setembro de 2026 2:35 pmO problema responde pelo nome de FRACHIN!
Emanuel Oliveira
8 de setembro de 2026 2:36 pmO FRACHIN vai entregar os dedos para salvar os anéis
AMBAR
8 de setembro de 2026 2:40 pmMendonça só deixou de investigar o Flávio. Sendo o Flávio um candidato a presidência da república, filho daquele que o nomeou para o cargo de ministro; estando o Flávio completa e visivelmente envolvido com Vorcaro e o Banco Master, Mendonça prevaricou, principalmente porque o Mendonça também está envolvido com o acusado e investigado Vorcaro. Ele não só deveria declarar-se suspeito pela amizade íntima com o Flávio e com o Vorcaro como pelo interesse na impunidade de ambos. Vorcaro é o irmão de fé da Igreja Preta; Flávio é o filho do Padrinho dele. Se assim o fizer poderá eximir-se da acusação de prevaricação e de suspeição. Mas só dessas, das outras, que ele está colecionando a cada passo, nem a imobilidade do Fachin vai livrá-lo. Não vai dar pra passar pano pro irmão Mendonça. Ele “despirocou” de vez. Está se achando por demais empoderado.
Marcos G V Vieira
8 de setembro de 2026 3:09 pmQuero ver o voto do Gilmar Mendes
ed.
8 de setembro de 2026 10:00 pmConvivi e me relacionei de diversas maneiras em tempos e lugares diferentes, com muitas pessoas, dentre elas:
1) Um vendedor de bebidas e aluguel de cadeiras na praia em Ipanema. Foi assassinado por comparsas, porque também traficava drogas (maconha).
2) Um mundialmente famoso ladrão do Trem Postal, na Inglaterra, Ronald Biggs, que frequentava o mesmo pub que eu (Lord Jim), em Ipanema, onde tomamos alguns chopes e caipirinhas juntos.
3) Um amigo de infância em São Paulo, depois virou policial corrupto, que ficou aleijado por uma tentativa de assassinato por bandidos extorquidos por ele. Já faleceu.
4) Um famoso criminoso nazista, Herberts Cukurs, o “Carrasco de Riga”, que foi assassinado pelo Mossad numa emboscadano Uruguai. Voei (desavisadamente) com ele e meus familiares num hidravião turístico na represa de Guarapiranga.
Este bilete é vedádi. Peço-lhes ajuda para que o relator não o veja.
O que acham? Devo me entregar à polícia?
ed.
8 de setembro de 2026 10:00 pmConvivi e me relacionei de diversas maneiras em tempos e lugares diferentes, com muitas pessoas, dentre elas:
1) Um vendedor de bebidas e aluguel de cadeiras na praia em Ipanema. Foi assassinado por comparsas, porque também traficava drogas (maconha).
2) Um mundialmente famoso ladrão do Trem Postal, na Inglaterra, Ronald Biggs, que frequentava o mesmo pub que eu (Lord Jim), em Ipanema, onde tomamos alguns chopes e caipirinhas juntos.
3) Um amigo de infância em São Paulo, depois virou policial corrupto, que ficou aleijado por uma tentativa de assassinato por bandidos extorquidos por ele. Já faleceu.
4) Um famoso criminoso nazista, Herberts Cukurs, o “Carrasco de Riga”, que foi assassinado pelo Mossad numa emboscadano Uruguai. Voei (desavisadamente) com ele e meus familiares num hidravião turístico na represa de Guarapiranga.
Este bilete é vedádi. Peço-lhes ajuda para que o relator não o veja.
O que acham? Devo me entregar à polícia?
Silvio Torres
9 de setembro de 2026 3:49 amQuando a direita fabricou e lançou o mensalão, um dos primeiros e principais alvos foi o diretor da PF nomeado pelo Lula. Duas coisas me fascinam. Como os métodos são sempre os mesmos e FUNCIONAM! E como a dita esquerda brasileira sempre é pega de surpresa com os repetecos da sessão da tarde.