O velho continua vivo e o novo está nascendo: a sociedade brasileira na arapuca
por Gustavo Teixeira
Neste breve texto, argumento que, após as eleições nacionais de 2026, a sociedade brasileira tende a atravessar um momento de inflexão histórica, isto é, de mudança profunda, possivelmente inesperada e acelerada, em relação à sua trajetória frente as últimas décadas, marcada por importantes conquistas democráticas e sociais, expressas, por exemplo, na Constituição de 1988, na construção e consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e na reconstrução, ainda que limitada, de uma política de seguridade social, perceptível em programas como o Bolsa Família e o Farmácia Popular, bem como na ampliação do poder real de compra do salário mínimo.
O problema que se coloca diante desse cenário, como pontuado pelo jornalista Luis Nassif em outros artigos, diz respeito ao caminho que iremos seguir enquanto nação: continuaremos sendo uma sociedade colonial e autoritária ou buscaremos construir uma sociedade mais democrática, menos desigual e mais justa? Trata-se de uma escolha que exige, desde já, a construção de um horizonte de futuro promissor, pujante e emancipatório para uma população jovem, desanimada e preocupada com o porvir – afinal, não há questão mais central para o atual governo que busca a reeleição: ou se inicia, junto à população, um processo efetivo de transformação democrática da sociedade brasileira, ou se finge que nada de substantivo pode ser feito e que simplesmente entregar obras é suficiente para preservar a democracia, seja lá o que isso signifique.
Antes de desenvolver esse argumento, gostaria de destacar três elementos conjunturais que sustentam essa percepção. O primeiro diz respeito a uma transformação política de escala mundial. Enquanto reação ao sofrimento social produzido pelo neoliberalismo — alavancada após a crise econômica de 2008 —, observa-se o avanço global da extrema-direita como alternativa política, programática e de ordenamento das sociedades. Esse avanço está particularmente evidente na ascensão de partidos e lideranças políticas de orientação fascista em países nos quais o modelo de democracia liberal não foi capaz de realizar as expectativas e os projetos de vida de parcelas significativas de suas populações. Diante disso, a extrema-direita funciona como um catalisador ideológico que agrega e mobiliza um desejo de mudança fomentado por um contexto social que, para muitos, simplesmente deixou de “dar certo”
Segundo, a humanidade, diante dos avanços tecnológicos digitais e interativos, ainda não encontrou formas de “congelar” ou desacelerar uma nova experiência com o tempo. Ao que tudo indica, não apenas vivemos um rigoroso presenteísmo temporal: a digitalização e plataformização das relações, do nosso modo de socialmente ser no mundo, produzem a sensação de que o tempo transcorre mais rapidamente e de que aquilo que realmente importa é o que acontece agora, neste exato instante, transmissível imediatamente pela internet e pelas telas que mediam nosso cotidiano. Nesse contexto, a capacidade de imaginar, projetar e planejar o futuro tende a ser obscurecida pela lógica dos algoritmos e, mais recentemente, pelas inteligências artificiais, convertendo-se, para muitos, em dispêndio de tempo ou numa discussão vazia e sem consequências práticas.
Terceiro, encontramos a peculiaridade nacional, açoitada pelo seu processo histórico-formativo que faz o Brasil ser um território situado na periferia do capitalismo. O país deixa transparente que é uma sociedade dual regida pela desigualdade. De um lado, uma classe de senhores concentra parcela significativa da riqueza e do patrimônio socialmente produzido, demonstrando, ademais, pouca disposição para ceder qualquer parte de seus lucros, dividendos ou patrimônio. De outro, encontra-se um amplo contingente de pessoas submetidas a formas de exploração e precarização — algumas alforriadas e abandonadas à informalidade angustiante do mercado de trabalho; outras ainda submetidas às formas sutis ou explícitas de escravização. No meio dessa dualidade, encontra-se uma classe média heterogênea: parte dela se apresenta retoricamente como progressista e até revolucionária; outra parcela se mostra efetivamente conservadora, grosseira, violenta, autoritária e afeita a trambiques.
Esses três elementos conjunturais adoçam o argumento a ser apresentado, doravante, a partir de quatro pontos. O primeiro diz respeito ao que está efetivamente em jogo na disputa eleitoral de 2026. O segundo trata do fascismo enquanto ideologia e forma de organização social estabelecida. O terceiro aborda a sociedade civil brasileira e sua incapacidade de pautar o debate público. O quarto e último ponto, por fim, volta-se à questão sobre o que desejamos construir enquanto nação democrática.
Uma disputa política onde não há meio termo
Não é de hoje que o Brasil é um país polarizado. Aqui está uma sociedade historicamente dividida entre senhores e escravizados, entre os “donos do poder”, para retomar Raymundo Faoro, e aqueles submetidos às suas estruturas de dominação. A razão de ser dessa sociedade, pois, encontra-se nessa divisão secular de classes, que está institucionalizada em pelo menos três fulcros estruturais: no acesso desigual a bens, capitais, serviços e recursos; na injusta divisão arquitetônica e fundiária do espaço; e na constituição autoritária e clientelista das relações de trabalho, cujas raízes remontam ao processo de acumulação primitiva baseado na escravização de corpos não brancos.
O Brasil polarizado, dito de outro modo, aparece como uma sociedade de castas. Nela, há uma plutocracia que compra as instituições – vejam só as estripulias megalomaníacas de Daniel Vorcaro, jovem banqueiro apressado e devasso – na medida em que impõe sua receita econômica para uma massa empobrecida, endividada e desesperada. Os verdadeiros “intocáveis”, para retomar o jargão tragicômico do candidato à presidência, Romeu Zema, são justamente aqueles que, articulados com o crime organizado, instituições mambembes e agentes políticos que lhes servem de testa de ferro, controlam parcelas consideráveis do orçamento público. E o governo federal, devoto ao pacto da frente (nem tão) ampla, nesse cenário, aparece como entidade mediadora que tenta, sem desagradar às classes dominantes, assegurar alguma coisa àqueles que realmente precisam de políticas públicas para viver dignamente.
O cenário atual, atravessado por mais uma eleição tensa e angustiante, torna essa cisão ainda mais evidente. Como observou o filósofo Marcos Nobre em entrevista[1], a disputa eleitoral de 2026 se estrutura em torno de dois campos: há um campo distributivista que tenta resguardar algum sentido de formal de democracia a população enquanto existe um outro que já deixou transparente seu plano de governo: concentrar a renda dos ricos, jogar o Brasil à condição de colônia norte-americana e reativar o seu ethos golpista, esse fenômeno recorrente em nossa história.
Não há, portanto, e talvez nunca chegue a se enraizar, uma terceira via que consiga efetivamente romper com o que está em jogo (democracia famélica contra autoritarismo golpista), seja na forma de um projeto liberal demagógico e falacioso, seja num projeto revolucionário que tenha o povo como centro da política, concebendo-o, então, como sujeito autônomo e emancipado mediante tomada de decisões democráticas. A disputa eleitoral brasileira, dito de outro modo, parece não comportar um projeto de meio-termo, baseado num capitalismo “administrado” e orientado pelo bem-estar social — em países da periferia do capitalismo, acreditar nessa possibilidade é a demonstração de que realmente nossas ideias sobre si estão fora do lugar. Isso porque nosso espírito parece reiteradamente nos conduzir a uma direção já conhecida: a reprodução da desigualdade e a manutenção de um pacto doloso entre ricos e pobres, no qual o primeiro não se mostra disposto a renunciar ao privilégio, da riqueza e do controle da liberdade e força de trabalho do segundo.
Há um pouco menos de um mês do primeiro turno da eleição, não obstante, parece que temos, nessa disputa de força, um jogo empatado. Ao governo Lula restam duas escolhas: deixar as coisas como estão diante de um contexto de bagunça institucional que se arrasta há dez anos – e para jovens como eu, formados politicamente nesse período, isso significaria assumir como tarefa histórica somente a contenção dos danos de uma década perdida – ou, como mencionado acima, começar a propor, ao lado de quadros políticos dispostos a enfrentar essa batalha[2], um horizonte de futuro, a possibilidade de uma vida próspera e digna para uma população que envelhece enquanto perde, progressivamente, a esperança no futuro. Ao filho de Bolsonaro, não resta outra coisa senão salvar sua família e base social de maneira que, como também querem Renan Santos ou Ronaldo Caiado, sua maior conquista é efetivar um golpe de estado que desmonte a “Constituição Cidadã”.
Convivialidade no fascismo
Segundo o sociólogo Sergio Costa, convivialidade está na “dimensão relacional da vida social, [n]as interações conviviais [que] estão inseridas nas redes de interdependência que moldam a vida (social)” (Costa, 2020, p. 27). A convivialidade, mais especificamente, reside então no nexo entre convivência e desigualdade, isto é, no entrelaçamento entre indivíduos e grupos que ocupam posições distintas na hierarquia social. E esse entrelaçamento desigual manifesta-se em quatro níeveis: num material; nas assimetrias de poder; na configuração e apropriação do meio ambiente; e, por último, nos processos epistêmicos de produção e conhecimento do mundo.
Se a convivialidade, em suma, diz respeito às formas de convivência entre indivíduos e grupos socialmente desiguais, o Brasil, uma sociedade historicamente estruturada pela violência da escravidão, como destacou Maria Sylvia de Carvalho em Homens livres na ordem escravocrata, constitui um exemplo paradigmático. Entre as qualidades culturais da brasilidade, o convívio quasi-harmonioso entre ricos e pobres é uma dos mais conhecidos. Trata-se de uma característica sui generis, naturalizada tanto nas práticas cotidianas quanto nas representações ficcionais, como as novelas e romances, dessa sociedade.
Há, nesse processo de convivialidade, um novo fator já amadurecido: a adesão de parcelas da sociedade brasileira, num recorte interclasse, ao fascista como orientação política. Enquanto espaços institucionais e (in)formativos da esfera pública, como os meios de comunicação e as universidades, se omitem ou fecham os olhos diante da necessidade de enfrentar e conter esse que se apresenta como o segundo maior problema estrutural do país — o primeiro sempre será o sofrimento produzido pela sua desigualdade —, assiste-se à consolidação dessa ideologia nas diferentes instâncias da vida social, sobretudo na esfera política, essa arena de decisões acerca de como serão as leis e o direcionamento de recursos para os segmentos da população. O fascismo brasileiro, obcecado pela aceleração do fim do mundo e pela resposta aos seus ressentimentos, reabre, assim, as portas de uma segunda qualidade nossa: a constituição de uma sociedade marcada pelo contraventismo, pelo oportunismo e por práticas de trapaça, nas quais a transgressão das normas e a impunidade acabam por produzir a percepção de que, afinal, o crime compensa.
Caso ainda persistam dúvidas quanto à possibilidade da convivialidade brasileira estar atravessando uma metamorfose fascista, basta reconstruir quem são os atores que, desde as eleições de 2014, passaram a disputar posições políticas de maior relevância, como a Presidência da República e os governos estaduais. Se, há doze anos, Marina Silva aparecia como uma possível alternativa da terceira via, o cenário contemporâneo revela a ascensão de discursos que, de um lado, defendem abertamente o extermínio de negros e pobres em nome do “combate ao crime” e, de outro, recorrem à disseminação de promessas e soluções fantasiosas, como o uso de drones para enfrentar casos de violência de gênero. Além de mais reacionária e tapada, a sociedade brasileira vem perdendo a noção entre a complexidade do real e cristalização reificada da imaginação.
A sociedade civil sem voz
A plutocracia nacional, enquanto força política organizada e orgânica, não apenas restringe a participação popular no debate sobre questões políticas centrais, como a formação dos preços de serviços e produtos diante dos efeitos da inflação e das taxas de juros, a legislação relativa à segurança pública e à educação, ou os tipos de serviços e de atendimento a serem oferecidos pela saúde pública. Ela mobiliza a agenda do governo, seja pela sua potentias econômica, ou pela coação dos representantes políticos que compraram. Os segmentos populares da sociedade brasileira, embora constituam a maioria da população e estejam organizados em um amplo conjunto de movimentos sociais, permanecem pouco representados nos parlamentos e nos espaços de decisão estatal. Sua voz tampouco encontra espaço na esfera pública plataformizada e algorítmica das redes sociais.
A consequência desse cenário, no qual parcela significativa da sociedade civil não encontra espaço efetivo para discutir seus problemas e formular alternativas que possam ser enfrentadas por políticas públicas emancipatórias, é a aceitação de uma agenda que propaga uma vida falsa, que recorre a malabarismos argumentativos grosseiros para preservar o estado de coisas existente. Talvez pelo medo de julgamento e intimidação promovidos por discursos fascistas nas redes sociais e nos meios de comunicação — o discurso “prendeu, matou”, de Renan Santos, ganha terreno, dentre outros fatores, devido a concessão de programas televisivos que, ao vivo, incentiva o assassinato de jovens periféricos —, o que temos hoje é uma sociedade que parece perder a coragem de defender ideias e políticas já experimentadas em outros países e que poderiam melhorar as condições de vida de uma população submetida à opressão e à violência.
Por que não propor, por exemplo, uma política de congelamento dos aluguéis? O que haveria de errado em defender a legalização da maconha e de outras drogas? O que impede que se explicite que a estrutura tributária brasileira incide desproporcionalmente sobre o consumo da população, em vez de concentrar sua tributação sobre o patrimônio e a riqueza? Porque é o governo, e não os sindicados, que definem o valor do salário-mínimo? E, afinal, qual seria o problema em defender uma forma de organização social orientada por princípios socialistas? Essas questões, que poderiam orientar a formulação e a difusão de novas ideias e projetos políticos, por enquanto, estão suspensas. Em seu lugar, parcela da sociedade civil organizada pauta uma agenda que, alternadamente, assume é cômica e perigosa. Nesse menu, devemos a tolerar o incentivo a ruptura institucional e golpe de Estado, a defesa do armamento civil por grupos ligados ao crime e por grandes proprietários rurais, a transferência de riquezas nacionais para o estrangeiro, a defesa intransigente de um modelo caduco de família burguesa, a desvalorização da força de trabalho e a doutrinação ideológica. O que está nos restando, com isso? Apenas sofrer.
A nação impossível que queremos
A performance fascista é nauseante. Quem já os viu fascista in loco, carregando suas vestimentas patrióticas enquanto fazem lives ofendendo alguém, sabe o que estou dizendo. O fascismo, para além de sua dimensão estética, por vezes caricata e grotesca, constitui uma deformação política e moral sádica na medida em que seu conatus é mobilizado pelo desejo de eliminar aqueles que são concebidos como descartáveis (idosos, pessoas com dificuldade de mobilidade ou pobres desempregados) ou inimigos (comunistas, pessoas não católicas ou população LGBT). E uma vez que sua presença se encontra disseminada nos celulares e, atualmente, nas campanhas eleitorais em todo o país, nossa tarefa imediata consiste em encontrar meios de bloqueá-los para, em seguida, apagar sua presença.
Como mencionei alguns parágrafos atrás, cresci, assim como milhões de jovens adultos, num país que gradualmente sucumbiu a essa ideologia. Antes de ingressar na universidade, em 2013, testemunhei, na praça do Campo Grande e nos arredores do estádio da Fonte Nova, uma juventude que reivindicava formas efetivas de radicalização da democracia. O que acompanhei como desdobramento desses acontecimentos, já na condição de filósofo social em formação, foi a instalação de um golpe parlamentar, acompanhada da ascensão de um governo escroto — talvez não haja palavra mais precisa para definir essa experiência — que, durante a pandemia de Covid-19, contribuiu para que centenas de milhares de pessoas morressem. Nesse intervalo de tempo, que denomino de (mais uma) “década perdida”, presenciei um processo de pauperização generalizada, a desvalorização e a deslegitimação da minha profissão, bem como a consolidação de um arranjo político-institucional instável, submetido às vontades arrivistas de agentes políticos autoritários e desprezíveis.
Infelizmente, as forças políticas progressistas assistem isso ao lado do povo, vendo, à distância, seus sofrimentos e preocupações. Ao não se permitirem romper com o impasse produzido pela relação com as classes dominantes, em nome de uma suposta “governabilidade”, eles acabam contribuindo para que a alternativa apresentada enquanto antissistêmica seja, paradoxalmente, a reprodução de estruturas políticas que nos acompanham há séculos: agrupamentos movidos pela ganância entreguista, pelo arrivismo estúpido e pela disposição de instituir uma ordem constitucional contrarrevolucionária e autoritária. O que se apresenta como nascimento do novo, na prática, é a persistência do velho que continua vivo. São, em outras palavras, agentes políticos oriundos das classes dominantes — playboys e patricinhas que desprezam, quando não instrumentalizam, o patrimônio cultural e histórico do povo brasileiro — que se lançam como aqueles que, através de projetos assentados na produção da violência, da mentira, da desesperança e espoliação da mão de obra de pele não branca, vão “salvar” a população.
A extrema-direita, ou seja, o fascismo brasileiro vai persistir por mais alguns anos. Ainda não tivemos a coragem de expulsar seus representantes. Filhos de parentes e colegas meus crescerão cercados por uma ideologia que cultiva a morte, a desfaçatez e uma retórica simplista, segundo a qual os seus porta-vozes, de maneira autoritária, fazem o “possível” para os excluídos. É também por isso que o governo atual não deveria rebaixar seu discurso a esse nível. Afirmar, por exemplo, que o Senado e a Câmara são majoritariamente conservadores é uma constatação tão trivial quanto dizer que um cachorro é um mamífero ou que uma bola é redonda. Para escapar dessa arapuca em que nos encontramos, precisamos enterrar o velho e construir o novo a partir da projeção de uma nação impossível, mas cuja construção deve orientar a ação dos movimentos sociais populares e de agentes políticos comprometidos com a transformação radical da sociedade.
Isso implica enfrentar e superar o imperialismo, o neoliberalismo enquanto forma de vida produtora de solidariedade negativa e sofrimento social, o golpismo inconsequente e o fascismo enquanto estilo de vida e forma de organização da existência coletiva. A mediocridade dos quadros políticos progressistas atuais, nesse sentido, não pode enfraquecer nossa luta. Brasil é o país que teve Carlos Marighella, Antonieta de Barros, Luis Carlos Prestes e Leonel Brizola como figuras públicas disruptivas, capazes de imaginar e defender projetos de transformação social em seus respectivos contextos históricos. Não nos restam, portanto, referências e inspirações para conceber a construção de uma sociedade mais justa, na qual a democratização alcance não apenas as instituições políticas, mas a própria experiência cotidiana da vida.
Referências
Costa, Sergio. O nexo negligenciado entre convivialidade e desigualdade. Novos Estudos CEBRAP, São Paulo, v. 38, n. 1, p. 15-32, jan./abr. 2019. DOI: 10.25091/S01013300201900010003.
Faoro, Raymundo. Os donos do poder: formação do patronato político brasileiro. São Paulo: Globo, 2001.
Franco, Maria Sylvia de Carvalho. Homens livres na ordem escravocrata. 4. ed. São Paulo: Editora UNESP, 1997.
[1] https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1k2pk3p700o.
[2] Quadros políticos decanos do campo progressista falharam na missão que tiveram após a Constituinte. Não buscaram construir um outro Brasil na medida em que, confortavelmente, por conta da “correlação de forças”, escolheram atuar no jogo institucional de uma classe dominante traíra e, antes de qualquer coisa, mesquinha. A conta, com isso, está chegando: enquanto perdem força parlamentar e representativa na sociedade, seus algozes atuam para esmagar os alicerces democráticos da Constituição de 1988.
Gustavo Teixeira – Doutor em Filosofia (UFSC)
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