23 de setembro de 2026

Brasil tem 355 bets ilegais para cada plataforma autorizada

Levantamento aponta 66,4 mil domínios bloqueados desde 2025, mas monitoramento identificou 6,4 mil endereços clandestinos ativos
© Bruno Peres/Agência Brasil

O Brasil tem 355 domínios ilegais de apostas para cada plataforma autorizada, segundo a ANJL.
Desde jan/2025, 66.482 domínios ilegais foram bloqueados, mas 17,7% ainda são acessíveis.
Mercado clandestino representa 41% das apostas e pode crescer até 82% com proibição dos cassinos online.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O mercado ilegal de apostas esportivas e jogos on-line mantém uma oferta muito superior à do segmento autorizado no Brasil, apesar dos esforços do governo federal para retirar essas plataformas da internet. Desde o início do mercado regulado, o país registrou pelo menos 355 domínios de empresas sem autorização para cada endereço de uma plataforma autorizada pelo Ministério da Fazenda.

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O levantamento foi realizado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), entidade que reúne operadores regulados. Segundo os dados apresentados pela associação, existem atualmente 187 domínios vinculados a empresas autorizadas, enquanto 66.482 endereços de plataformas sem autorização foram bloqueados pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) desde janeiro de 2025.

A dimensão da oferta clandestina é mais difícil de controlar devido à capacidade das plataformas de substituir rapidamente os endereços bloqueados. Uma estimativa da ANJL, baseada em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), aponta que aproximadamente 11,8 mil dos domínios bloqueados podem continuar acessíveis, o equivalente a 17,7% do total.

O monitoramento realizado pela associação identificou ainda 6.409 domínios sem autorização funcionando normalmente entre 11 e 18 de setembro de 2026. O levantamento registrou também a criação de pelo menos 13,7 novos domínios por dia entre junho e agosto.

Bloqueios não eliminam oferta clandestina

A substituição constante de endereços é um dos principais obstáculos para a fiscalização do mercado. Segundo o levantamento, foram identificados 1.682 casos em que uma mesma marca deixou de operar em determinado domínio e reapareceu em outro.

Nos canais de mensagens monitorados pela associação, foram encontrados pelo menos cinco novos sites por dia entre junho e agosto. A dinâmica permite que operadores mantenham a oferta mesmo depois que endereços específicos são incluídos nas listas de bloqueio.

O cenário revela uma diferença estrutural entre a regulação de uma plataforma e o funcionamento do mercado clandestino. As empresas autorizadas precisam cumprir regras estabelecidas pelo governo, enquanto sites que operam fora do sistema não estão submetidos às mesmas exigências de fiscalização, tributação e proteção aos apostadores.

Entre as medidas existentes no mercado regulado está a restrição de apostas para beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo a ANJL, aproximadamente 3 milhões de beneficiários desses programas estão impedidos de apostar. O sistema também registrou mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão.

Essas barreiras, porém, não são obrigatórias para plataformas clandestinas. A associação afirma que a migração de apostadores para sites não autorizados pode reduzir a efetividade das medidas de proteção estabelecidas pelo poder público.

A existência de milhares de endereços clandestinos também representa uma questão fiscal. Plataformas que operam fora do mercado regulado não recolhem os tributos e não estão submetidas às mesmas obrigações impostas às empresas autorizadas.

A ANJL estima que o mercado sem autorização já responda por aproximadamente 41% das apostas realizadas no país. A entidade também simulou cenários para uma eventual proibição dos cassinos on-line e calculou que a participação do mercado clandestino poderia subir para entre 78% e 82%.

Nessa hipótese, segundo a associação, entre R$ 8,2 bilhões e R$ 19,1 bilhões anuais poderiam migrar para plataformas não autorizadas. A entidade estima ainda uma perda de arrecadação tributária entre R$ 3,6 bilhões e R$ 7,4 bilhões por ano.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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