25 de setembro de 2026

Apostas online podem afetar trajetória acadêmica de até 2 milhões de estudantes do ensino privado

Levantamentos do setor apontam que gastos com bets podem interferir no ingresso e na permanência de universitários; impacto também pode atingir beneficiários do Prouni e do Fies
© Bruno Peres/Agência Brasil

Cerca de 2 milhões de brasileiros podem ter a trajetória acadêmica afetada por gastos com apostas online no ensino superior privado.
Pesquisa da Abmes indica que 986 mil potenciais estudantes podem desistir da matrícula em 2026 por despesas com apostas.
14% dos alunos já matriculados atrasaram mensalidades ou trancaram curso devido a gastos com apostas, segundo levantamento do Semesp.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Os gastos com apostas online já aparecem associados a dificuldades para ingressar ou permanecer no ensino superior privado. Levantamentos realizados pelo setor indicam que cerca de 2 milhões de brasileiros podem ter a trajetória acadêmica afetada pelo comprometimento da renda com as chamadas bets.

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Os dados foram reunidos a partir de pesquisas da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), em parceria com a Educa Insights, e do Instituto Semesp. Segundo a Abmes, cerca de 986 mil potenciais estudantes poderiam deixar de efetivar a matrícula em instituições privadas em 2026 em razão de despesas com apostas.

Entre os alunos que já frequentam a graduação, 14% dos entrevistados afirmaram ter atrasado o pagamento de mensalidades ou trancado o curso por causa dos gastos com apostas. Considerando que a rede privada reúne mais de 8 milhões de matrículas, a aplicação desse percentual corresponde a mais de 1,1 milhão de estudantes.

A estimativa de aproximadamente 2 milhões de pessoas potencialmente afetadas resulta da soma desses dois grupos: aqueles que poderiam desistir da matrícula e os estudantes que já estão na graduação e relatam dificuldades relacionadas às apostas.

Outro levantamento, realizado pelo Instituto Semesp, reforça a relação entre apostas e dificuldades financeiras no ensino privado. Segundo a pesquisa, 19,1% das instituições consultadas disseram já ter identificado algum vínculo entre apostas online e inadimplência de estudantes.

Os números, no entanto, não indicam que as bets sejam a única causa das dificuldades financeiras ou da interrupção dos estudos. Fatores como renda familiar, situação de emprego e outras despesas também influenciam a capacidade de um aluno iniciar ou manter uma graduação. As pesquisas apontam que os gastos com apostas podem se somar a essas dificuldades e reduzir os recursos disponíveis para a educação.

Impacto

O comprometimento da renda com apostas pode representar uma barreira adicional tanto para quem pretende iniciar um curso superior quanto para quem já está matriculado. Antes da entrada na faculdade, os gastos podem pesar na decisão de efetivar a matrícula. Durante a graduação, podem contribuir para atrasos no pagamento das mensalidades ou até para o trancamento do curso.

A situação também pode ter reflexos entre estudantes que dependem de políticas públicas de acesso e financiamento, como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Mesmo quando o aluno conta com bolsa ou financiamento, permanecem despesas relacionadas à formação e ao cotidiano universitário.

Nesse contexto, a destinação de parte da renda para apostas pode reduzir os recursos disponíveis para custos associados aos estudos. O comprometimento financeiro também pode dificultar a situação de estudantes que precisam apresentar informações sobre renda e condições socioeconômicas para acessar ou manter benefícios educacionais, de acordo com as regras de cada programa.

Os levantamentos, portanto, apontam para uma possível relação entre o avanço das apostas online e dificuldades enfrentadas por parte dos estudantes do ensino superior privado, especialmente em um cenário no qual a renda disponível precisa ser dividida entre mensalidades, despesas pessoais e outros custos da formação acadêmica.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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