5 de junho de 2026

É necessário resgatar o papel histórico da Petrobras, diz engenheiro

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“É necessário resgatar o papel histórico da Petrobras”, diz engenheiro

por Sidney Rezende

O presidente do Clube de Engenharia, Pedro Celestino, é mais um brasileiro preocupado com o desenrolar da crise política brasileira. Diariamente ele conversa com autoridades, empresários e representantes dos mais variados segmentos econômicos do país, em busca de saídas em meio a uma acelerada caminhada para a depressão.

Ele diz que a maior preocupação da sua entidade, uma das mais tradicionais do país, é com o “emprego”. Celestino é taxativo: “É inadmissível que as políticas públicas não tenham como prioridade a manutenção dos empregos”.
Celestino dá outro alerta: “A entrega do nosso petróleo e o desmonte da Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento industrial, responsável por uma cadeia de mais de 5.000 fornecedores, nacionais e estrangeiros, é o símbolo maior da deliberada agressão ao nosso patrimônio”. A íntegra da entrevista.

Presidente, qual a real situação da engenharia brasileira neste momento?

A situação atual da engenharia brasileira é trágica. As crises política e econômica se retroalimentam e não permitem que os efeitos da operação Lava Jato sejam tratados de uma forma que preserve a capacidade gerencial, tecnológica e financeira das nossas maiores empresas de engenharia, pondo a perder patrimônio acumulado há 6 décadas. Observe-se, por exemplo, o que ocorre hoje com a Volkswagen: pilhada em fraude a mais de 8 milhões de clientes, é objeto de pesadíssimas multas, processos judiciais, cíveis e penais, mas não deixou de produzir um só veículo. Continua a sustentar empregos, a pagar impostos, a contribuir para o desenvolvimento dos países em que atua. Aqui, são impedidas de trabalhar, levando ao desemprego milhares de engenheiros e demais trabalhadores.

O senhor tem na sua agenda dos próximos dias encontros com o governador Pezão, dirigentes da ABIMAQ e outros empresários. O que o senhor espera deles neste momento de recessão e desemprego?

Hoje, a maior preocupação do Clube de Engenharia é com o emprego. O Brasil não está apenas em recessão. Estamos vivendo a maior depressão de nossa história. É inadmissível que as políticas públicas não tenham como prioridade a manutenção dos empregos e, pelo contrário, ajudem a deteriorar ainda mais o ambiente produtivo no país.

O senhor tem dito que vivemos um processo de desmonte no país? Com qual intuito e promovido por quem exatamente?

O Brasil é um país que tem extensão territorial, população e recursos naturais que fazem dele hoje uma das 10 maiores economias do mundo. É um país em construção, teve um desenvolvimento extraordinário entre os anos 30 e 80 do século passado. Adquiriu na década passada singular projeção internacional, integrando o G-20 e o BRICS, tornando-se referência entre os países em desenvolvimento, que buscam um mundo multipolar. O impeachment da presidente Dilma, que não cabe aqui analisar, colocou no poder um bloco de forças que tem como principal preocupação se livrar da Lava Jato e desconstruir, com a rapidez possível, as conquistas políticas, econômicas e sociais que são o arcabouço da sociedade brasileira de hoje.

A convivência promíscua entre empreiteiras e autoridades vem de longe.

É um bloco que tem como principais componentes o agronegócio, setor mais dinâmico da economia brasileira, preso, entretanto, à visão ideológica subalterna dos usineiros de açúcar, dos barões do café e dos coronéis do cacau de antanho, e as igrejas evangélicas, na sua maioria orientadas de fora, bloco esse que não se preocupa em nos reduzir à condição de simples exportadores de proteínas vegetais e animais, e de recursos minerais, pois não tem compromisso com a democracia, nem com o interesse nacional. A entrega do nosso petróleo e o desmonte da Petrobras, âncora do nosso desenvolvimento industrial, responsável por uma cadeia de mais de 5.000 fornecedores, nacionais e estrangeiros, é o símbolo maior da deliberada agressão ao nosso patrimônio.

A Operação Lava-Jato desnudou a realidade promíscua entre empreiteiras e autoridades. Quais as consequências deste processo para a engenharia brasileira?

A convivência promíscua entre empreiteiras e autoridades vem de longe, Getúlio já se referia ao “Partido dos Empreiteiros” nos anos 50 do século passado. Na década de 90, sob a égide neoliberal, abandonou-se o conceito de planejamento e vendeu-se à sociedade a ideia que a iniciativa privada era mais eficiente para operar serviços de utilidade pública. Foram então concedidos aos maiores empreiteiros os principais eixos rodoviários do país, o que lhes propiciou uma geração de caixa de tal monta, que passaram eles a operar como articuladores de negócios, empregando centenas de milhares de pessoas, oferecendo aos governantes programas de obras “que coubessem no período do mandato”, para que pudessem ter uso eleitoral. O país cresceu, mudou a escala do ganho. O poder desmedido das empreiteiras enfraqueceu a engenharia, pois passara m a ser responsáveis por todas as fases dos empreendimentos, estudos, projetos, execução e supervisão. A raposa tomou conta do galinheiro. É necessário voltar às boas práticas, internacionalmente consagradas: quem projeta não executa, quem fiscaliza não executa.

Qual a saída para crise atual?

 O atual governo não tem legitimidade para desconstruir o país, pois não é oriundo do voto popular. É necessário estabelecer ampla aliança de todas as forças vivas da nação, com foco na manutenção da democracia, na garantia dos direitos econômicos e sociais conquistados desde os anos 30, no combate ao desemprego e na preservação do patrimônio nacional. No limite, a solução poderá ser a antecipação da eleição direta do presidente da República. O risco que corremos, a prevalecer a atual política, é o de uma convulsão social.

Qual sua avaliação sobre os rumos da Petrobras?

 É necessário resgatar o papel histórico da Petrobras, uma das maiores petroleiras do mundo, e devolver-lhe a condição de âncora do nosso desenvolvimento industrial. Concluir empreendimentos inacabados, manter a política de conteúdo local e cancelar a isenção fiscal que goza o setor de óleo e gás são medidas indispensáveis à retomada do desenvolvimento. A bem da verdade o desmonte da Petrobras começou na gestão Bendine. Parente apenas dá continuidade à dilapidação dos ativos da empresa. É inadmissível que a empresa deixe de ter compromisso com o que é feito aqui, com o país.

O que querem as forças que apoiam o governo Temer? Qual a mensagem que o senhor considera indispensável a ser dada aos empresários e trabalhadores?

Como disse, não se preocupam com o desenvolvimento nacional, dedicam-se à desarticulação das principais cadeias produtivas que alavancam a nossa economia. A defesa das empresas aqui instaladas é também a defesa do emprego de milhões de trabalhadores.

 

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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6 Comentários
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  1. Álvaro Noites

    25 de janeiro de 2017 10:41 am

    Qual a opinião da porra do

    Qual a opinião da porra do CREA?

    Esse conselho poderia se prestar a tomar uma posição à respeito ao invés de ser um mero emissor de boletos anuais?

    1. ze sergio

      25 de janeiro de 2017 11:29 am

      qual….

      O CREA e todas as outras ditaduras das carteirinhas que corroem este país, e ficam caladas quando liberam prédios sem saídas de emergência para assassinar incinerados 250 jovens. Mas quanto a Petrobras e este país todo, não é preciso resgatar o seu papel histórico. É preciso resgatar um patrimônio exclkusivo e soberano nacional que es tá sendo entregue a interesses antagônicos e concorrentes aos nossos (para dizer o minimo) Vejam as guerras pelo Mundo para o controle do petróleo? Veja o que a Russia produz de tecnologia, poderio militar, influência militar e politica, condições excepcionais de vida e infraestrutura tendo apenas a “Petrobras deles”. O Brasil tem a Vale do Rio Doce, maiores reservas minerais do globo,  território gigantesco para a agropecuária e produção de alimentos durante o ano todo, sol pelos 365 dias do ano, maiores reservas de agua potável e mais isto, aquilo e aqulo outro….Se somente com petróleo, a Russia pode tudo isto que estamos vendo, impondo seus interesses frente ao planeta, como podemos ser tão atrasados, mediocres e limitados, com situação social tão deprimente e medieval? Agora, fazendo a maluquice e traição de entregar território nacional para uma base militar de outro país. E bem na entrada da Amazônia? Resgatemos nosso país enquanto é tempo. 

  2. drigoeira

    25 de janeiro de 2017 11:12 am

    Ferrovias!!!

    O desmonte das ferrovias foi criminoso e nunca terá reviravolta.

    Para a Petrobrás o destino será o mesmo…

  3. Marcelo33

    25 de janeiro de 2017 11:24 am

    Os novos empregados da

    Os novos empregados da petrobrás são todos neoliberalecos querendo a privatização da empresa…. o pessoal da petrobrás ligado a movimentos sindicais é a galera da antiga.

     

  4. emerson57

    25 de janeiro de 2017 11:42 am

    posição

    Aposição do CREA é no meio da mesa.

    Em cima de um prato:

  5. GEORGE Vidipo

    25 de janeiro de 2017 11:49 am

    Fora Dilma

    Eu sei de um engenheiro da Petrobras que participou do Fora Dilma e do PT. Quantos fizeram o mesmo? O certo que no período de massacre da empresa os técnicos superiores e os petroleiros nada fizeram para defende-la. Provavelmente pensaram que nada aconteceria com eles se mudasse de governo. Como sempre esqueceram a história, pois oposição (psdb) quase vendeu a empresa.  

    Agora penso que seja tarde!!!!

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