13 de outubro de 2026

Novas mensagens apontam Vorcaro como financiador de rede internacional de prostituição

Os diálogos também indicam que o banqueiro pretendia criar uma agência própria para intermediar a contratação das mulheres, inclusive refugiadas que estavam no Brasil
Daniel Vorcaro - Divulgação

Ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro financiou rede internacional de prostituição com mulheres brasileiras e estrangeiras.
PF investiga esquema que envolvia festas em São Paulo e viagens a cidades como Paris, Londres, Roma e Dubai.
Mensagens indicam controle de Vorcaro sobre contratações e pagamentos; inquérito apura possíveis crimes, incluindo tráfico.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Conversas obtidas pelo UOL indicam que o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro financiou, a partir de 2023, uma rede internacional de prostituição que recrutava mulheres brasileiras e estrangeiras para festas privadas, viagens e eventos com empresários e autoridades. Segundo a investigação jornalística, os gastos envolveram intermediários, uma agência de modelos e uma casa noturna em São Paulo, com investimentos de pelo menos R$ 4,3 milhões. O caso é investigado pela Polícia Federal (PF).

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As mensagens mostram Vorcaro participando diretamente da seleção das mulheres, da definição de pagamentos e das decisões sobre quem permaneceria no grupo. Entre as estrangeiras recrutadas estavam russas, ucranianas, venezuelanas, argentinas e polonesas. Os diálogos também indicam que o banqueiro pretendia criar uma agência própria para intermediar a contratação das mulheres, inclusive refugiadas que estavam no Brasil.

A PF abriu um inquérito em maio para investigar a participação de garotas de programa estrangeiras e possíveis irregularidades na contratação dos serviços. No Brasil, a prostituição não é crime, mas o favorecimento da atividade com finalidade de lucro por terceiros e a manutenção de estabelecimentos destinados à exploração da prostituição podem configurar crimes. Eventuais acusações de tráfico internacional de pessoas também dependem da apuração das circunstâncias, incluindo a existência de violência ou coação.

Os principais nomes citados na investigação jornalística são Leonardo Serrano, proprietário de uma empresa de eventos, e Diogo Batista, promotor de eventos em São Paulo que, segundo as mensagens, recebia R$ 120 mil mensais de Vorcaro. Procurados pelo UOL, os dois não responderam.

Refugiadas ucranianas

Um dos episódios relatados nas conversas envolve uma jovem ucraniana de 19 anos que chegou ao grupo em outubro de 2023, durante a organização de uma festa de Halloween. Após o evento, Vorcaro informou que deixaria de pagar hotéis e passagens para as estrangeiras que desejassem permanecer no Brasil.

A jovem continuou no país. Em novembro, Diogo Batista informou ao banqueiro que havia três refugiadas ucranianas no grupo. Vorcaro respondeu que queria que pelo menos uma delas permanecesse à sua disposição. Posteriormente, o promotor relatou que a jovem não poderia retornar à Ucrânia porque sua família considerava a volta insegura diante da guerra.

Nas conversas, Diogo sugeriu que as refugiadas fossem incorporadas à agência que pretendiam criar. Em dezembro de 2023, afirmou que uma das mulheres não tinha para onde ir e relatou os bombardeios na cidade de origem dela. Ao mesmo tempo, defendeu que ela permanecesse no grupo e pudesse ser contratada pela futura empresa.

A jovem chegou a ser incluída entre as mulheres encaminhadas para um jantar organizado por Vorcaro em São Paulo. Em abril de 2024, o banqueiro discutiu a possibilidade de dispensar mulheres russas e ucranianas e afirmou que faria uma seleção para decidir quem continuaria no grupo.

Participação em agência

As mensagens também indicam que Vorcaro negociou a compra de 50% da Allure Eventos, agência de modelos que, segundo a reportagem, era utilizada para recrutar mulheres para as festas. Em dezembro de 2023, ele recebeu um contrato que previa o pagamento de R$ 1,5 milhão pela participação. Em janeiro de 2024, Diogo Batista informou que o documento havia sido assinado.

As conversas mencionam três parcelas de R$ 500 mil, cobradas entre janeiro e maio de 2024. Um comprovante encontrado no celular de Vorcaro indicaria que o último pagamento foi realizado por Pix, por meio da Super Empreendimentos, empresa utilizada pelo banqueiro, para uma conta ligada a Felipe Nisti Cataldo, proprietário da agência.

Procurado pelo UOL, Nisti afirmou que Vorcaro demonstrou interesse no negócio, mas negou que a negociação tenha sido concluída nos termos relatados nas mensagens. Sobre a transferência de R$ 500 mil, disse que precisaria verificar a origem do pagamento e explicou que possui uma empresa de tecnologia e um imóvel alugado.

A ideia de utilizar uma agência para intermediar a contratação das mulheres havia sido apresentada a Vorcaro em outubro de 2023. Segundo as conversas, o objetivo seria organizar as contratações de maneira indireta. Nos meses seguintes, o banqueiro passou a solicitar a busca de novas mulheres em diferentes regiões do Brasil, além de discutir a abertura de uma casa para acomodar modelos e a contratação de funcionárias.

Em maio de 2024, Diogo sugeriu dividir as mulheres em dois grupos: um destinado a eventos privados com Vorcaro e outro para festas com maior número de participantes. Os diálogos mostram que o banqueiro participava das decisões sobre seleção, contratação e pagamentos, enquanto o promotor atuava na organização das atividades.

Festas e viagens internacionais

A rede também organizava eventos em cidades como Paris, Londres, Roma e Dubai. De acordo com as mensagens, a logística ficava a cargo de Leonardo Serrano, proprietário da SL Consulting, empresa sediada na Flórida. Ele intermediava o recrutamento de mulheres por promotores locais, organizava passagens e hospedagens e liberava recursos para as participantes.

Em uma festa de Halloween realizada em 2023 na boate Madame Satã, em São Paulo, Serrano teria contabilizado 74 mulheres, enquanto Diogo levou outras 40, hospedadas em 21 quartos do hotel Rosewood. Em mensagens posteriores, Vorcaro reclamou do volume de mulheres recrutadas e dos custos envolvidos.

Os diálogos também citam eventos em Londres com a presença de autoridades de Brasília. Em uma dessas ocasiões, em abril de 2024, Vorcaro pediu que funcionários de Serrano levassem mulheres ao seu quarto de hotel. Segundo as conversas, 99 mulheres foram mobilizadas para trabalhar no evento.

Em outra viagem à capital britânica, realizada em março daquele ano, os envolvidos discutiram a contratação de mulheres e profissionais do sexo masculinos para uma casa noturna. As mensagens indicam ainda que, antes de um dos eventos, Serrano sugeriu retirar os celulares das mulheres.

Em uma festa na França, em junho de 2024, Vorcaro discutiu a liberação de dinheiro para compras para as participantes. Já em outubro, durante uma viagem a Roma, os organizadores contabilizaram dezenas de mulheres recrutadas por diferentes grupos, parte delas vinda do Brasil. Algumas seguiram posteriormente para Dubai.

A reportagem também identificou documentos de cobrança emitidos pela SL Consulting. Foram localizadas 21 faturas referentes ao período entre abril de 2024 e março de 2025, que somariam cerca de US$ 70 milhões. Os documentos eram encaminhados à Moriah Asset, gestora de Belo Horizonte, como despesas antecipadas de eventos, hospedagem, hospitalidade e fretamentos, e depois repassados ao setor financeiro do Banco Master.

As despesas com mulheres contratadas no Brasil eram direcionadas, segundo as mensagens, à empresa Prime You. Diogo também recebia pagamentos por meio de Serrano e transferências diretamente em sua conta. Em janeiro de 2025, Vorcaro determinou que não fossem mais realizados pagamentos relacionados a Diogo.

Mensagens indicam controle sobre contratações

Os diálogos reproduzidos pelo UOL apontam que Vorcaro exercia influência sobre as decisões da rede, enquanto Diogo organizava a execução das ordens. O promotor se referia ao banqueiro como chefe e afirmava que aguardava sua autorização para realizar pagamentos e definir quais mulheres permaneceriam no grupo.

As conversas também registram referências depreciativas às mulheres, chamadas de “escravas” e outros termos pejorativos pelos envolvidos. As mensagens mostram discussões sobre condições de contratação, seleção de novas participantes e substituição de mulheres que já integravam o grupo.

Um dos episódios descritos pela reportagem envolve a organização de uma festa de aniversário para uma jovem que completaria 19 anos. Nas conversas, os envolvidos utilizaram um apelido associado a um cereal infantil para se referir a ela e discutiram presentes, decoração e despesas do evento. Vorcaro demonstrou preocupação com a pouca idade da jovem, enquanto Diogo afirmou que ela estava preparada para participar do grupo.

Em outros diálogos, os envolvidos discutiram a contratação de mulheres por meio da agência, a obtenção de vistos e a realização de entrevistas para selecionar novas participantes.

Embora as mensagens indiquem a existência de uma estrutura organizada de recrutamento, pagamentos e deslocamentos internacionais, a eventual caracterização de crimes, incluindo tráfico de pessoas, depende da investigação das autoridades e da comprovação dos elementos exigidos pela legislação.

*Com informações do UOL.

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