18 de outubro de 2026

Estudos apontam aumento de casos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos

Diagnósticos de diferentes tipos de câncer têm crescido entre adultos jovens em vários países, com destaque para o câncer colorretal
Foto de National Cancer Institute na Unsplash

O câncer colorretal em jovens dobrou na Inglaterra entre 2001 e 2023, segundo dados do WCRF.
Aumento do câncer colorretal precoce foi identificado em 27 países, incluindo Chile, Argentina e Brasil.
Obesidade e dieta são fatores de risco; especialistas recomendam hábitos saudáveis e políticas públicas.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O número de diagnósticos de câncer entre pessoas com menos de 50 anos aumentou nas últimas duas décadas, segundo estudos internacionais. Um dos casos que mais chamam a atenção é o câncer colorretal, também conhecido como câncer de intestino, cuja incidência cresceu em diferentes regiões do mundo. Pesquisadores, no entanto, ainda investigam se esse avanço reflete um aumento real da doença ou se está relacionado, em parte, à identificação mais precoce dos tumores.

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Dados do Fundo Mundial de Pesquisa do Câncer (WCRF, na sigla em inglês), que analisou registros da Inglaterra, dos Estados Unidos e da Holanda, apontam crescimento de novos casos de sete tipos de câncer na população inglesa. Entre 2001 e 2023, a taxa de diagnósticos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos na Inglaterra dobrou, passando de aproximadamente um caso a cada 26 mil pessoas para um a cada 12 mil.

Apesar do avanço, especialistas ressaltam que o câncer continua sendo relativamente raro entre adultos jovens. Amy Berrington de Gonzalez, professora de epidemiologia clínica do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, afirma que o aumento percentual deve ser analisado considerando o número ainda reduzido de casos nessa faixa etária.

Câncer colorretal avança em diferentes países

Um estudo publicado em 2025, com dados de registros de 50 países e territórios até 2017, identificou aumento nas taxas de câncer colorretal de início precoce em 27 dessas regiões. Na América Latina, o crescimento foi observado no Chile, na Argentina, no Equador, na Costa Rica e em Porto Rico. O Chile registrou uma das maiores altas, próxima de 4% ao ano.

No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Entre os tipos que exigem atenção estão os cânceres de colo do útero e colorretal, que apresentam possibilidades de prevenção e detecção precoce.

Para Marc Gunter, professor de epidemiologia do câncer no Imperial College London, mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida podem ajudar a explicar parte do fenômeno. Na América Latina, a maior presença de alimentos ultraprocessados na dieta e o aumento do sedentarismo estão entre os fatores investigados.

Outro levantamento, publicado em 2025, comparou dados de 42 países entre 2003 e 2017 e identificou aumento de seis tipos de câncer — tireoide, mama, colorretal, rim, útero e leucemia — entre pessoas de 20 a 49 anos na maioria dos países analisados.

Com exceção do câncer colorretal, esses tipos também apresentaram crescimento entre adultos com 50 anos ou mais. A doença intestinal, porém, mostrou um comportamento particular: em cerca de um terço dos países estudados, os casos cresceram mais rapidamente entre os adultos jovens do que entre os mais velhos.

Diagnósticos precoces ou aumento real da doença?

Uma das dificuldades dos pesquisadores é determinar se o crescimento dos registros representa mais pessoas desenvolvendo câncer ou apenas a identificação de tumores que antes passavam despercebidos.

Um estudo realizado nos Estados Unidos sobre câncer de pâncreas entre pessoas de 15 a 39 anos identificou aumento principalmente nos tumores diagnosticados em estágio inicial, enquanto as taxas de mortalidade permaneceram estáveis. O resultado sugere que a ampliação da conscientização e o acesso a exames podem ter contribuído para o crescimento dos diagnósticos.

No caso do câncer colorretal, entretanto, alguns estudos americanos também apontaram aumento de tumores em estágios avançados. Esse dado reforça a hipótese de que, ao menos em parte, esteja ocorrendo um crescimento real da incidência da doença.

Segundo Berrington de Gonzalez, compreender as causas exige pesquisas que considerem diferentes faixas etárias. Quando o aumento ocorre tanto entre jovens quanto entre pessoas mais velhas, os fatores envolvidos podem ser amplamente disseminados na população, o que torna necessário evitar explicações simplificadas.

Obesidade e alimentação estão entre os fatores de risco

A obesidade é reconhecida como fator de risco para pelo menos 13 tipos de câncer pela Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma revisão de estudos publicada em 2021 apontou que adultos jovens com obesidade tinham quase o dobro da probabilidade de desenvolver câncer colorretal antes dos 50 anos.

A condição também se tornou mais frequente nas últimas décadas. Segundo a OMS, as taxas de obesidade entre adultos dobraram desde os anos 1990, enquanto entre adolescentes quadruplicaram.

A alimentação também influencia o risco. Carnes processadas são classificadas como cancerígenas, e o consumo de álcool está associado ao desenvolvimento de diferentes tipos da doença. Em contrapartida, uma dieta rica em fibras, presentes em frutas, verduras, grãos integrais e leguminosas, contribui para reduzir o risco de câncer colorretal.

As possíveis relações entre alimentos ultraprocessados, microplásticos e o desenvolvimento de tumores também vêm sendo investigadas. Gunter, porém, ressalta que as evidências disponíveis ainda são inconclusivas e que são necessários mais estudos para determinar o papel desses fatores.

Hábitos saudáveis podem ajudar na prevenção

Especialistas defendem medidas que incentivem a atividade física, a alimentação equilibrada e a manutenção de um peso saudável. Gunter ressalta, contudo, que a prevenção não deve responsabilizar individualmente as pessoas por hábitos influenciados pelas condições sociais, pela oferta de alimentos e por rotinas de trabalho sedentárias. Para ele, políticas públicas de saúde são fundamentais para promover mudanças duradouras.

Entre as recomendações para reduzir os riscos estão praticar exercícios regularmente, consumir mais frutas, verduras e alimentos ricos em fibras e limitar a ingestão de carnes processadas e álcool.

Apesar do aumento observado em diferentes países, os pesquisadores reforçam que o câncer permanece relativamente incomum entre pessoas com menos de 50 anos. A principal preocupação é compreender por que determinados tumores, especialmente o colorretal, estão se tornando mais frequentes nessa população e como fortalecer as estratégias de prevenção e diagnóstico precoce.

*Com informações do g1.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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