20 de outubro de 2026

Milei quer cortar mais 20 mil vagas no Estado argentino

Além de fechar vagas, servidor que aderir ao desligamento voluntário não poderá voltar ao serviço público por oito anos; sindicato denuncia pressão
Javier Milei, presidente da Argentina. Foto: Gage Skidmore - via Flickr

Governo argentino lança plano de desligamento voluntário para até 20 mil servidores públicos com compensações financeiras.
Desde dezembro de 2023, 72 mil vagas foram eliminadas; medida visa reduzir despesas e cortar impostos, diz governo.
Sindicato ATE critica pressão para adesão e proibição de retorno por 8 anos; compensações variam conforme idade e tempo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O governo do presidente argentino Javier Milei lançou um novo plano de desligamento voluntário para reduzir o número de funcionários públicos. A iniciativa, oficializada pelo Decreto 1.203/2026, prevê compensações financeiras para servidores que aceitarem deixar seus cargos e pode alcançar cerca de 20 mil trabalhadores, segundo estimativas divulgadas pela imprensa argentina.

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Desde que Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, mais de 72 mil postos de trabalho foram eliminados na administração pública, de acordo com os números citados pelo jornal Página/12. O novo programa faz parte da política de redução do Estado defendida pelo governo, que promete diminuir despesas públicas para abrir espaço à redução de impostos.

A medida foi assinada por Milei, pelo chefe de Gabinete, Diego Santilli, e pelo ministro da Desregulamentação e Transformação do Estado, Federico Sturzenegger, responsável pela condução da iniciativa.

O plano prevê o pagamento de uma compensação financeira calculada conforme a idade, o salário e o tempo de serviço do trabalhador. Em contrapartida, quem aderir não poderá voltar a ocupar um cargo na Administração Pública Nacional por oito anos, conforme as regras do programa. O governo afirma que a iniciativa permitirá adequar o tamanho da máquina pública às funções que considera necessárias.

Entretanto, a Associação de Trabalhadores do Estado (ATE), principal sindicato do funcionalismo argentino, rejeita a apresentação do programa como uma oportunidade de saída voluntária. Segundo a entidade, funcionários públicos estão sendo pressionados e intimidados para aceitar as condições oferecidas pelo governo.

O secretário-geral do sindicato, Rodolfo Aguiar, classificou a iniciativa como um “despido extorsivo”, expressão usada para denunciar uma situação em que o trabalhador se sente obrigado a aceitar o desligamento diante da ameaça de perder o emprego sem uma alternativa.

A entidade também critica a proibição de retorno ao serviço público por oito anos e afirma que o governo utiliza a redução salarial, a retirada de tarefas e as ameaças de demissão como instrumentos de pressão.

Representantes sindicais afirmam que a redução de pessoal prejudica tanto os trabalhadores quanto a execução de políticas públicas destinadas à população mais pobre. Entre as críticas estão a diminuição do atendimento social e as dificuldades enfrentadas por organizações que mantêm refeitórios populares.

Como funcionam os desligamentos

O programa é destinado a servidores efetivos da administração pública centralizada e a trabalhadores com contratos por tempo indeterminado. Ficam de fora integrantes das Forças Armadas, das forças de segurança e policiais, da Secretaria de Inteligência, do Sistema Federal de Manejo do Fogo, das orquestras e dos balés nacionais, além de funcionários que prestam serviços no exterior.

Também não podem participar trabalhadores colocados em disponibilidade — situação em que o servidor fica afastado de suas funções em processos de reorganização administrativa — nem aqueles que se enquadrem nas demais exclusões previstas no decreto.

O valor da compensação varia conforme o perfil do trabalhador. Para quem está próximo da aposentadoria, mas não reúne contribuições suficientes para se aposentar, uma das opções é receber mensalmente 60% da remuneração bruta por até 36 meses.

Há também modalidades de pagamento em parcela única ou em prestações, com limites definidos pelas regras do programa. Para o cálculo, porém, será considerada a antiguidade reconhecida no quadro permanente, e não necessariamente todo o período em que a pessoa trabalhou para o Estado.

A distinção é relevante porque parte do funcionalismo argentino passou anos em contratos temporários antes de conseguir estabilidade. Assim, o tempo considerado para calcular a compensação pode ser inferior ao período total de trabalho.

Outro ponto é que as vagas dos servidores que aderirem serão extintas. Isso significa que o desligamento não será tratado apenas como a saída de um funcionário, mas também como a eliminação do respectivo posto da estrutura pública. A inscrição está prevista para ocorrer entre 1º e 30 de novembro, com possibilidade de prorrogação por até 30 dias.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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