A França enfrenta neste sábado (24) uma ampla jornada de manifestações impulsionada pela insatisfação com o custo de vida e pelo repúdio ao avanço da extrema direita. Sob um esquema de segurança que mobilizou 70 mil agentes, as autoridades registraram 135 prisões preventivas até o início da tarde em diversas regiões do país.
O clima de tensão foi agravado por um ataque a tiros com motivação racista ocorrido na sexta-feira (23) em Trappes e La Verrière, a sudoeste de Paris, que terminou com um morto e cinco feridos.
Ao todo, mais de 700 atos foram convocados por sindicatos, estudantes e o movimento dos “coletes amarelos“. O epicentro político da mobilização é Orléans, no centro-norte francês, onde o partido de extrema direita Reunião Nacional (RN) realiza seu congresso. Segundo a prefeitura local, 11 mil pessoas participavam do protesto anti-RN no início da tarde; os organizadores estimavam 26 mil.
“Para nós, o RN nunca será um partido como os outros. É um partido perigoso para a nossa democracia (…) estamos em um momento decisivo”, afirmou a secretária-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Sophie Binet.
Atentado e investigação
O ataque a tiros na véspera intensificou o apelo das lideranças para que a população fosse às ruas. De acordo com as investigações preliminares, agora sob responsabilidade do Ministério Público Antiterrorista, o suspeito, identificado como Kevin T., de 39 anos, mirou especificamente pedestres de origem africana ou árabe. Ele e sua mãe estão detidos.
O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagayoko, associou a violência à retórica anti-imigração. “Este é mais um de tantos atentados racistas, xenófobos (…) Agora precisamos agir. E agir significa, naturalmente, estarmos presentes em grande número hoje”, declarou Bagayoko.
Segurança e bloqueios
Sob a jusficativa de evitar a repetição de saques e depredações registrados na última semana, o ministro do Interior, Laurent Nunez, determinou o emprego de unidades de elite, veículos blindados e helicópteros. Nas abordagens que resultaram nas 135 prisões iniciais, agentes apreenderam bolas de metal, fogos de artifício, armas de airsoft e até uma katana.
Houve registros isolados de confronto. Em Lyon e Pau, forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar grupos que bloqueavam vias ou protestavam fora de áreas permitidas.
Na capital francesa, temendo distúrbios, a polícia alterou o trajeto da principal passeata sindical, deslocando-a do centro para a periferia sul. Pontos turísticos, incluindo o Museu do Louvre e o Museu d’Orsay, fecharam as portas neste sábado, e comerciantes ergueram barricadas nas vitrines.
Toques de recolher noturnos foram impostos em áreas específicas de Paris e também em Orléans, onde a medida restringe a circulação de menores de 15 anos.
Com informações da RFI, G1 e agências
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