O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prometeu fazer “o melhor mandato que um presidente já fez na história desse país” e defendeu a regulação das plataformas digitais durante o discurso da vitória, realizado neste domingo (25), em um hotel em São Paulo.
Em uma virada histórica, Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), com 99,99% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 23h08.
Ao lado de aliados e integrantes do governo, Lula afirmou que a vitória representou uma resposta da sociedade à desinformação e àquilo que classificou como intromissão externa por meio das plataformas digitais. Para o presidente, os crimes cometidos no ambiente virtual devem receber tratamento equivalente aos praticados no mundo real.
“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime do mundo digital tenha que ser tratado igual ao crime do mundo real”, afirmou.
Lula também agradeceu aos eleitores, criticou a disseminação de mentiras durante a campanha e afirmou que pretende usar os próximos dois meses para discutir as prioridades do novo governo com empresários, educadores, cientistas e representantes de diferentes setores da sociedade.
Gratidão aos eleitores e defesa da democracia
Antes de Lula discursar, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a participação popular na eleição e agradeceu aos brasileiros, com menções especiais aos jovens, às mulheres e aos idosos.
Na sequência, Lula também agradeceu aos eleitores e ressaltou a participação da juventude na mobilização em defesa da democracia durante a campanha. O presidente mencionou ainda o comparecimento às urnas e afirmou que sua candidatura conseguiu convencer eleitores da importância do voto para a preservação democrática.
“Nós tivemos o menor número de abstenções da história desse país. Nós tivemos o menor número de votos nulos desse país”, declarou.
Lula também destacou a mobilização realizada na Avenida Paulista, em São Paulo, na véspera da votação. Segundo ele, a quantidade de participantes e o entusiasmo demonstrado durante o ato foram marcantes.
O presidente relatou ter ficado emocionado ao ouvir a multidão cantar o Hino da Independência diante do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Para Lula, a manifestação demonstrou que o país não aceita ocupar uma posição subordinada no cenário internacional.
Críticas à desinformação e às plataformas digitais
Ao comentar a campanha eleitoral, Lula afirmou que a disputa foi marcada pela circulação de mentiras e criticou o comportamento de seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), durante os debates.
O presidente disse já ter participado de diversas eleições e de reuniões com líderes internacionais, mas afirmou que nunca havia se deparado com um adversário que, em sua avaliação, mentisse com tanta frequência.
Lula também defendeu que as plataformas digitais sejam submetidas a regras para responsabilizar crimes cometidos no ambiente virtual. Segundo ele, a eleição evidenciou a necessidade de enfrentar a influência da desinformação sobre o debate público.
A regulação das redes sociais, portanto, aparece entre os temas que o presidente pretende colocar em discussão no próximo mandato.
Lula promete novo governo e planejamento nos próximos meses
Além de defender as realizações de seu atual governo e mencionar a atuação de ministros presentes no evento, como Marina Silva, do Meio Ambiente, e Alexandre Padilha, da Saúde, Lula afirmou que pretende dedicar os próximos meses à preparação do novo mandato.
“Tenho dois meses para discutir o governo. Quero me reunir com os empresários, os educadores, os cientistas, as mulheres”, declarou.
Ao completar 80 anos nesta terça-feira (27), Lula disse que pretende se dedicar integralmente à administração federal e reiterou o compromisso de fazer do quarto mandato o melhor de sua trajetória presidencial.
“Vou dedicar 24 horas para fazer desse país um país que todo mundo sonha, um país em que as pessoas saibam que vão dormir e vão acordar com muita tranquilidade”, afirmou.
Ao final do discurso, Lula também fez referência à própria trajetória eleitoral, lembrando que nunca venceu uma eleição presidencial no primeiro turno, mas nunca perdeu uma disputa no segundo.
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