26 de outubro de 2026

A queda nos mercados e o jogo do mico preto, por Luís Nassif

Não se assuste com a queda nos mercados futuros de índices de bolsa e dólar. Faz parte do jogo de apostas do mercado de derivativos

Queda nos mercados futuros reflete apostas em contratos de derivativos, sem movimentação de ativos reais.
Estrangeiros venderam antes do primeiro turno, compraram após; investidores brasileiros fizeram o oposto.
Desmontagem de posições especulativas explica queda, não deterioração econômica imediata.

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Não se assuste com a queda nos mercados futuros de índices de bolsa e dólar. Faz parte do jogo de apostas do mercado de derivativos – a bet do mercado financeiro.

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O jogo é simples.

O investidor A vende um contrato se dispondo a adquirir determinado volume de ativos no vencimento. Na outra ponta, o Investidor B compra o contrato. No vencimento, se o valor dos ativos for superior ao do contrato, quem vendeu tem que pagar a diferença. E vice-versa. Nesse jogo não entram ativos reais. As cotações do mercado à vista servem apenas como referência para os contratos de derivativos.

A jogada é simples:

  1. Define-se o momento de corte, ou o vencimento dos contratos ou alguma data com significado econômico. Em outros tempos, fizeram isso com a votação de um projeto sobre Previdência Social.
  2. Na fase inicial, os profissionais saem comprando os contratos, elevando suas cotações. Os amadores vão atrás.
  3. Quando vai se aproximando o desfecho da operação – o dia da votação do projeto -, os profissionais começam a se desfazer de suas posições. Como os amadores continuam comprando, os índices sobem mais um pouco.
  4. Chegando o dia, seja qual for o resultado da votação, o mercado desaba, porque os últimos profissionais saem correndo e, com a queda, há a debandada dos amadores, aprofundando ainda mais o prejuízo. Quem sai por último, morre com o mico – uma imagem do mercado em torno do baralho do Mico Preto.

É o que está acontecendo agora. Fosse qual fosse o resultado das eleições, haveria queda das cotações, menos com Flávio Bolsonaro, mais com Lula.

O jogo se comportou assim:

  1. Na semana anterior ao fim do primeiro turno, os estrangeiros passaram a vendas e as pessoas físicas a comprar.
  2. Após o primeiro turno, os estrangeiros compraram fortemente, especialmente em 5 de outubro, quando registraram saldo positivo de R$ 10,06 bilhões.
  3. Já os investidores individuais brasileiros fizeram o movimento contrário, com vendas líquidas de R$ 5,40 bilhões naquele mesmo dia.
  4. Na semana anterior ao segundo turno, houve a inversão. Os estrangeiros passaram a vender e as pessoas físicas a comprar
  5. No período de 19 a 22 de outubro, saíram R$ 1,87 bilhão de recursos estrangeiros e entraram R$ 2,59 bilhões de pessoas físicas. Que morreram com o Micro Preto.

Ou seja, parte expressiva da queda representou a desmontagem de posições especulativas, e não necessariamente uma avaliação fundamentada de deterioração econômica ocorrida em poucas horas.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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