O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar afirmou que a medida foi motivada por uma declaração de seu irmão, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que defendeu sua saída do Brasil caso perdesse a eleição presidencial.
Segundo Flávio, a intimação ocorreu na rua, quando deixava o condomínio onde mora, em Brasília, para visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
O senador também afirmou estar proibido de deixar o país e classificou a decisão como uma tentativa de intimidação política. Ele questionou se a mesma medida teria sido adotada caso tivesse vencido a eleição e declarou que pretende entregar os documentos e recorrer da decisão.
Na última sexta-feira (23), Eduardo Bolsonaro havia defendido, em entrevista a um programa dos Estados Unidos, que o irmão deixasse o país em caso de derrota nas urnas. Na mesma conversa, o deputado cassado afirmou que Flávio deveria contestar o resultado eleitoral caso não fosse eleito.
Flávio negou ter manifestado intenção de deixar o Brasil e questionou o uso da declaração do irmão como fundamento para a medida judicial.
Com a derrota eleitoral, Flávio Bolsonaro permanecerá no Senado até fevereiro de 2027, quando termina seu mandato. Porém, a saída do Congresso não significa necessariamente que os inquéritos serão transferidos para a primeira instância.
Em março de 2025, o Supremo firmou entendimento de que processos relativos a crimes cometidos durante o exercício de um cargo público e em razão das funções desempenhadas podem permanecer na Corte mesmo após o fim do mandato.
Vale lembrar que o senador é investigado em um inquérito relatado por Alexandre de Moraes, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento relacionadas ao advogado Willer Tomaz.
A investigação teve origem em um procedimento conduzido pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul e foi encaminhada ao Supremo após os investigadores identificarem referências ao senador, que possui foro por prerrogativa de função.
Na última sexta-feira, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer Tomaz, além da quebra de seus sigilos bancário, fiscal e cambial. Também foram determinadas medidas para suspender atividades econômicas e empresariais de companhias relacionadas ao advogado.
Entre os elementos analisados pela PF está uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, ligada a Tomaz, na qual Flávio aparecia cadastrado com acesso privilegiado, identificado como “master”. Os investigadores buscam esclarecer a natureza desse vínculo e verificar se houve movimentação de recursos pelo senador.
Flávio também é investigado em outro inquérito no Supremo, sob relatoria do ministro André Mendonça, que apura suspeitas relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Nesse caso, a Polícia Federal investiga tratativas do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para obter recursos destinados à produção cinematográfica.
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