28 de outubro de 2026

Avanço palestino pressiona oposição e ameaça Netanyahu em Israel

Projeções eleitorais indicam aumento da representação palestina no Parlamento de Israel, obrigando a oposição a negociar com partidos árabes por maioria
Foto de Shalev Cohen na Unsplash

Partidos palestinos podem conquistar até 18 cadeiras no Knesset, aumentando seu poder político em Israel.
Bloco oposicionista e coalizão de Netanyahu empatam, sem maioria clara para formar governo no Parlamento.
Negociações com partidos palestinos são chave; impasse pode favorecer retorno de Netanyahu ao poder.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O avanço de partidos palestinos nas eleições parlamentares de Israel pode redesenhar o cenário político do país e dificultar a permanência de Benjamin Netanyahu no poder.

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Projeções de boca de urna divulgadas na terça-feira (27) indicaram que as legendas palestinas podem conquistar de 17 a 18 cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, ante as 10 da legislatura anterior.

Segundo análise publicada pelo The Guardian, o resultado coloca a oposição diante de uma escolha decisiva: negociar com partidos árabes para tentar formar um governo ou abrir espaço para que Netanyahu encontre uma nova estratégia de sobrevivência política.

As projeções indicaram empate entre o bloco oposicionista liderado por Gadi Eisenkot e a coalizão governista. Mesmo que o Likud, partido de Netanyahu, permaneça como a maior legenda individual, nenhum dos dois campos teria alcançado as 61 cadeiras necessárias para garantir maioria no Parlamento, composto por 120 assentos.

Partidos palestinos ganham poder de negociação

Para formar um governo, Eisenkot precisaria negociar com os partidos palestinos Lista Conjunta e Ra’am, o que representaria uma mudança importante na dinâmica política israelense. A Ra’am, liderada por Mansour Abbas, é considerada uma interlocutora mais acessível para a oposição, já que participou anteriormente de um governo de orientação à direita.

Abbas também declarou que sua prioridade eleitoral era derrotar Netanyahu e os ministros Bezalel Smotrich e Itamar Ben-Gvir. Ainda assim, as sete cadeiras projetadas para a Ra’am poderiam não ser suficientes para assegurar uma maioria, mesmo com o apoio dos demais integrantes do bloco oposicionista.

As negociações com a Lista Conjunta, que poderia conquistar 11 ou mais assentos, tendem a ser mais difíceis. Eisenkot estabeleceu condições para uma eventual aliança, entre elas o reconhecimento de Israel como Estado judeu e democrático, a aceitação dos valores da declaração de independência israelense, o serviço militar obrigatório para cidadãos palestinos de Israel e a condenação do Hamas como organização terrorista.

Amjad Shbita, secretário-geral do Hadash, partido socialista que integra a Lista Conjunta, rejeitou a ideia de que a oposição pudesse impor unilateralmente suas condições. Segundo ele, as negociações precisariam ocorrer em condições de igualdade, porque os dois lados dependem um do outro.

Impasse pode abrir caminho para retorno de Netanyahu

Sem um acordo com um ou ambos os partidos palestinos, Eisenkot poderia tentar governar como minoria, negociando apoio parlamentar caso a caso. A alternativa, porém, seria instável e poderia levar a novas eleições.

Esse cenário abriria uma oportunidade para Netanyahu recuperar apoio entre os eleitores judeus conservadores e reforçar sua narrativa política contra a esquerda e os partidos palestinos. O premiê já demonstrou capacidade de retornar ao poder após períodos de enfraquecimento, graças à habilidade de negociar alianças.

Entretanto, uma eventual sobrevivência política de Netanyahu poderia depender justamente da incapacidade de seus adversários de chegar a um acordo histórico com os partidos palestinos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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