O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,75% e 4% em reunião realizada nesta quarta-feira (28), mas a decisão não foi unânime. A governadora Lisa Cook e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual, em meio à preocupação com a inflação persistente.
Segundo a economista Bruna Centeno, sócia e advisor da Blue3 Investimentos, a manutenção já era esperada pelo mercado. A atenção dos investidores se voltou para o comunicado do Fed e para os sinais sobre os próximos passos da política monetária, diante das incertezas geopolíticas e da pressão recente dos preços do petróleo.
Embora o presidente do Fed, Kevin Warsh, tenha indicado que vê avanços no combate à inflação, os preços continuam acima da meta de 2% do banco central. Para Centeno, a alta do petróleo acrescenta riscos à trajetória inflacionária e pode levar a novos aumentos de juros caso a pressão sobre os preços persista.
A economista também aponta sinais mistos na atividade econômica. O consumo doméstico continua sustentando o crescimento, enquanto os ganhos de produtividade das empresas contribuem para a resiliência da economia. No mercado de trabalho, porém, a criação de vagas convive com sinais de arrefecimento do emprego.
O Fed afirmou que precisa de mais informações para avaliar a orientação adequada da política monetária e descreveu a atividade econômica como forte. A persistência da inflação, combinada às incertezas geopolíticas, mantém os juros em patamar elevado e pode pressionar as taxas de longo prazo nos próximos meses.
Dissenso de Lisa Cook amplia tensão com Trump
De acordo com o site Axios, o voto contrário de Lisa Cook marcou sua primeira divergência em uma decisão de política monetária do Fed. A governadora enfrenta uma tentativa do presidente Donald Trump de removê-la do cargo, sob acusações de fraude hipotecária que seus advogados classificam como pretexto. A Suprema Corte já havia se posicionado a favor de Cook em uma tentativa anterior de afastamento.
Warsh também anunciou mudanças na agenda de reuniões do banco central. A partir do próximo ano, uma das oito reuniões anuais será dedicada exclusivamente à estratégia de política monetária, sem decisão sobre juros ou comunicado previsto. Em 2028, a proposta é reservar duas reuniões para discussões estratégicas.
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