Uma campanha incomum, por Edivaldo Dias de Oliveira
Domingo, 25 de outubro, saí da região de Interlagos em direção a Lapa para votar, como faço em todas as eleições, amigos e parente me perguntam por que não faça a transferência e prefiro votar tão longe. A Lapa é um lugar de memória, onde morei e trabalhei na subsede do sindicato dos bancários e onde a minha militância amadureceu.
Pois bem, na longa ida de trem até Osasco e depois outro trem até a Lapa, bem como na volta, que preferi vir de ônibus, num trajeto ainda mais longo, em direção ao Socorro da Viação Gato Preto, uma coisa me chamou a atenção pelo inusitado. Tanto na ida como na volta havia muitas pessoas adesivadas com materiais do Lula e absolutamente nenhuma com a do 01. Na volta então, em que o ônibus enchia e esvaziava diversas vezes, passando pela Pompéia, Sumaré, Pinheiros, Vila Madalena até chegar na Capela, era muita gente adesivada, que entrava descia e estava nos pontos a espera de ônibus.
Esse fato não ocorreu apenas no domingo, ele permeou toda a campanha presidencial, notadamente no segundo turno. Me lembrou muito as eleições sindicais com chapa única, parecia que a outra candidatura não existia, e no entanto, estava, segundo pesquisas na frente do Lula.
Como foi feita a campanha adversária, que não estava nas ruas, nos comícios nas passeatas como a do Lula, onde foi parar tanto dinheiro público ao partido mais favorecido por essa verba, o PL?
Jornalistas, historiadores e cientistas políticos terão que fazer uma análise profunda do processo eleitoral majoritário de 2026. Creio que a fonte mais preciosa para buscar respostas, seja a prestação de contas por ambos lados ao TSE que é pública. A ordem é seguir o dinheiro, com lupa e microscópio, inclusive não descartando a possibilidade de que nem sempre quem emitiu a NF é o prestador final do serviço. Portanto, atentem para as conexões entre emissores de notas, seus sócios e outras empresas.
Se prestar atenção nesses aspectos, talvez se saiba o que realmente aconteceu do outro da campanha e quem sabe se descubra uma nova Cambridge Analytica. De qualquer maneira a vitória de Lula é a primeira vitória do povo sobre o funesto PDS – Partido do Vale do Silício.
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