
Foto: Lula Marques
Por André Araújo
A nossa vida economica e politica está plena de “figuras referenciais”, aqueles vultos solenes, sobrios, de ar grave, que inspiram respeito por sua expressão sempre séria, de quem carrega os destinos do mundo nas costas. O personagem, pois disso se trata, parece ter sido sempre o primeiro da classe nos incontáveis cursos, mestrados, pós graduações, doutorados, quem duvida de sua sapiência?
Joaquim Levy, um engenheiro naval que poucos sabem se alguma vez projetou um navio, lancha ou canoa, deixou de sua trajetória pública más recordações. Secretário da Fazenda do pior governo jamais visto no Estado do Rio de Janeiro, voltou para Washington, sua base material, familiar e espiritual onde ocupa importante cargo na petrea burocracia do Banco Mundial e depois retorna, sempre como personagem referencial e de salvação, para o Ministerio da Fazenda da Presidencia Dilma, de onde novamente sai sem resultados positivos, retornando a sua base norte-americana.
No famigerado governo Cabral participou inclusive do celebre jantar conhecido como “farra dos guardanapos”, o que mostra sua proximidade com o então governador. Tambem de notar como sendo o guardião do caixa do governo não tenha percebido a existencia de dezenas de “esquemas” que se formaram para moder justamente o Tesouro sob sua guarda.
Dirão os céticos, mas ele não teve culpa dos fracassos e retruco mas se fosse bem sucedido de quem seria o credito? Dele, ora, MAS então o insucesso é sempre dos outros, não é mesmo?
O fato é que Joaquim Levy não traz boas lembranças na administração publica brasileira.
Sua escolha foi de Paulo Guedes, a quem o Presidente eleito Bolsonaro atribui com exclusividade a seleção, deixou isso bem claro para quem ouviu sua manifestação sobre essa escolha.
Mais curioso ainda é o cargo, o BNDES é a maxima expressão do nacional desenvolvimentismo, os economistas neoliberais de expressão radical como Guedes e Levy abominam a simples existencia de bancos publicos, mais ainda de fomento, eles acham que o mercado é que deve prover recursos para investimentos em tudo, inclusive infra estrutura de natureza publica, para empresas privadas então é até pecado pensar em um banco emprestar com recursos do Estado, na visão deles.
Qual então o papel de um dos sacerdotes do neoliberalismo à brasileira em um banco que lembra a Era Vargas? Não será nunca um papel de dinamismo para o banco, será evidentemente um papel de ressecamento do banco, não se pode ainda extingui-lo porque foi criado por lei e só por outra lei poderá ser fechado, o que hoje seria indigesto para o Congresso.
Mas desconfio que seja outro o papel reservado por Guedes a Levy. Será a interlocução com as autoridades financeiras dos EUA que evidentemente são conhecidas de Levy, que mora e respira o poder em Washington e pode ser o “link” do novo comando economico do Brasil na capital americana.
Algo mais foi prometido a Levy pela ligeireza com que aceitou o convite largando sua base segura
no Banco Mundial para entrar em um cenario bastante arriscado, deixando a familia no frio de lascar das margens do Potomac para sofrer o calor carioca de terno e gravata.
A figura referencial mais uma vez nos visita e fará novamente o sacrificio de viver na ponte aerea Galeão-Aeroporto Dulles, é muito sacrificio mas é tudo em nome de uma boa causa.
NELSON VIANA DOS SANTOS
19 de novembro de 2018 11:58 amJoaquim Levy
Bom dia André e visitantes
Recordo-me que quando Levy foi nomeado ministro no governo Dilma, a atuação dele no início até despertou em mim certa simpatia. O discurso e a prática era cortar gastos pois o governo vinha, de fato, desperdiçando bilhões em troca de nada. Quem não se lembra da farra das desonerações?
Depois, a verdadeira política ficou clara para mim (que sou leigo em economia): aplicar a receita liberal de sempre, que sempre destruiu empregos e piorou a vida dos mais pobres. Saiu do governo com uma taxa de desemprego três vezes maior do que quando entrou. O Brasil tinha na época quase 14 milhões de desempregados.
A nomeação de Levy para um cargo importante no novo governo deixa claro uma coisa: o grande erro do PT ao se aliar com essas figuras: Meireles no Banco Central, Levy no ministério — e lembrem que Dilma queria o presidente o Bradesco no posto !!!! Levy foi uma terceira escolha. O resultado é o que vimos.
Oxalá esses erros calamitosos sirvam de lição para os setores progressistas.
Um abraço e vamos à luta.
Joel Lima
19 de novembro de 2018 12:02 pmAndré, o que poderia ser esse
André, o que poderia ser esse algo a mais? Uma espécie de fiador de empréstimos bilionários do FMI na veia quando o PG torrar as reservas cambiais e ficarmos frágeis como a Argentina?
Acho Levy pior que Paulo Guedes. PG é um oportunista que sabe muito bem que o plano econômico dele é pra ajudar os seus, ou seja, o mercado financeiro, e que se dane o resto do país. Já Levy me passa a imagem do médico que realmente crê que o melhor jeito dum paciente perder peso para terminar sua diabete é trancá-lo numa cela e deixá-lo alguns anos a base de água e rúcula, sem tempero. E ainda fica surpreso quando verifica, ao abrir a cela, que o paciente realmente ficou magrinho, fininho, sem diabete, mas infelizmente também sem vida. E tenta entender qual foi a culpa do paciente pela sua própria morte.
Frederico Firmo
19 de novembro de 2018 1:17 pmAgora compreendi…
Agora compreendi porque ele nos deixou a deriva.
Andre Araujo
20 de novembro de 2018 1:36 amDois dias depois que deixou
Dois dias depois que deixou o Ministerio da Fazenda já estava em Washington, para não ser incomodado.
Na minha opinião dar um alto cargo a quem pode ante qualquer problema se abrigar no dia seguinte no exterior porque lá já tem residencia, emprego e estabilidade, é por si só uma qualificação negativa, voce zera o risco e a solidariedade que se espera de quem recebe uma fatia de poder, pode sair correndo e deixar o Pais com a brocha na mão, não vai ser cobrado pelo estrago.
Doney
19 de novembro de 2018 2:03 pmO retorno do chicago-boy
Certa vez comecei a escrever um artigo, mas acabei desistindo por falta de tempo e paciência, retratando como a mídia tratava este sujeito como o herói que salvaria o Brasil.
Até João Dória fez festa para recebê-lo (dizendo que não tinha simpatia pelo governo Dilma, mas por Levy, sim). Todos da grande mídia diziam que ele era a “racionalidade”, o cérebro que salvaria o governo Dilma.
Depois, quando tudo deu errado (como obviamente só poderia dar, ao se adotar uma política econômica neoliberal), todos os que saudaram este chicago-boy patético, atacaram com tudo a Dilma e o PT, responsabilizando-os por tudo que deu errado. Eles, que pedem tanta autocrítica ao PT, jamais fizeram a sua, reconhecendo que defendiam o que era brutalmente equivocado. Eles, que tratavam Levy como o gênio, mago das finanças, que recuperaria o Brasil, e na verdade o afundou na maior recessão de nossa história.
Evidentemente que o PT e a Dilma também são responsáveis – na verdade os principais responsáveis por tudo que aconeceu. Mas eximir Joaquim Levy é de uma canalhice intelectual inominável.
O grande operador da recessão brasileira foi ele.
Joel Lima
19 de novembro de 2018 2:36 pmO pior é que a imprensa diz
O pior é que a imprensa diz que o Levy não teve tempo de implantar o seu plano, que foi sabotado pelo PT. Que se tivesse tido tempo e apoio de Dilma até o fim, hoje seríamos a Suíça Tropical rs. Ou seja, a turma de chicago nunca erra. Agora não terão essa desculpa, pois terão o tempo que precisar pra implementar sua visão louca de economia – e provavelmente terão as forças armadas pra segurar a onda quando o povo se der conta que o navio está afundando.
evandro condé de lima
19 de novembro de 2018 4:45 pmPombas André
Celso Furtado e Gouveia de Bulhões eram advogados, Simonsen e Gudin engenheiros. Me dispenso de listar mais pessoas que tiveram uma formação e não mecheram uma palha nela. Aliás, se me permite, um curso universitário seria para abrir a cabeça, se vai trabalhar na área escolhida são outros quinhentos.
Andre Araujo
20 de novembro de 2018 1:29 amMeu caro Evandro,
Meu caro Evandro, curiosamente os quatro brasileiros ilustres que vc citou eram muito cultos, humanistas, não eram simples
planilheiros, Celso Furtado deixou boa obra literaria tanto de economia como de memorias (Os Ares do Mundo), Bulhões foi presidente da Orquestra Sinfonica Brasileira, Simonsen cantava operas, arte que conhecia profundamente, Gudin foi o fundador dos cursos de economia no Brasil, não é pouca coisa, tambemdeixou bons livros.
Voce sabe qual é a visão de mundo do Joaquim Levy? Já apreciou sua obra literaria?
evandro condé de lima
20 de novembro de 2018 2:01 pmPrezado
Obrigado pela resposta. Sabia de algumas facetas mostradas – sem contar que o Simonsen era também enxadrista. Mas algo vem ocorrendo nas novas gerações- nas quais me incluo. Formação diversificada não é estimulada. Nas Universidades, você é formado e treinado para ser um especialista. E tem de produzir e ter alunos de mestrado e doutorado, apresentar projetos, etc. E em tempo restrito. Se dedicar com tempo a uma outra atividade ou outras áreas, não só ficou um diletantismo esquecido como difícil.
E não podemos nos esquecer, as exceções confirmam as regras, querer sempre mentes privilegiadas no comando é desejável, mas encontrar….
Abraços
Aldali bogos
19 de novembro de 2018 5:29 pmPelo excelente texto e pelos
Pelo excelente texto e pelos comentários muito pertinentes concluo pelo conjunto da obra que estamos mesmo é fudidos e o pior sem ninguém para nos ajudar
carlos alberto rodrigues de carvalho
19 de novembro de 2018 7:42 pmo grande erro
o grande erro da Dilma foi colocar um banqueiro para tocar a economia, rechaçou Marina que também ia colocar o do Itau se não me engano,e fez o mesmo, nos enganou, então o sujeito eh engenheiro, é como FHC pai do plano Real ,segunda a midia, sendo ministro do Itamar, era sociologo, tudo a ver com economia.Mas Dilma peitou Lula e colocou Levy na economia,sua derrocada começou ai.
Sidnei
19 de novembro de 2018 9:00 pmEssa é a ideia
Ele não está lá pra promover nenhum sucesso, mas o fracasso, absolutamente.
Fazendo um trocadilho bem “safado”: o fracasso do Brasil e do BNDES será o sucesso do Levy, Coiso, Guedes, Moro e Cia.
Achar que disso vai sair algo bom…Rá, não sai…vou rir pra não chorar!
AMORAIZA
20 de novembro de 2018 1:33 amE fez-se luz
Lendo cuidadosamente a biografia do indigitado ministro eis que o esclarecimento se deu, como um facho de luz divina
vem demonstrar que a especialidade de um economista com formação em engenharia naval é afundar a economia de qualquer coisa que ele cuide.
Maria Luisa
20 de novembro de 2018 9:11 amO BNDES esta na lista daquelas que vão pro beleléu
A foto escolhida para ilustrar o bom texto de André Araujo reflete perfeitamente o que parece ser o destino do atual governo. Mas como o Forrest Gump nacional não chegou onde chegou apenas por estar no lugar certo, na hora certa, vamos ter direito a muitas supresas. Quiça se o Brasil saira desse governo inteiro como entrou.
jose antonio santos
20 de novembro de 2018 4:22 pmbom post.
Sempre me causa espanto o fato que certos personagens ainda que responsáveis por estrandosos fracassos são chamados de volta ao governo.
Seria “marketing pessoal”? ou simplemente, descaso?
Andre Araujo
21 de novembro de 2018 12:07 amConstroem uma especie de
Constroem uma especie de “carta patente” de grande figura que resiste aos fracassos, são os canastrões sempre a disposição para “salvar” os mal feitos de “governos populistas irresponsaveis”, são um tipo de personagem conhecido na historia republicana desde 1930, se postam atras das cortinas para entrar em cenaa quando convocados, essas são as “figuras referenciais” que a midia aclama como “bom nome”, aqueles que a chapa-branquissima Eliane Catanhede aplaude de pé quando entram em cena, esses personagens arrebentaram a economia brasileira mas sempre são tipos sérios, solenes.
Clever Mendes de Oliveira
20 de novembro de 2018 5:00 pmJoaquim Levy não é bem isso que todos dizem dele
Andre Araujo,
Lembrando de Belchior, eu estou muito cansado desses dez anos passados dizendo o mesmo e me estendendo em comentários, eles mesmos, repetindo-se em cada parágrafo. E canso porque dizer sempre o mesmo e ver que ninguém considerou o que foi dito só deixa a fatiga como resultado. Já disse o que vou dizer a seguir para você e por teimosia vou dizer novamente.
Vou deixar a indicação de três post onde já disse um tanto do que poderia dizer aqui, ainda que em dois dos posts eu não disse para você, mas poderia ter sido. Os post são:
1) “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif” de quarta-feira, 30/08/2017, às 01:32, de Luis Nassif e que se vê no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-fator-e-a-economia-estupido-por-luis-nassif
2) “O fundamental acordo com o mercado, por Motta Araujo” de quinta-feira, 02/10/2014, às 15:52, de sua autoria e podendo ser visto aqui no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/o-fundamental-acordo-com-o-mercado-por-motta-araujo
3) “Dilma precisa se reinventar e encontrar sua veia conciliadora” de terça-feira, 03/03/2015 às 16:34, consistindo de comentário de Juliano Santos com o título “Dilma não tem habilidade para governabilidade” e enviado ao post “Aguardando o Senhor Crise” e que por sugestão de Luiz de Queiroz foi transformado em post podendo ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/dilma-precisa-se-reinventar-e-encontrar-sua-veia-conciliadora
Do post “Xadrez do fator é a economia, estúpido!, por Luís Nassif” , eu aproveito um comentário (Um comentário extenso, mas que vale ser lido com cuidado para quem tem a pretensão de conhecer melhor o governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff e também alguns comportamentos dos ministros do STF) que eu enviei quinta-feira, 07/09/2017, às 16:26, para Junior 5 Estrelas junto ao comentário dele enviado quinta-feira, 31/08/2017 às 10:29, e de onde eu retiro a seguinte passagem:
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“A questão que suscita mais polêmica é o segundo governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff. Para entender esse período deve-se levar em conta o fracasso do planejamento econômico do primeiro governo quando ocorreu o revertério na taxa de crescimento da Formação Bruta de Capital Fixo que teve uma queda abrupta [No terceiro trimestre de 2013] depois de três trimestre [quarto de 2012, primeiro e segundo de 2013] de altas taxas de crescimento.
Não só o crescimento econômico de 2013 ficou prejudicado como também o de 2014. E há então a forte queda nos preços das commodities no meado do segundo semestre de 2014 que afetam a receita. Tanto o crescimento menor do PIB em 2013, como a quase estagnação de 2014, sendo que nesses anos a economia fora impulsionada pelo lado da demanda, e depois a queda dos preços do petróleo elevaram bastante o déficit das transações correntes.
A solução do problema era a desvalorização cambial, um aumento da receita e uma redução dos gastos tanto do setor público como também dos gastos da família. Foi essa a intenção do governo quando trouxe Joaquim Levy para Ministro da Fazenda.
Joaquim Levy não só trabalhou no governo de Lula no Ministério da Fazenda no período de 2003 a 2006 exercendo a função de Secretário de Tesouro de Antonio Palocci Filho, como tivera experiência na Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro ele conviveu com o mais antigo grupo e mais forte grupo do PMDB estadual e que deveria ser muito útil na relação do governo da ex-presidenta às custas do golpe Dilma Rousseff com a bancada do PMDB.
Conhecido pela experiência no Rio de Janeiro como Joaquim Mãos de Tesoura, Joaquim Levy parecia a pessoa indicada para ter um papel no governo da presidenta Dilma Rousseff comprometido com o corte dos gastos e até mesmo com o aumento de receita. Essas eram medidas complementares à desvalorização cambial para corrigir o déficit de transações correntes.
Não é por outra que o economista da Unicamp Fernando Nogueira da Costa defendia a nova direção da política econômica da presidenta Dilma Rousseff como se pode ver no post “Tática fiscalista e estratégia social-desenvolvimentista, por Fernando N. da Costa” de quarta-feira, 03/12/2014 às 16:04, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria de Fernando Nogueira da Costa e está disponível no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/brasil-debate/tatica-fiscalista-e-estrategia-social-desenvolvimentista-por-fernando-n-da-costa
Além de não conseguir o aumento de receita, a política de Joaquim Levy ainda sofreu as consequências de mais duas desvalorizações cambiais que retardaram a retomada da economia. A retomada era esperada quando mais à frente o governo começasse a baixar os juros.
No entanto, houve uma nova queda do preço das commodities na passagem do primeiro para o segundo semestre de 2015 que causa nova desvalorização do real e inviabiliza a recuperação econômica. E tudo piorou com a primeira elevação do juro americano em dezembro de 2015 que levou a nova desvalorização que perdurou até fevereiro de 2016. Tudo isso aconteceu no mundo todo afetando mais os países muito dependentes das commodities.”
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O trecho transcrito acima é para tentar demonstrar que havia muita justificativa para a escolha de Joaquim Levy. Com vendas nos olhos e tampões nos ouvidos ninguém via ou escutava essas razões.
Eu mencionei o segundo post “O fundamental acordo com o mercado, por Motta Araujo” porque considero que você dá uma importância enorme a fazer cara de bonzinho para o mercado como se fosse isso que alavancasse a economia. E reproduzo aqui os quatro últimos parágrafos do meu comentário enviado quinta-feira, 02/10/2014, às 22:40, para você: Lá eu disse:
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“Ainda considero, entretanto, que o texto de Madrasta do Texto Ruim intitulado “Dilma, mercado, especulação e o duplo twist carpado do Infomoney pra ser coerente e não perder dinheiro” e que apareceu aqui no blog de Luis Nassif no post “Dilma, mercado, especulação e o duplo twist carpado do Infomoney, por Madrasta do Texto Ruim” de quinta-feira, 02/10/2014 às 14:40, mais explicativo da realidade do que o seu. O endereço do post “Dilma, mercado, especulação e o duplo twist carpado do Infomoney, por Madrasta do Texto Ruim” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/dilma-mercado-especulacao-e-o-duplo-twist-carpado-do-infomoney-por-madrasta-do-texto-ruim
E considero o seu texto pouco provável porque levo em conta que ninguém conseguiu demonstrar esta relação sobre a queda do PIB no terceiro trimestre de 2013 com o desgosto que o mercado sentia pela Dilma, pelo Mantega e pelo Arno. Até porque se este desgosto fosse causador da queda do PIB como se explicaria a sequência de três trimestres com crescimento?
Em minha avaliação, você como estudioso da realidade brasileira nos deve uma explicação mais bem elaborada. E que se diga que eu lhe dou carradas de razão por você não culpar a imprensa pelos problemas econômicos que o Brasil atravessa, como, alias, eu disse para você em comentário que enviei segunda-feira, 19/05/2014 às 21:19, lá no post “Sobre a criação de uma clima de pessimismo” de segunda-feira, 19/05/2014 às 15:38, e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/sobre-a-criacao-de-uma-clima-de-pessimismo
Creio que assim como a mídia não pode inflar um PIB ela não é capaz de o arrefecer. Também não vejo essa capacidade no Mercado. Por isso, eu disse que o que é mais relevante é descobrir porque o PIB caiu no terceiro trimestre de 2013.
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E eu mencionei o terceiro post “Dilma precisa se reinventar e encontrar sua veia conciliadora” porque lá fiz uma série de comentários para Juliano Santos, sendo que no que eu enviei quarta-feira, 04/03/2015, às 21:58, há a seguinte passagem que transcrevo a seguir:
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Fiz esta digressão para chamar atenção para duas questões de certo modo relacionadas com este post “Os desafios da política econômica de Dilma” de segunda-feira, 01/12/2014 às 06:47, com texto de Luis Nassif e com o post “A vitória da politização da sociedade e o próximo governo” com o texto de Ion de Andrade. A primeira questão diz respeito ao conhecimento sobre a frase “a inflação é o mais injusto dos impostos porque atinge os mais pobres” que para mim teria que ser criticada com a esquerda defendendo a tese de que:
“É preciso que o cidadão entenda que ficar a favor da inflação que atinge a todos e contra ao desemprego que atinge a uns poucos é uma postura de esquerda porque é uma postura que é feita pela ótica da solidariedade e não pela ótica do individualismo”.
Então o fato da inflação atingir a todos faz o indivíduo reagir com mais vigor contra a inflação do que reage contra o desemprego, porque o desemprego atinge apenas o outro. É preciso então criar na sociedade uma cultura de solidariedade que leve o indivíduo a aceitar uma inflação maior desde é claro que assim se tenha um índice de desemprego menor.
Este assunto me chamou mais atenção quando eu vi hoje a revista Veja que trazia como capa Joaquim Levy e o seguinte título “DILMA 2.0 – CAIU A FICHA! – A presidente põe na Fazenda Joaquim Levy, especialista em gastos públicos, cujo descontrole é a raiz dos males que impedem o crescimento do Brasil”.
Lá dentro, no início da página 58 há a seguinte preciosidade:
“Dilma 1.0 semeou inflação e colheu juros, justamente a acusação que ela passou a campanha presidencial inteira fazendo aos tucanos. Para o PT foi ainda mais cruel. O partido semeou Unicamp e colheu Chicago. Por Unicamp entenda-se a seita instalada na escola de economia de famosa Universidade de Capinas, em São Paulo. Chicago refere-se à universidade americana recordista mundial de ganhadores do Prêmio Novel de Economia, com 28 agraciados. Resumindo, o Brasil teve quatro anos de avestruz, enterrando a cabeça na terra para não enxergar os efeitos de desrespeitar certas leis econômicas. O resultado foi crescimento econômico quase nulo, inflação, aumento de miséria, perda da credibilidade e desarranjo do sistema de preços definidos pelo mercado – com as perversas consequências que isso acarreta e que são conhecidas pela humanidade desde a primeira tentativa registrada pela história no Código de Hamurabi, 3 700 anos atrás”.
E no início da página 60, a revista Veja redobrou-se de arroubos de furor pedagógico com mais ensinamentos econômicos. Diz então lá a revista:
“Joaquim Levy formou-se em engenharia naval, fez mestrado em economia e doutorou-se na Universidade de Chicago, aquela que teve 28 professores agraciados com o Nobel de Economia e onde, resumindo, se aprende que governos não produzem riqueza e que seus méritos estão em criar condições favoráveis para que os agentes econômicos gerem a riqueza. Ensina-se em Chicago também que sempre que os governos gastam mais do que arrecadam eles pressionam a inflação, o mais cruel dos tributos, pois atinge mais fortemente os mais pobres”.
Quando eu falo em disseminar o conhecimento eu imagino a possibilidade de qualquer um do povo possa ler uma página dessa e cair na gargalhada ao perceber que se trata apenas de uma peça de humor.
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Bem, minha intenção era lembrar primeiro que eu sou crítico de Joaquim Levy, mas ao mesmo tempo lembrar que tudo depende das circunstâncias. Não há razão para incensar o Joaquim Levy. A crítica, entretanto, precisa ser mais robusta, pois senão fica parecendo notícia na Veja com o sinal trocado. Você tem razão de fazer a crítica a Joaquim Levy, mas é preciso ver que a sua crítica mostra só um lado: a pouco eficiência produtiva dele. Só que em cada momento ele foi chamado para executar determinada tarefa e aí há que se saber se a tarefa que lhe cabia era bem adequada para o conhecimento dele e se ele executou aquilo para o qual ele foi chamado ou caso não executou a ineficiência dele é decorrente dele ou de circunstâncias.
Poderia ainda critica a sua referência a Sergio Cabral. Você mais do que ninguém sabe que há bons governantes corruptos e maus governantes honestos. Assim chamar o governo de Sergio Cabral de famigerado governo parece-me crítica ligeira que utiliza da atual condição dele. Eu sempre fui contra o Sergio Cabral porque sou contra todos os políticos que fazem carreira combatendo a corrupção. A corrupção tem que ser combatida pelo Ministério Público e a polícia via o Poder Judiciário. Agora saber se ele fez um bom ou mau governo depende de análise mais aprofundada.
Há texto recente de Raul Velloso “Punições despropositadas” que eu li provavelmente em outubro de 2018 que mostra bem como o Estado de Minas Gerais e o do Rio de Janeiro sofreram com a crise econômica. Vale a pena ler o texto para que a crítica que se faça ao governo de plantão seja alicerçada em bases mais consistentes. O endereço do texto “Punições despropositadas” é
http://www.raulvelloso.com.br/punicoes-despropositadas/
Então, embora tenha razão em criticar o Joaquim Levy por aparentemente não ter feito uma produção que o ilustrasse, você não sopesou as circunstâncias que mostravam cada uma das atuações dele. É verdade que o Joaquim Levy é apresentado pela direita como alguém maior do que ele é, mas ele não é tão diminuto como você faz crer, a não ser que o seu post seja para enfatizar que nós seres humanos somos medíocres por natureza e, portanto, se alguém precisa de um superhomem será necessário apelar a outra galáxia. Se for isso que você quis dizer eu estou de pleno acordo com você.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 20/11/2018
Andre Araujo
21 de novembro de 2018 12:00 amMwu caro Clever, é sempre uma
Mwu caro Clever, é sempre uma honra merecer seu substancioso comentario, tão bem documentado. O maior problema que vejo com Levy é a facilidade que ele tem de escapar para Washington ao menor sinal de fracasso, arruma a mala em quinze minutos e volta para Washington, não fica nem um dia depois da demissão, poupando-se de qualquer incomodo.
Quer dizer, ele não sofre aqui os efeitos de problemas que possa causar, é uma armadilha negativa para quem nomeia.
Ze Guimarães
21 de novembro de 2018 9:50 pmPara onde ruma o país
Excelente post, caro Araújo
Faço aqui um comentário adicional.
Levi entrou no governo Dilma, por ingenuidade desta, e provavelmente por que alguém do grande capital a intimou a isto.
Mas agora, a nomeação de Levi é intencional, Guedes tramou maquiavélicamente o que ia fazer ao mandar uma pessoa como Levi para o BNDES, com seu currículum de destruidor de intituições.
———————
Como eu disse há alguns anos, a melhor decisão que os mais pobres no Brasil podem tomar daqui por diante é controle de natalidade voluntário e/ou sair do país. Irem reduzindo demograficamente aos poucos, para não sofrerem mais, e principalmente para enfrentarem o desemprego que sem dúvida aumentará muito mais…
Agora vai começar a artilharia pesada. Tudo o que Temer fez até agora vai parecer um piquenique de final de semana perto do que fará a equipe do Guedes. Eles simplesmente vão tornar inviável a existência dos 30 milhões de petistas neste país ( muitos dos quais são os 14 milhões de desempregados e 14 milhões de sub empregados.) Esterilização voluntária planejada por Bolsonaro já indica que eles querem é que todos os que votam no PT sumam aos poucos da face da Terra… E caso ainda teimem em continuar resistindo e votando em partido trabalhista… Depois acabam com o mais médicos… Depois com o BNDES… Depois com todas as estatais… Com o INSS… Com todos os direitos trabalhistas… ( não estou dizendo que isto seja bom ou ruim, só estou narrando um fato )
Enfim, ser pobre neste país daqui a alguns anos será inviável ( com excessão claro, dos pobres de direita, que tudo aceitam calados e sofrem sorrindo ) , e é até uma crueldade uma criança filha de pais miseráveis nascer neste país nestas condições.
É a politica de Terra arrasada… Só estratégias como as que venceram Napoleão no inverno fariam algum sentido aqui… Com um inimigo em grau de superioridade extrema não se luta, se usa a lei da não resistência, e a estratégia.
Andre Araujo
21 de novembro de 2018 10:23 pmMeu caro, Joaquim Levy foi
Meu caro, Joaquim Levy foi indicação do Bradesco. Depois da morte de Amador Aguiar, um homem excepcional e como todos dessa categoria cheio de defeitos MAS um patriota, o conheci muito bem, o Bradesco foi dominado por uma confraria de mediocres dinheiristas sem maior valor como grandes personagens, desse ninho saiu a recomendação para Dilma indicar Levy e a Presidente, sem noção de coisa alguma, foi na onda.
Ze Guimarães
22 de novembro de 2018 1:45 amExatamente
Exatamente, caro Araújo
Aliás, a falta de Patriotismo entre nosso povo pode ser apontada como uma das causas da derrocada econômica do país. Desde que nossas escolas pararam de ensinar sobre Patriotismo, tiraram OSPB do curriculum, pararam de cantar hino nacional… Depois veio FHC que chegou a chamar 7 de setembro de ” uma palhaçada “. Lula pouco ou nada fez para reverter o caso… Nem tampouco reimplantou matérias nacionalistas nas escolas… E agora, o novo governo se diz Patriota, o que lhe valeu milhões de votos sem dúvida, e que sem dúvida seria bom se fosse verdade, mas entregará o país para grupos internacionais. Excelente que queiram reimplantar o nacionalismo nas escolas, mas enquanto isto, entregam o pré sal e tudo o mais, neste novo governo. A safra antiga de pessoas nacionalistas foi morrendo e sendo substituida por uma geração que acredita que sua pátria é o lucro e o capital…
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Por fim, outra verdade que o Sr. falou, a completa falta de noção de Dilma ( nomeada por um dedaço de Lula ) , isto foi o que motivou a derrota de Haddad, pois queimou a ficha do partido junto a população, e Haddad também deu mostras de não ter noção nenhuma de assuntos importantes, como a lista tríplice, e a independência da PF, que disse ser motivo de ” orgulho para o PT “. Haddad quase perdeu para brancos, nulos e abstenções.
O único candidato que tinha uma boa noção sobre economia e nomeações era Ciro Gomes, mas este, devido a franqueza, e devido a falar abertamente verdades ( num país onde o povo costuma sr melindroso e fugir da verdade ) , feriu os brios tanto da esquerda quanto da direita. No final, a direita o rejeitou como sendo de esquerda e a esquerda o rejeitou como sendo de direita, já no primeiro turno.