4 de junho de 2026

Agora Falando Sério, por Rui Daher

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Agora Falando Sério, por Rui Daher

Sim, “Motoristas do Cão Fascista”, trago-lhes Chico Buarque e suas beleza, lírica, genialidade e coerência nas causas populares. E no feminino, como mães e avós, brucutu imbecil.

“Agora falando sério/Eu queria não cantar/A cantiga bonita/Que se acredita que o mal espanta/Dou um chute no lirismo, um pega no cachorro e um tiro no sabiá/Dou um fora no violino, faço a mala e corro pra não ver banda passar.

Agora falando sério, eu queria não mentir/Não queria enganar, driblar, iludir tanto desencanto/E você que está me ouvindo Quer saber o que está havendo com as flores do meu quintal?/O amor-perfeito, traindo, a sempre-viva, morrendo, e a rosa, cheirando mal.

Agora falando sério/Preferia não falar/Nada que distraísse o sono difícil, como acalanto/Eu quero fazer silêncio/Um silêncio tão doente do vizinho reclamar/E chamar polícia e médico e o síndico do meu prédio pedindo para eu cantar

Agora falando sério/Eu queria não cantar, falando sério/Agora falando sério/Preferia não falar, falando sério”.

Este cronista galhofeiro, de pouca demanda e baixa renda, assim continuará, nem sempre. É estilo dele a confessar pretensas verdades. Mas, até que o destino do Brasil for decidido, serei odioso em escritas e ações, virulento até, embora nas sutilezas do humor é que se fez a melhor literatura, mesmo quando em drama ou tragédia.

Falando sério, a nação brasileira está pronta a aceitar o pior golpe contra democracia, liberdade de expressão e costumes brasileiros, nunca d’antes vistos.

Creio não exagerar ao dizer que esse foi o golpe melhor engendrado do planeta e nos fará voltar à insânia dos cafés de Berlim e Roma, anos 1930, europeus de bem exaltando Hitler e Mussolini. Podem ler o que foi escrito sobre o fato histórico, mas se divertirão mais se assistirem aos filmes italianos do neorrealismo ou as metáforas de Charles Chaplin  

Mais que sério, serei didático:

1.     De 2003 a 2012, o Acordo Secular de Elites, usando de todas as canalhices, tentou anular o sucesso dos mandatos de Lula e não conseguiu. O presidente, em forma econômica anticíclica vencera a maior crise econômica desde 1929, e deixou o governo com a maior aprovação popular na história do país e fez sua sucessora duas vezes seguidas;

2.     Causadas pelos restolhos da crise econômica mundial, o 1% dos ricos brasileiros se acomodou na esteira dos movimentos populares contra o aumento de 20 centavos no preço da mobilidade urbana, e viu oportunidade para sobreviver;

3.     Geram, então, o ovo da serpente que depois de três anos, usarão para derrubar os 54 milhões de votos que garantiram Dilma Rousseff, como presidente do Brasil.

Até aí, digo, nada de excepcional dentro do que deve ser a disputa democrática pelo Poder, em países de capitalismo regrado, e mesmo os de capitalismo selvagem, como o brasileiro. Estes, seguem de qualquer jeito, como Deus fez a mandioca.

Mas foi como, genialmente, perdido 10 anos, o Acordo Secular de Elites engendrou o golpe militar mais inteligente do planeta, facilitando, como massa de manobra, os militares e os EUA para nossa destruir nossa democracia.

Declaro, simples para eles, mas desesperador para nós, diletos amigos, que estaremos bem, mas os demais 200 milhões de pessoas do País, parecidos conosco, estarão liquidados.

Em minha finitude, a mesma que alguns de vocês vivem e esperam, saibam, mesmo além de meu 7.3 continuarei na luta, pelos meus e seus filhos e netos.

Preservem-nos com uma sociedade mais justa. Triste, no capitalismo, a não sustentarmos anseios, mas deixem umas migalhas para nós, tá?

Inté! Até a morte, que pouco me interessa.

Rui Daher

Rui Daher – administrador, consultor em desenvolvimento agrícola e escritor

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11 Comentários
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  1. Jacques borreaux

    19 de setembro de 2018 3:27 pm

    Creio que está música foi
    Creio que está música foi escrita antes de roda-viva , quando Chico passou a criar músicas mais com apelo social e contra a ditadura. Vejo nesta letra que ele abdica das músicas a banda, sabiá e acalanto.

    1. Rui Daher

      20 de setembro de 2018 12:39 am

      Jacques,

      É por aí, mesmo, embora hoje em suas canções ele esteja voltando aos anos dourados.

      Abraços

  2. Humberto Pereira - Democracia Radical

    19 de setembro de 2018 4:01 pm

    arte e política empobrem-se reciprocamente

    mas em momentos excepcionais, é válido, é imprescindível. Concordo com Oscar Wilde (Obras Completas). É um ponto de vista: arte é pra viajaar, pra ler ou ver, ou ouvir e a cada vez sentimos e viajamos, e entedemos daca vez demdo diferente, não é dirigi pra uma “mensagem”. “Todo artista deve ir aonde o povo tá” é apenas uma demagogia de Milton Nascimento, talvez, não sei, ele nem concorda com o que cantou. A “culpa” de até onde chegamos não tá só num lado. Dói, mas há necessidade, semprem em autocrítica.

    1. Rui Daher

      20 de setembro de 2018 12:34 am

      Como?

      Obrigado

  3. Maria Luisa

    19 de setembro de 2018 4:24 pm

    Sobre Sabia

    Em 29 de setembro de 1968, a música foi apresentada no Maracanãzinho durante o III Festival Internacional da Canção, mas recebeu vaias quase unânimes que, segundo um repórter da Folha de S.Paulo, “…era a mais sonora já acontecida em toda a história dos festivais de música popular”. Humberto Weneck, em seu “Chico Buarque Letra e Música” escreve que a recepção foi pior do que a recepção que o público fez da canção “É Proibido Proibir”, de Caetano Veloso, feita duas semanas antes.

    Embora o público cantasse “Pra não dizer que não falei das flores” (conhecida como “Caminhando”), de Geraldo Vandré, “Sabiá” acabou sendo premiada, mas criticada por sua “desvinculação da realidade nacional”, embora outros a examinassem como uma nova e premonitória “Canção do Exílio”.

    “Sabiá” é vista como um retrato do problema de uma pátria configurada pela carência: “Quero deitar à sombra de uma palmeira que já não há. Colher a flor que já não dá”.

    Ao contrário da “Canção do Exílio”, “a flor que já não dá” representa uma nação esvaziada. Segundo alguns críticos, Chico escreveu a letra da música sob influência de um pensamento de seu pai — Sérgio Buarque de Hollanda — que dizia “somos uns desterrados em nossa própria terra”, descrição aforista de uma realidade contundente e dolorosa.

    Os analisadores também têm chamado a atenção ao fato de que, quando a música foi composta, Chico ainda não estava em exílio e, por isso, usou um eu-lírico imaginário, mas quando isso ocorreu e ele deixou o Brasil partindo para a Itália, pôde passar pela experiência de exílio e, assim, retratou os ocorridos em “Samba de Orly”, em parceria com Toquinho e Vinicius de Moraes.

    Extraído de https://pt.wikipedia.org

    1. Maria Luisa

      19 de setembro de 2018 4:48 pm

      Precisamos de mais chico buarque

      A musica de cunho politico e social nunca deixaram de existir e o momento esta pedindo musicas que contem a historia desses dias. 

      1. Rui Daher

        20 de setembro de 2018 12:32 am

        Olá Maria Luisa,

        tenho reclamado e sentido muita falta disso. Quanto a Sabiá, lembro que na época do FIC, alguém do Pasquim, não me lembro quem, escreveu que a letra do Chico tinha cunho político semelhante à do Vandré.

        Abraços

  4. Fernando J.

    19 de setembro de 2018 4:33 pm

    O PRÓXIMO PRESIDENTE DO BRASIL – CHIN CHONG CHAN

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=wF56VbF3Bzc%5D

    1. Rui Daher

      20 de setembro de 2018 12:22 am

      Fernando,

      Isso sim que é galhofa. Só não precisava revelar o meu disfarce. Abração.

  5. Fr@ncisco

    19 de setembro de 2018 8:30 pm

    “E no Entanto Se Move”

    Coincidência, Rui, hoje, Ricardo Kotscho começa seu artigo com, “Agora é sério: está em jogo nesta eleição…”.

    “Eppur si muove”

    Alguma coisa fora da ordem unida para vencer o ódio, e não parece ser os pais, avôs, filhos e netos, do Mourão.

     

    1. Rui Daher

      20 de setembro de 2018 12:25 am

      Fr@ncisco,

      E não é que é. Sem fugir da luta! Abraços

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