5 de junho de 2026

Prenúncio de um amanhã melhor, por Maister F. da Silva e Lauro Duvoisin

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Prenúncio de um amanhã melhor

por Maister F. da Silva e Lauro Duvoisin

O retorno frenético do neoliberalismo no Brasil tem causado cenas curiosas, mas com possíveis interpretações, ainda que inconclusas. O caso da juventude é emblemático. Ao mesmo tempo que em sua grande maioria renega o Estado, vociferando barbaridades contra o funcionalismo público e considerando benéfico o livre mercado, ironicamente também deposita suas esperanças de ascensão social no serviço público, lotando os cursinhos preparatórios para concursos públicos e dedicando suas horas de descanso à preparação de um futuro individual mais promissor. Quando ingressam no setor privado, muitas vezes os trabalhadores jovens buscam incansavelmente galgar posições chave, na esperança de chegar aos postos de chefia.

É enorme a contradição da juventude em relação ao mundo do trabalho. A juventude constitui o núcleo do trabalho precarizado, sofre com uma legislação trabalhista flexível forjada por uma geração de políticos que não possui compromissos com a classe trabalhadora e por interesses econômicos do capitalismo financeiro e industrial. Sujeitos a baixos salários, longos períodos de desemprego, trabalho remoto e temporário, entre outras aberrações da “modernização das relações de trabalho”.

Os jovens querem estabilidade financeira e plano de carreira promissores, mas geralmente renegam o passado de luta das gerações anteriores que buscou fortalecer os direitos sociais e trabalhistas e a manutenção de empregos regulares. Evidentemente, tal postura fortalece e legitima as ações tomadas pelo capital e negligencia o potencial da classe trabalhadora. O ethos de solidariedade de classe já não existe da mesma forma como existia na geração passada. A juventude em sua grande maioria não parece estar disposta a ações coletivas, tampouco ao enfrentamento dentro da esfera produtiva. Hostiliza os sindicatos, que com todas suas limitações – justiça seja feita – têm lutado para a manutenção dos direitos conquistados pela classe trabalhadora.

No Brasil essa é a primeira geração à qual foi imposta a legislação que precariza as relações de trabalho de modo sistêmico e certamente transmitirá normas, atitudes e comportamentos para a geração vindoura.

A que se deve tamanha contradição? A resposta ainda não foi encontrada.

Há pelo menos três possibilidades. Pode ser que os jovens realmente não cheguem a considerar que haja contradição, pois não percebem a importância do Estado em suas vidas e considerem ingenuamente que conquistaram tudo com seu esforço individual, ou seja, não notam que a sua vida depende das políticas de Estado. Pode ser que percebam a contradição e saibam que o Estado é importante, mas não vejam qualquer alternativa melhor ao que existe. Ou ainda pode ser que saibam de tudo isso mas não estejam dispostos a sacrificar seu tempo e sua juventude numa luta incerta e prefiram buscar saídas individuais.

Seja como for, os problemas não desaparecerão num passe de mágica. A juventude trabalhadora precisará construir algum tipo de voz coletiva que conteste a banalização e a alienação violenta do conflito capital x trabalho que seja capaz de fazer parte de um prenúncio de amanhã melhor para todos os brasileiros. A resposta ainda está por vir.

Maister F. da Silva – Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores

Lauro Duvoisin – Militante do Levante Popular da Juventude

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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2 Comentários
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  1. Rui Ribeiro

    12 de julho de 2018 1:29 pm

    Só a luta renhida pode evitar um amanha pior

    Os fascistas querem que acreditemos e esperemos por um amanha melhor, enquanto isso eles pioram o presente social.

  2. Roberto Sidnei

    12 de julho de 2018 3:42 pm

    Perfeito
    Apenas acrescento que está lógica individualista está sintonizada à lógica liberal. Se por um lado ela piora o sentido comunitário da sociedade, por oito lado complica o jogo político pois pulveriza o poder e neste sentido a independência da Internet deve prevalecer.
    Tudo a ver com a doutrina marveliana de Hollywood onde cada um luta por si e pelo seu mais próximo.

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