5 de junho de 2026

Poesia ou o amor escorrendo em palavras, por Mariana Nassif

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Poesia ou o amor escorrendo em palavras, por Mariana Nassif

…pronome pessoal do caso reto.

…união de eu e você.

…laços que se misturam, se cruzam, se atam.

É assim, com a língua portuguesa como apoio, que começo a pensar devaneios sobre este presente por escrito.

Pessoal, intransferível, predicados desconhecidos e irreconhecíveis permeiam algum lugar do meu corpo que não é físico, e de tão abstrato chego a duvidar destas sensações que me provocam estar perto de nós. A dúvida então vira beijo, e o beijo transforma em abraço o que eu quero que a gente entenda e nossos olhos se encontram numa intimidade tamanha que o sorriso é conseqüência natural.
Sorriso. É muito nosso o meu sorriso, e quando a gente retribui o carinho de algo tão simples e intenso o mundo pára. Piegas, o amor é piegas – como eu não seria? Meu mundo pára, e trocaria todas as palavras do mundo por nós pra definir o que anda acontecendo, porquê estão todos os outros a dizer que meus olhos, tão seus, transbordam felicidade, e outros tantos arriscam o palpite de ter recuperado minha infância na alma. Acerto os ponteiros e redescubro a troca, o cuidado, a lágrima de saudade e a não avaliação nua e crua dos fatos, mas as entrelinhas. As nossas frestinhas.

É indecente o que nós temos: simples, complexo, completo, interrogações, sempre faltando alguma coisa, vontade de que vá embora só para ver chegar. Indecente de tão puro. Nós não precisamos de definição, embora encontre grande graça em explicar o que é que existe entre nossos laços, e de repente parar, olhar pra um lugar qualquer do espaço e sacar que palavra é pouco pra esse tanto da gente.

Hoje, e sempre, todo aquele sempre que temos por aí, os verbos, sujeitos e predicados estão à espera de nós, juntos no nosso agora. Vai comigo?

 

Mariana A. Nassif

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4 Comentários
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  1. Odonir Oliveira

    21 de julho de 2018 11:52 am

    A gramática do lirismo

    Vi isso em você nos longes.

    Belo texto.

    Abraço da Odonir

  2. joel lima

    21 de julho de 2018 1:02 pm

    Você – é pessoa de primeira,

    Você – é pessoa de primeira, singular,

    Andrógina, ora passiva, ora ativa, dando nós

    Em minha primeira pessoa do singular:

    Atar egos deixa – nus cegos e fora de nós!

    Você – é direto objeto do desejo sem nome!

    Pelos seus predicados a Você estou sujeito!

    Você – é maiúscula, o mais belo dos nomes:

    Unir num som só Vós com cê é o seu feito!         

    Você – é senhor(a) dos seus e, contra a atual lei, dos teus:

    Ora vem ficando só na sua, ora vem aprontando das tuas!

    Você terá o destino de Vós: o de não ter mais voz nas ruas?

    Por temor e tremor, nun se chama de Você o nosso Deus!

    Mesmo estando nest’instante a palavra  com Você,

    Mesmo a[ ]mando [de] Você, nunca vou ser – Você!

     

  3. Fábio de Oliveira Ribeiro

    21 de julho de 2018 1:41 pm

    Indecência é a completude

    Indecência é a completude divina. Ser incompleto é o que impele cada um de nós a buscar em outra pessoa os pedaços que faltam.  Os que continuarem faltando seremos obrigados a procurar e procurar e procurar…

  4. MAAR

    21 de julho de 2018 7:07 pm

    AMO LOGO EXISTO

    Já disse o saudoso poeta que ‘Amar Se Aprende Amando’ e, de fato, o amor é exercício de aprendizado incessante. Amar é virtude que enleva a alma e eleva o espírito. Para quem tem sensibilidade, o amor é a razão maior da existência.

    P.S.: Segue poeminha sobre o tema, que escrevi há muitas luas.

     

    AMO LOGO EXISTO

     

    Viver e amar, é o misto

    Da vida que vivo e que assisto.

    Bastante daquilo, e mais disto…

    Se quero alcançar, não desisto.

    Revejo o que eu tenho visto.

    Preservo, alimento, persisto.

    Venturas, vitórias, conquisto…

    Viver é amar, creio nisto…

    Pois amo este amar, logo existo.

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