
Por Gustavo Gollo
Como livrar-se de pesadelos?
Certa crença amplamente generalizada, divulgada especialmente no episódio bíblico em que José desvenda os sonhos do faraó, sugere que a interpretação dos sonhos consista em uma arte premonitória, mística, assemelhada à astrologia; não se trata disso. Existe uma forma racional e testável de interpretação de sonhos, independente de atributos mágicos ou misteriosos, que deveria ser amplamente divulgada e praticada por todos, o que facilitaria nossas vidas. A prática de interpretar sonhos é utilíssima.
Creio ter sido Sigmund Freud, pai da psicanálise, o primeiro a buscar uma interpretação racional do estranho fenômeno. Freud, como outros proponentes de linhas interpretativas para os sonhos, propôs uma espécie de “vocabulário onírico”, no qual os objetos presentes no sonho corresponderiam a símbolos aos quais seriam atribuídos significado. Não sigo esta linha, interpreto as mensagens enviadas por nosso inconsciente sem fazer uso dessa simbologia, utilizando uma técnica extremamente simples. Antes de conhecê-la, no entanto, certas considerações facilitarão sua compreensão.
Pesadelos recorrentes
A versão “malévola” do sonho, o pesadelo, é extremamente desagradável. Pesadelos recorrentes são ainda piores, ameaçadores, capazes de transformar o sono em um evento aterrorizante, podendo assombrar-nos, condenar-nos a arrastar correntes, noite após noite, como almas apenadas a castigo eterno! (Perdoe-me, leitor, mas não resisti à imagem tragicômica).
Embora horrendos, os pesadelos são ferramentas úteis geradas para resolver nossos problemas, não para complicá-los, desde que consigamos interpretar suas mensagens. (Convém lembrar que se estivermos sob ameaça óbvia, alguém querendo nos matar, por exemplo, a interpretação de pesadelo correspondente será óbvia e direta).
A origem dos pesadelos
No transcorrer de nossas vidas, frequentemente nos negamos a encarar certos fatos. Nesses momentos, fechamos nossos olhos, recusamo-nos a vê-los, e nos tornamos cegos para eles. Tal cegueira acaba nos causando problemas porque o obstáculo que nos recusamos a ver permanece à nossa frente, atrapalhando nosso caminho. Como a causa desses problemas é exatamente aquilo que nos recusamos a encarar, não conseguimos resolvê-la, e ela fica provocando seguidas topadas e nos machucando. Nesses casos, a solução dos problemas angustiantes seria provavelmente simples e óbvia, se não nos recusássemos a encarar suas causas; como nos recusamos, os problemas dela decorrentes crescem e se acumulam. É uma circunstância deste tipo que gera o pesadelo, e sua mensagem é clara, simples e direta: “Acorda! Olha pra isso! Preste atenção!” A mensagem é para você “acordar” para o fato e encarar aquilo que não quer ver. O significado dos pesadelos é sempre esse: “acorda! Abre o olho!”
Então, se você abrir seu olho e acordar do sono, mas continuar se recusando a encarar o problema que te aflige, o pesadelo tenderá a se repetir na noite seguinte, e na outra… . Pesadelos nos passam mensagens de um modo extremamente angustiante.

Um eu múltiplo, ou facetado
Apresento, o seguir, uma maneira de compreender os sonhos. Consideremos que aquilo que chamamos “eu” corresponda a uma entidade múltipla composta por uma infinidade de facetas, ou eus parciais, e nosso eu consciente a sua faceta mais usual. Em seguida, imaginemos todos esses eus percebendo algo óbvio que o eu consciente se recusa a encarar. Então, durante o sono, incomodados com nossa cegueira autoinduzida, com nossa obstinação em fechar os olhos e nos recusar a ver algo que está à nossa frente esses outros eus gritam com o intuito de alertar-nos para o obstáculo à frente.
Interpretando os sonhos: pesadelos
Recapitulemos: o pesadelo revela a existência de algo que você não quer ver, algo que te incomoda muito e com o qual você não sabe lidar adequadamente. Toda vez que você se aproxima dessa sua “assombração” oculta, ela te espicaça, te fere, gerando sensações desagradáveis que impedem que você olhe para ela, que a encare. Essa coisa desagradável que te angustia é exatamente aquilo que te assombra; o que te impede de encará-la são, exatamente, estas sensações ruins que te afligem, amplificadas durante os pesadelos.
Assim sendo, para chegar ao seu fantasma, àquilo que você não quer ver, deverá guiar-se pelas sensações ruins emanadas por ele. Terá que encarar e superar cada uma delas. Terá que senti-las todas, por mais desagradáveis que sejam. O caminho até seu fantasma será exatamente o mais sofrido; é por causa deste sofrimento que você o tem evitado.
Aprendendo a se lembrar dos sonhos
Antes de qualquer outra técnica, convém aprender a se lembrar dos sonhos. Para isso, faça simplesmente o seguinte: ao acordar após o sonho, e enquanto ainda se recorda dele, sem mover a cabeça, recapitule todo o enredo do sonho, do início ao fim, como se fosse um filme, só depois disso permita-se mudar a cabeça de posição; isto será suficiente para que, no dia seguinte, ao acordar, se recorde de tudo o que foi recapitulado. Se quiser testar a eficácia de tal método, após o sonho seguinte, recapitule apenas parte dele antes de mover a cabeça para o outro lado. Perceberá que a ação de mover a cabeça funciona como um verdadeiro apagador de sonhos: lembrará de toda a parte que rememorou, mas toda a parte seguinte, a não rememorada, terá sido esquecida.
Interpretando o sonho
Em linhas gerais, o significado de um sonho será descoberto atribuindo-se à sua narrativa o significado simbólico de maneira análoga à que faríamos com um texto altamente metafórico. As emoções acopladas a cada uma de suas cenas fazem o papel de guia do intérprete, balizando cada sentido atribuído às cenas. A intensificação das sensações vividas durante o sonho tende a indicar o caminho correto para a sua interpretação, fato que acarretará o esvaziamento final das sensações correspondentes. Mas, atente: os sonhos que, de fato, necessitam ser decifrados, consistem em mensagens óbvias, mas correspondentes, exatamente, àquilo que você não quer ver.
Interpretando o sonho
Recapitule o sonho como se fosse um filme, compondo uma narrativa, um enredo, mas acoplando a cada “cena” as emoções nas quais ela veio “embalada”. Tente interpretá-lo assim, como se fosse um filme metafórico, com as emoções funcionando como guia.
Em sonhos ruins, a interpretação correta tem um efeito análogo ao de “meter o dedo na ferida”, aguçando cada sensação a limites extremos até que o verdadeiro significado do sonho venha à tona. Não fuja das sensações ruins, não as evite, mas, ao contrário, busque-as, encare cada uma delas, sinta-as. Isto terá que ser feito, são elas que te barram o caminho, que te impedem de ver o que tem que ser visto.

Libertando-se dos pesadelos
No caso de pesadelos, ao tentar interpretá-los, as sensações ruins que te impedem de encarar o que quer que seja que está oculto retornarão: terá que seguir exatamente a trilha das sensações ruins, aquelas mesmas que você já conhece e das quais tem fugido.
O caminho até o objeto oculto que impede que você interprete o filme/sonho será um périplo de sensações desagradáveis, verdadeira tortura, deverá encará-las heroicamente, lembre-se que o que a vida exige é coragem; aja como um herói. Em sua trilha, encontrará e identificará todas as sensações que têm causado o pesadelo, perceberá porque as tem evitado; isto será bem desagradável.
Ao chegar ao ponto causador de tudo, na fonte de todos os problemas, terá encontrado a interpretação do sonho: será como uma revelação! Receberá, então, a recompensa: tendo conseguido desvelar aquilo que você tem se recusado a encarar, os maus sentimentos se diluirão, libertando-o dos fantasmas que o têm assombrado! Ao encarar seus fantasmas, seus pesadelos findarão!
A sensação de diluição será claríssima, uma sensação subjetiva, mas tão nítida quanto a imagem dos objetos vistos à nossa frente.
#sonhos #pesadelos #interpretação de sonhos #pesadelos recorrentes
Saulo I. Regis
1 de julho de 2018 6:23 amSonhar é um direito que vem sendo negado à sociedade
Sim. Sonhar e interpretar seus sonhos é a chave para o autoconhecimento.
Porém a maioria das pessoas irá disser que raramente sonha, isto é, raramente recorda seus sonhos ao despertar.
Uma vida “sem sonhar” é o que a Cafeína oferece para seus consumidores.
O livro
DECAF ME – SONHOS VITALIDADE CRIATIVIDADE
https://www.amazon.com.br/dp/B01BFGG1H8/
denuncia esse efeito e outros efeitos nocivos da Cafeína sobre a mente humana.
Boa Leitura!
Lucas
24 de abril de 2019 5:42 pm-No sonho eu e um amigo estávamos subindo por dentro de uma caverna, por onde corria uma cachoeira/rio/nascente essa caverna estava escura mas havia claridade suficiente para que eu observasse os detalhes da água descendo e os formatos dessa caverna (Arredondada) havia pedras e lama pela subida, passando disso não me lembro se saio ou como saio dessa caverna, porém agora me encontro em um lugar semelhante a caverna, porém não há mais águas e sim algo parecido à um baú, e dentro desse baú havia vários Elmos/Capacetes dourados de diversos modelos, como aqueles que os cavaleiros usavam nas guerras medievais antigas, e eu ficava olhando e ou escolhendo junto com meu amigo esses capacetes, porém o sonho acaba aqui. Gostaria por gentileza se alguém tem o dom de interpretá-lo ou decifrá-lo para que eu possa entende-lo entrasse em contato comigo através do meu email: [email protected]. Levo muito a sério meus sonhos, pois grande parte deles, quando não são simbólicos eles acabam acontecendo de alguma forma… Desejo á todos uma ótima semana e muita paz. Aguardo ansioso pelo contato.