Geralmente as notícias da economia alemã são centralizadas no seu baixo índice de desemprego e no crescimento da sua economia, porém um dado que a mídia hegemônica internacional esconde é a PERDA DE PODER DE COMPRA do trabalhador alemão e a transferência de renda que tem havido nas três últimas décadas para as oligarquias financeiras.
Para eliminar qualquer dúvida, será colocada a série histórica do rendimento médio dos trabalhadores alemães desde 1991 até 2017, porém será colocado dois valores, os salários de trabalhadores a tempo integral e a tempo parcial, pois como se verá mais adiante esta diferença leva a perdas fantásticas dos salários dos trabalhadores.

Os dados constantes nesta tabela foram extraídos da fonte desse link aqui.
Quem olha os dados do crescimento dos salários a tempo integral (coluna 2) ou a tempo parcial (coluna 3) verifica que de 1991 a 2017 houve um crescimento de 105,8% e de 72,6% no período. Porém no mesmo período (menos 2017, não disponível no momento) o PIB per capita alemão por paridade de compra cresceu de 134,4%, ou seja, em relação a riqueza nacional alemã, se a quantidade percentual dos trabalhadores a tempo integral e tempo parcial tivesse se mantida a mesma, haveria uma perda de 13,9% para o trabalhador em regime integral e de 35,8% do trabalhador, pois se mantivessem a mesma proporção na riqueza nacional os salários médios deveriam ser €4294 e €3885 respectivamente.
Porém há ainda um agravante maior na perda do poder aquisitivo e na repartição da riqueza do trabalhador alemão, o percentual de trabalhadores que compõe este grupo de tempo de trabalho. Em 1991 o número de trabalhadores em regime parcial de trabalho era de 8,3 milhões e em 2017 este número passou para 15,3 milhões, ou seja, praticamente duplicou.
Considerando o número de trabalhadores que em 1991 ganhavam salários correspondente a regime integral de trabalho passando para regime parcial, os trabalhadores que deveriam ganhar €4294 passaram em média a ganhar €2863, ou seja, para a massa de 7 milhões de trabalhadores os salários foram reduzidos em 33,3% na expectativa de ganho.
Estes valores são obtidos em termos de médias, porém como há dentro da massa dos assalariados alemães há uma variação no rendimento entre os altos e baixos salários, que podem ser medidos pelo Coeficiente (ou índice) de Gini, durante o período de 1991 até 2015 este coeficiente passou de 29,20 para 31,70 que representaria um aumento do rendimento dos 10% mais pobres de 3,1% e dos 10% mais ricos de 24,9%, ou seja, os mais ricos aumentaram a sua participação na riqueza alemã 8 vezes mais do que os mais pobres. Indicando que teríamos uma perda salarial em faixas mais baixas da população alemã em torno de 20% a 40%.
Estes são números reais e não expectativas que os safados neoliberais prometem com suas políticas que mostram que a renda da poderosa, rica e abundante Alemanha só esta servindo a uma pequena parcela dos alemães mais ricos e nada diz que esta tendência vá mudar.
Este pequeno artigo que poderia ter uma análise econométrica mais apurada considerando a variação de rendimentos por faixas de renda, demonstra que nem nos países em que alardeiam o triunfo do individualismo e da meritocracia, este triunfo serve somente para os mais ricos que nada diz que devam ser os com mais mérito.
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