4 de junho de 2026

Temer será investigado por propina da Odebrecht: relembre o caso

Foto: Agência Senado
 
Jornal GGN – O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou a inclusão do presidente Michel Temer no inquérito que investiga o pagamento de propina pela Odebrecht em contratos envolvendo a Secretaria de Aviação Civil. Por se tratar de fatos ocorridos antes do mandato presidencial, Temer não pode ser responsabilizado pela Suprema Corte, mas pode, sim, ser investigado, entenderam a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e o ministro Fachin.
 
As acusações vieram de antigo delator de Temer, o ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Claudio Melo Filho, que voltou a arrolar o mandatário em esquema criminoso. “Eu participei de um jantar no Palácio do Jaburu juntamente com Marcelo Odebrecht, Michel Temer e Eliseu Padilha. Michel Temer solicitou, direta e pessoalmente para Marcelo, apoio financeiro para as Campanhas do PMDB no ano de 2014”, havia afirmado Melo há dois anos.
 
Tratava-se do repasse de R$ 10 milhões em caixa dois, além de outras doações da Odebrecht ao PMDB para as eleições daquele ano. Estavam presentes o ministro Eliseu Padilha e o ex-presidente da companhia, Marcelo Odebrecht. As tratativas sobre quantias e formas de repasses teriam sido feitas após a saída de Temer da reunião. Mas Claudio Melo Filho garante que Temer acompanhou todo o processo.
 
O relato de Melo foi vazado em dezembro de 2016 e foi uma das sustentações para o pedido de impeachmento contra o mandatário peemedebista no último ano, por abuso de poder político e econômico na campanha presidencial de 2014 e que, se não fosse enterrada pela Câmara dos Deputados, poderia cassar Temer.
 
Mas aquele encontro narrado pelo ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht era apenas a ponta da investigação completa. O executivo narrou que cerca de R$ 4 milhões do pagamento foram remessas “via Eliseu Padilha, preposto de Temer, sendo que um dos endereços de entrega foi o escritório de advocacia do Sr. José Yunes, hoje Assessor Especial da Presidência da República”, seguiu ao reafirmar todas as acusações presentes no acordo de delação com a Operação Lava Jato ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em março do último ano.
 
Agora, o caso revive. Temer não é mencionado apenas uma vez no depoimento e seria talvez o personagem mais importante da acusação. “Para fazer chegar a Michel Temer os meus pleitos, eu me valia de Eliseu Padilha ou Moreira Franco, que o representavam. Essa era uma via de mão dupla, pois o atual Presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizado via Eliseu Padilha”.
 
Para investigar Eliseu Padilha, o STF não poderia ignorar os fatos que estariam relacionados a Temer. Foi assim que na semana passada a procuradora-geral da República solicitou que Temer fosse incluído na investigação, antecipando que o mesmo, pelo posto que ocupa, não poderia ser condenado ou punido.
 
“Eliseu Padilha seria encarregado de entabular tratativas com agentes privados e decentralizar as arrecadações financeiras da Odebrecht; que ele teria deixado claro que falava em nome do vice-presidente [Temer à época] e que utilizaria o peso político dele para obter êxito em suas solicitações”, reafirmou Dodge.
 
A dúvida era de incluir Temer, uma vez que a Constituição proíbe que um mandatário seja responsabilizado por atos cometidos antes de seu mandato. Entretanto, Michel Temer pode ser investigado, apontou a PGR, pelo risco da perda do processo contra os demais réus. 
 
“A imunidade temporária vertida no texto constitucional se alça a obstar a responsabilização do Presidente da República por atos estranhos ao exercícios das funções; mesmo nessa hipótese (a de atos estranhos ao exercício das funções) caberia proceder a investigação a fim de, por exemplo, evitar dissipação de provas, valendo aquela proteção constitucional apenas contra a responsabilização, e não em face da investigação criminal em si”, concordou Fachin em sua determinação.
 
“Há inúmeros exemplos de situações indesejáveis que podem ser causadas pelo decurso do tempo, como o esquecimento dos fatos pelas testemunhas, o descarte de registros, a eliminação de filmagens, entre outros, a ocasionar, desnecessariamente, o que a doutrina denomina de ‘prova difícil'”, continuou Dodge.
 
 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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  1. jcordeiro

    3 de março de 2018 3:33 am

    É armação.

    Nassif: isto, pra mim, faz parte da armação. Vejamos

    Os 6 do Delcídio e aquele do MT vão exigir todo rigor nas averiguações e nos prazos do processo no Çu-premu. Esse badulaque correrá por, no mínimo, 3 aninhos. Com possibilidade se seguir até a prescrição.

    Passariam por rigorosos, no cumprimento da Lei e da Justiça. Com tal justificariam o encarceramento do Sapo Barbudo (versão Caserna) e outros que lhes desagradem, mesmo antes do trânsito em julgado. Ganhariam tempo (e dindim) para arquitetarem outros e novos assaltos ao erário público (tudo dentro da Lei). Venderiam aos do exterior, como o caso da EMBRARER e o pré sal, o que for  possível, com comissões em moeda forte e no exterior. Isto sem falar de que dariam de mão beijada bens da União, como a Base de Alcântara, por exemplo.  A grande mídia inventaria torneios e outras novidades (daqui e do exterior) para distrair o públcio. A Justiça com sua maioria de togas imorais e políticamente corrupta. O Legislativo, com seus mais de 360 declaradamente canalhas. E o Executivo deitando e rolando, como agora.  E a farra do boi continuaria livre, leve e solta. 

    Até lá a canalha já preencheu os cargos com ladrões por todas as  repartições públicas,  que se multiplicarão com a força costumeira de Brasilia. E na hipótese do ladrão mor fazer sucessor os salafrários ganharão o perdão presidencial, antes mesmo de ser proferida a sentença. Viu esses delegados da PF. Fizeram o dever de casa, como no caso do reitor em SC, e todos foram abençoados com cargos no exterior e salário em torno de 15 mil dólares, mais a costumeiras mordomias.

    Enquanto isto o Nordestino (versão elite) estará amargando a cana em alguma penetenciária de segurança máxima, a mando do Verdujgo de Curitiba, que a esta altura estará de passeio por Beverly Hills, na Patria do seu coração.

  2. Frederico69

    3 de março de 2018 4:09 am

    vão usar como propaganda.

    nunca nenhum membro do justiciário vai ter cojones pra acusar de verdade o golpisto.

  3. maria rodrigues

    3 de março de 2018 12:48 pm

    Até o presente instante, nada

    Até o presente instante, nada nos diz que Temer será investigado e incriminado por coisa nenhuma. Esse sujeito está na História como um golpista Fantástico, capaz de se desenrolar a qualquer custo. Fez isso comprando os deputaos, e não foi à toa que se aproximou de Moro com direito a ser fotografado com esse juiz, e Aécio, também blindado por essas e outras. As mãos dadas aos militares, que voltaram ao RJ muito mais pra fazerem alardes, também pode estar sendo mais uma de suas jogadas e espertezas. Dodge está na PRG por indicação dele. Gilmar, pelo menos Gilmar, é Temer e não abre. E, assim, sucessivamente, tudo que vier contra Temer, contra tucanos, contra alguns do PMDB aliados Dele, será passa-tempo para alguns imbecis acreditarem que de fato se está pensando em lavagem geral. A sujeira e a bagaceira aumentaram depois do impeachment. Quem tiver ouvidos e olhos pra ver que ouçam e vejam: Temer está acima da Lei. É o Bicho.

  4. Afonso Arinos

    3 de março de 2018 4:19 pm

    Não entregou a reforma da Previdência

    Não entregou a reforma da Previdência, tomou!

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