
Lei hermética da correspondência e alquimia
Os humanos podem gerar e curar suas doenças, podem transmutar sentimentos e emoções, como podem se comunicar com diferentes dimensões
por Marcos Villas-Bôas
Iniciamos, no último texto sobre o tema, uma análise do hermetismo pela sua primeira lei: mentalismo. As 7 leis ou princípios herméticos são a base da filosofia criada por Hermes Trimegisto, um grupo de sábios que viveram, pelo que se crê, no Egito Antigo em torno do ano 2.600 a.C.
No livro “As vidas do guardião de Ihmotep”, a ser lançado no mês de março de 2018, um dos espíritos da falange Exu Tiriri, aquele que guarda o programa Diálogo com os Espíritos e o espírito encarnado sob o nome de Jefferson Viscardi, conta que foi contemporâneo de Ihmotep no Egito Antigo e, no ano de 2.633 a.C, ambos estavam passando por um ritual de formação como sacerdotes do templo de Rá.
Como os detalhes da vida de Ihmotep são uma incógnita, a começar pelo período exato em que ele viveu, tal livro, transmitido por meio da psicofonia do terapeuta holístico Maikon Pitas e cuidadosamente discutido por Jefferson Viscardi com o próprio autor espiritual em diferentes oportunidades, poderá elucidar um pouco aqueles interessados pelo hermetismo.
Após analisada a lei do mentalismo no texto passado, passamos agora à lei da correspondência, que diz o seguinte: “O que está em cima é como o que está embaixo. O que está dentro é como o que está fora.”
Há diferentes formas de interpretar essa lei hermética. Trataremos especialmente de duas delas. A primeira diz que “em cima”, “em baixo”, “dentro” e “fora” referem-se ao ser humano, ou seja, o que está em cima (no consciente) é aquilo que está embaixo (no subconsciente e no inconsciente) e o que está dentro (nas emoções, no âmago) está fora (nos atos, nas palavras).
Essa é uma interpretação plausível e que mantém correlação com a lei do mentalismo, que remete ao poder das consciências para a criação de tudo o que existe, inclusive sentimentos, emoções, pensamentos, atos e palavras. O grupo Hermes Trimegisto, pelo que se tem notícia historicamente, foi o descobridor terreno da alquimia, do processo de transmutação dos sentimentos, emoções e energias, que desfaz as ilusões da mente, do ego, da personalidade que cada um tem ao longo da vida.
Muito do que vem ao consciente, para cima, à mente que guia o ser, é resultado do que está embaixo, no subconsciente e no inconsciente. Carl Jung dizia que “até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino.” Jung foi um grande estudioso da alquimia medieval, do esoterismo, do ocultismo e do espiritualismo, conhecimentos que marcam a sua obra imensamente.
Outro grande estudioso e cocriador da alquimia foi o conde Saint Germain, figura curiosa que viveu no período da Revolução Francesa e que se interessava pela transmutação do ser. Muitos esoteristas veem Saint Germain como um chohan do raio violeta e o mestre regente desta nova era, momento no qual estaria ocorrendo uma transmutação das energias do planeta e da humanidade.
Muitas pessoas mais sensíveis que sofrem com angústia, depressão e outros sentimentos negativos conseguem melhorar com tratamentos energéticos, a exemplo de passes e reiki, e/ou com banhos solares, alta ingestão de água, meditação, leitura de obras carregadas de mensagens positivas, música sutil etc.
Há diversas terapias que podem ser utilizadas para a transmutação, e é melhor que, nos casos graves, elas sejam utilizadas em conjunto. Quando não se as conhece e o indivíduo é tratado apenas com remédios da medicina material, que são em geral drogas, não é incomum que venha até mesmo a piorar o seu quadro, podendo chegar a cometer suicídio.
Os estudos sobre a influência do pensamento na cura das doenças são realizados há muito tempo e com resultados interessantes. A oração, por exemplo, já se mostrou em algumas pesquisas uma aceleradora do processo de cura, como já se mostrou neste blog ao tratarmos dos estudos do vencedor do Prêmio Nobel, Alexis Carrel.
Na perspectiva dessa primeira interpretação da lei hermética da correspondência, aquilo que está dentro em termos de sentimentos, emoções e pensamentos é o que se externará em atos e palavras. Por isso, o trabalho de mudança do ser humano para melhor começa internamente, de dentro, e daí emana para fora.
Essa interpretação da lei da correspondência também quer dizer aquilo já mencionado no texto anterior: o que está dentro emana para fora em vibrações de sentimento e em formas-pensamento, de modo que cada ser cocria, molda para si o mundo que lhe cabe, e isso acontece muitas vezes inconscientemente, pois o que emana para fora está apenas na parte inconsciente do ser.
Com base nisso, faz muito sentido a tese de que, quando sofremos algo de ruim, a exemplo de um assalto, frequentemente fomos nós mesmos que estávamos vibrando aquele acontecimento, ainda que no nosso inconsciente. Quão comum não é ver as pessoas mais medrosas passando por repetidas situações que seriam raríssimas para a maioria das pessoas? Quão comum não é ver o hipocondríaco ficando, de fato, doente repetidamente?
Por outro lado, grandes mestres da humanidade, como Jesus, o Cristo, deixaram incontáveis relatos de transformações perpetradas com a força do seu pensamento, com o seu querer, como curas tidas por milagrosas. Há também diversos relatos de Sathya Sai Baba materializando objetos em sua mão com a força do pensamento. Divaldo Franco e outros espíritas também relatam histórias de materializações realizadas com ajuda de seres desencarnados.
As pessoas podem continuar simplesmente negando tudo isso que lhe parece estranho, distante dos seus conhecimentos mais comuns, e, assim, continuar desconhecendo aspectos fundamentais da vida, ou podem começar a, pelo menos, se abrir e, certamente, irão despertar suas consciências para uma nova realidade.
Outra interpretação da lei hermética da correspondência que vai causar polêmica é a de que “em baixo”, “em cima”, “fora” e “dentro” referem-se as múltiplas dimensões da realidade.
Já falamos rapidamente no último texto sobre a teoria dos multiversos. Ela diz que, em verdade, não existe um único universo infinito, mas múltiplos universos. Se o universo é infinito, ou seja, já está em todo lugar, já é tudo o que se tem num dado plano, apenas pode haver múltiplos universos em múltiplas dimensões. Há cientistas renomados que defendem essa posição, apesar de não considerada provada.
Aliás, cabe aqui abrir parênteses para tratar do que seria ciência, teoria científica e prova. É muito comum que os mais céticos, por detestarem ouvir falar em temas menos materialistas, menos palpáveis, afastem de pronto qualquer teoria desse tipo sob o argumento de que não são científicas ou de que não estão provadas. A ciência consiste em conjuntos de teorias elaboradas conforme os princípios e regras normalmente utilizados pelos especialistas da área.
Toda teoria que tenha base nos princípios e regras da área, que esteja baseada em conhecimento tido por científico e que possa ser experimentada para efeitos de buscar prova pode ser considerada científica. A questão de existir prova ou não é subjetiva, dependendo de cada estudioso acreditar ou não que determinado teste de uma teoria conseguiu prová-la ou não. Geralmente, diz-se que a teoria está provada se houver um certo consenso dos maiores especialistas daquela área.
De qualquer forma, a história humana nos mostra que praticamente tudo o que foi tido por provado cientificamente caiu algum tempo mais tarde, levando-nos a crer que um bom cientista ou um bom interessado em ciência precisa ter a mente e a consciência muito mais abertas, o que não lhes impede de manter o rigor na exigência de argumentos teóricos e de provas dos testes empíricos.
William James dizia que o místico quase sempre está certo quando entra num debate com o cientista. Isso porque este costuma ter um raciocínio “quadrado” e “engessado” demais. O rigor científico termina deixando muitos excessivamente céticos, sendo necessário haver um equilíbrio entre rigor e abertura ao novo, para que as inovações possam acontecer com mais frequência.
Ao longo dos milhares de anos de história humana, milhões de pessoas de diferentes raças, países, crenças etc. disseram manter contato com seres em outras dimensões. Como simplesmente ignorar isso e atribuir loucura, charlatanismo ou esquizofrenia a todos eles?
Qualquer um que se debruçou empiricamente sobre o tema sabe pôde comprovar com os seus 5 sentidos que as manifestações seres de outras dimensões acontecem nos mais diferentes lugares, religiosos ou não, todos os dias e cada vez com maior frequência.
Como continuaremos vendo nos próximos textos, os sábios do grupo Hermes Trimegisto, que iniciaram muitas das ciências hoje existentes, acreditavam claramente na existência de diferentes dimensões, de seres vivendo nelas e na possibilidade de comunicações entre as diferentes dimensões.
Por que apenas uma parte do conhecimento hermético faria sentido, aquele já cabalmente provado e de mais fácil percepção material, e não aquele que se chama de místico e esotérico de uma forma pejorativa, simplesmente porque não se concorda com ele de forma pré-concebida e não se está disposto a pesquisá-lo e discuti-lo?
Marcelo Castro
12 de janeiro de 2018 6:07 pma farsa espirita em debate
Uma das razões da hegemonia cultural e material do ocidente é a correta interpretação manutenção e aplicação de preceitos científicos por um mainstream que sobrepõe razões ideológicas e religiosas nas questões decisivas. Assim há o entendimento de que para fazer prevalecer sua própria cultura e ideologia é preciso interpretar corretamente e aplicar os preceitos científicos implícitos. Tomemos a teoria da evolução . É uma sentença de morte para praticamente toda religião, no entanto nenhuma industria farmacêutica a deixará de lado na pesquisa e produção de um antibiótico. O ocidente criou um sofisticado mise-en-scène daquilo que é para consumo de religiões e ideologias e daquilo que será exercido de fato, da supremacia e correta interpretação cientifica repousa toda hegemonia ocidental. Os países centrais do ocidente vendem Margareth Thatcher para periferia mas praticam Karl Popper nos assuntos internos.
O espiritismo surge nos EUA do pós guerra civil como resposta a um quadro de devastação , sofrimento humano, concomitantes a um espantoso florescimento teórico e técnico da ciência. Eletricidade e magnetismo causavam furor e despertavam todo tipo de devaneio mistico na população. Forças poderosas e misteriosas da natureza, ignorância, morte e sofrimento. No caldeirão juntaram-se todos os ingredientes para o surgimento de uma nova seita que desta vez não se contentaria com o rótulo de simples religião. Durante o período de expansão do espiritismo prodígios são relatados. Vozes de credibilidade à época relatam fenômenos inexplicáveis. As proezas repercutem atravessam o atlântico e na França encontram terreno fértil. O pedagogo e eugenista Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob a alcunha de Allan Kardec, sistematiza a seita num arrazoado entre princípios humanitários sob rígido sistema hierárquico numa alusão à emergente teoria da evolução.
A partir do começo do século XX cientistas como Michel Faraday e psicanalistas como Ray Hyman passam a oferecer explicações para os fenômenos espiritas. Em 1905 o espiritismo sofre golpe importante quando fica claro que o éter espacial adotado pela ciência e segundo os espiritas o meio de existência de espíritos na verdade não existe. Com o avanço explosivo da tecnologia cada vez mais os fenômenos espiritas deixam de ser observados e a rigorosa metodologia cientifica vai eliminando consistentemente o espiritismo do cardápio ocidental possível. A ignorância dá lugar à compreensão de que a psiquê humana associada a fenômenos naturais não triviais são um entendimento razoável para os antigos e irreplicáveis fenômenos espiritas.
O espiritismo praticamente desaparece dos países centrais do ocidente passando apenas a ser tratado como entretenimento em alguns veículos de mídia. Mas o espiritismo ainda cumpre um papel ideológico e religioso em países periféricos e é o Brasil o novo terreno fértil desta doutrina. No inicio do século XXI as nações avançadas buscam estabelecer como redes neurais podem criar a consciência, há o claro entendimento de que a doutrina espirita é intelectualmente fracassada e factualmente inverosímil. Na eterna colônia , o país da jabuticaba, ainda temos uma “elite intelectual” estagnada em paradigmas do final do século XIX.
O espiritismo hoje no Brasil cumpre papel de enfraquecimento cultural, visto que teríamos na umbanda um substituto natural, de fragmentação intelectual visto que suporta toda uma casta de seguidores que não entende e enfraquece o conceito de ciência lançando influência importante sobre a sociedade , além do papel alienante de toda a religião. O caráter autoritário do espiritismo pode ser verificado neste próprio blog onde sua análise e critica foi interditada pelos proprietários. Para muitos este texto pode parecer uma tempestade num copo d’água. Vejo a questão como mais um dos sintomas de uma nação atrasada e colonizada. A fragilidade das evidencias e dos argumentos espiritas parecem não ser motivo de discrição e comedimento deste blog que ainda expõe leitores e assinantes aos seus absurdos sem direito de resposta. Espero que os editores do blog considerem seu comportamento antes de criticar a situação do país.
amal
25 de maio de 2022 8:16 amSr Marcelo Castro, como bem apontado no texto, em algum momento a ciência também cai em si tomando ciência.