4 de junho de 2026

Viemos dizer bem alto que a injustiça dói, por Carlos Motta

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

por Carlos Motta

Uma das músicas mais tocadas e cantadas no carnaval pernambucano é “Madeira que Cupim não Rói”, do mestre Capiba (Lourenço da Fonseca Barbosa, nascido em Surubim, 28 de outubro de 1904 e falecido no Recife, 31 de dezembro de 1997). 

É uma marcha-frevo de melodia simples, mas emocionante, como várias composições de Capiba.

Não sei por que, mas toda vez que a escuto, as comportas de alguma parte de meu cérebro se rompem e as lágrimas insistem em escorrer dos meus olhos.

 

“Madeira que Cupim Não Rói” foi feita como um desabafo pelo fato de o bloco carnavalesco de Capiba, o Madeira de Rosarinho, ter perdido o concurso para o Batutas de São José, em 1963.

O mestre, inconformado, compôs a música, que, para surpresa de todos, foi apresentada pelo bloco no desfile das vencedoras. 

A letra é poesia pura, e se pensarmos bem, reflete também, para muitos, o sentimento de se viver neste Brasil Novo, onde a injustiça cresce a cada dia, alimentada por uma porção da sociedade que não se conforma em ver uma ínfima parte de seus imensos privilégios serem trocados por uma vida um pouco melhor para milhões de pessoas para as quais a esperança sempre foi um sonho distante.

Essa beleza pode ser ouvida na voz de outro grande artista pernambucano, Claudionor Germano: 

Coisa linda! 

 

Madeira do rosarinho

Venha à cidade sua fama mostrar

E traz, com o seu pessoal, seu estandarte tão original

Não vem pra fazer barulho

Vem só dizer

E com satisfação

Queiram ou não queiram os juízes

O nosso bloco é de fato campeão

E se aqui estamos cantando esta canção

Viemos defender a nossa tradição

E dizer bem alto

Que a injustiça dói

Nós somos madeira de lei que cupim não rói.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Maria Luisa

    11 de dezembro de 2017 6:00 pm

    Um alegoria do Judiciario

    Como explicar o judiciario brasileiro e suas ramificações que são a PF e o Ministério Publico? Esta ai uma boa forma de dizer que apesar de inabilitarem Lula, que apesar de prenderem e arrebentarem:

    Viemos defender a nossa tradição

    E dizer bem alto

    Que a injustiça dói

    Nós somos madeira de lei que cupim não rói.

  2. otavio barros

    11 de dezembro de 2017 8:58 pm

    A imagem que abre o texto é o

    A imagem que abre o texto é o ritmo articulado do frevo. Ou seja, o Frevo é uma expressão musical  do recifende, enquanto o Baião do Gozagão é a preferência musical do pernambucano do interior. Otavio Barros, jornalista e escritor.

  3. lucianohortencio

    11 de dezembro de 2017 11:17 pm

    Madeira de lei, cupim não rói!!!

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=DyqIsFHhcKg%5D

Recomendados para você

Recomendados